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Cruzeiro: Viña tem três meses e dois concorrentes para se firmar no time

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O Cruzeiro não contratou Matías Viña para resolver uma necessidade pensando apenas em 2026. O acordo que levou o lateral uruguaio à Toca da Raposa também criou uma espécie de período de avaliação: ele ficará emprestado até dezembro e, ao final do vínculo, o clube terá a possibilidade de comprá-lo por US$ 4,5 milhões, aproximadamente R$ 23 milhões.

Na prática, Viña terá pouco mais de três meses para mostrar que merece permanecer. O desafio fica maior porque a posição está longe de estar vazia. Gabriel Rojas foi comprado justamente para assumir o setor, enquanto Lucas Villalba ganhou espaço improvisado na lateral e entregou respostas antes da chegada do uruguaio.

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A contratação, portanto, não significa que Viña encontrou uma vaga. Ela abriu uma disputa.

Cruzeiro transformou uma posição resolvida em disputa aberta

No primeiro semestre, praticamente não existia discussão sobre quem deveria ocupar a lateral esquerda. Kaiki era o titular e acabou negociado com o Como, da Itália. Kauã Prates também deixou o clube, rumo ao Borussia Dortmund.

O Cruzeiro respondeu ao mercado investindo cerca de R$ 30 milhões em Gabriel Rojas, destaque do Racing. O argentino, porém, ainda não transformou o investimento em domínio absoluto da posição.

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Rojas disputou 12 partidas pelo Cruzeiro até esta semana, nove como titular, sem gols ou assistências. A ausência de um dono indiscutível abriu espaço para uma solução inicialmente alternativa: Villalba, zagueiro de origem, começou a atuar pelo lado esquerdo.

Considerando somente os jogos como lateral, Villalba soma 11 partidas, seis como titular, e três assistências. Os números foram reunidos em levantamento da Central da Toca. Foi nesse cenário que Viña chegou.

Viña precisa recuperar algo que perdeu no River: sequência

O currículo do uruguaio é suficiente para colocá-lo imediatamente na disputa. Aos 28 anos, ele já passou por Palmeiras, Roma, Bournemouth, Sassuolo, Flamengo e River Plate, além de acumular experiência pela seleção do Uruguai.

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O problema recente foi justamente jogar pouco.

Viña disputou 14 partidas oficiais pelo River Plate em 2026, dez delas como titular, sem gols ou assistências. Depois da Copa do Mundo, perdeu espaço de maneira ainda mais acentuada por uma questão contratual envolvendo a cláusula de compra prevista no acordo entre River e Flamengo.

Apresentado nesta semana, o próprio lateral afirmou que está em condições de atuar. Mesmo assim, ausência de lesão e ritmo competitivo são coisas diferentes. Depois de meses sem sequência, o Cruzeiro precisará avaliar como ele responde ao volume de treinamentos e partidas da reta final.

Para Artur Jorge, existe uma vantagem incomum: tempo.

Calendário oferece oportunidade quase perfeita

Treinador do Cruzeiro, Artur Jorge
Foto: Gustavo Martins/ Cruzeiro

O primeiro compromisso disponível para Viña é contra o Vitória, neste domingo (20), no Barradão. Depois da partida, o Cruzeiro ficará 17 dias sem entrar em campo e só voltará a jogar em 7 de outubro, diante do São Paulo.

É praticamente uma pequena intertemporada no momento ideal para um reforço recém-chegado.

O período permitirá que Artur Jorge teste Viña sem depender apenas dos jogos para acelerar sua adaptação. Também dará ao treinador a possibilidade de colocar os três concorrentes lado a lado nos trabalhos e definir qual deles oferece o equilíbrio mais adequado para o sistema utilizado pelo Cruzeiro.

A disputa envolve características diferentes. Rojas possui maior capacidade de construção e cruzamento, Villalba acrescenta força defensiva e experiência como zagueiro, enquanto Viña chega com histórico de participação mais equilibrada entre defesa e ataque.

O próprio uruguaio tratou a concorrência com naturalidade durante sua apresentação, afirmando que a disputa pode ajudar a elevar o nível do time.

Três meses valem uma decisão de R$ 23 milhões

Existe, porém, uma diferença importante entre Viña e seus concorrentes. Para o uruguaio, cada oportunidade também funciona como avaliação de mercado.

Gabriel Rojas tem contrato longo e foi comprado pelo Cruzeiro. Villalba vive outra discussão sobre seu futuro, mas já está integrado ao elenco há mais tempo. Viña chegou em setembro e seu acordo termina em dezembro.

A opção de compra de aproximadamente R$ 23 milhões significa que o clube não precisará decidir apenas se ele pode ser titular. Precisará determinar se o desempenho apresentado em pouco mais de três meses justifica um novo investimento para mantê-lo definitivamente.

É isso que torna a concorrência na lateral diferente.

Viña não precisa simplesmente ultrapassar Rojas ou Villalba na escalação. Precisa fazer isso rápido o suficiente para transformar um empréstimo de fim de temporada em argumento para permanecer no Cruzeiro em 2027.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.