O Cruzeiro aproveitou a pausa do futebol brasileiro durante a Copa do Mundo de 2026 para reformular parte do elenco e, ao mesmo tempo, manter um saldo positivo no mercado de transferências. Entre contratações, vendas, empréstimos e retornos, a Raposa registrou oito saídas e três novidades no grupo comandado por Artur Jorge.
As principais movimentações financeiras envolveram as vendas de Kaiki Bruno e Christian, além das contratações de Gabriel Pec e Gabriel Rojas. Considerando os valores divulgados dessas quatro operações, o Cruzeiro terminou o período com um saldo positivo estimado em R$ 42,2 milhões.
O número, no entanto, deve ser entendido como uma diferença nominal entre os valores das compras e vendas. Não representa necessariamente o lucro contábil definitivo do clube, já que as negociações são parceladas e podem envolver comissões, impostos, bônus, participações de outros detentores de direitos econômicos e metas previstas nos contratos.
Mesmo com essa ressalva, o balanço mostra uma postura diferente do Cruzeiro no mercado. A SAF manteve investimentos altos em dois reforços considerados titulares, mas conseguiu financiar as chegadas por meio da venda de jogadores valorizados.
Vendas de Kaiki e Christian renderam cerca de R$ 136 milhões

A maior negociação realizada pelo Cruzeiro durante a pausa foi a transferência de Kaiki Bruno para o Como, da Itália. O lateral-esquerdo foi vendido por 14 milhões de euros, valor estimado em aproximadamente R$ 82,2 milhões na cotação utilizada no momento do acordo.
A transferência ainda pode render valores adicionais previstos em contrato. Uma das versões publicadas sobre o negócio aponta o pagamento inicial de 12 milhões de euros ao Cruzeiro e outros 2 milhões de euros relacionados a bônus. Kaiki também possuía participação em seus direitos econômicos.
O outro titular negociado foi Christian. O meio-campista acertou com o Krasnodar, da Rússia, em uma operação estimada em 10 milhões de dólares, aproximadamente R$ 53,8 milhões.
Christian havia sido contratado pelo Cruzeiro junto ao Athletico-PR por cerca de R$ 20 milhões no início de 2025. Aproximadamente R$ 48 milhões da nova negociação ficam com a Raposa. O acordo também inclui bônus por metas e uma participação de 10% em uma venda futura.
Somadas pelos valores gerais divulgados, as transferências de Kaiki e Christian movimentaram aproximadamente R$ 136 milhões. Os dois eram titulares antes da paralisação do Campeonato Brasileiro e deixaram lacunas que precisaram ser preenchidas rapidamente.
Gabriel Pec foi o maior investimento da janela
A contratação mais cara do Cruzeiro durante a pausa foi Gabriel Pec. O atacante deixou o Los Angeles Galaxy, dos Estados Unidos, e assinou contrato com a Raposa até 2031.
O negócio foi fechado por 12 milhões de dólares garantidos, valor próximo de R$ 61 milhões na cotação utilizada no balanço. O acordo ainda poderá aumentar caso metas e bônus contratuais sejam alcançados.
Pec foi contratado para aumentar as opções de velocidade e profundidade pelos lados do campo. Canhoto, ele atua preferencialmente pela direita e chega depois de se consolidar como um dos principais jogadores do LA Galaxy.
O atacante disputou 20 partidas pelo clube norte-americano em 2026, com 11 gols e quatro assistências antes da transferência. A contratação também foi um pedido de Artur Jorge, que via a necessidade de acrescentar um ponta com essas características ao elenco.
Gabriel Rojas chegou para assumir a lateral esquerda
Para recompor o setor que perdeu Kaiki e Kauã Prates, o Cruzeiro contratou Gabriel Rojas junto ao Racing, da Argentina.
A operação custou pouco mais de 6 milhões de dólares, aproximadamente R$ 30,5 milhões. Desse montante, cerca de 5 milhões de dólares foram destinados ao Racing. O lateral assinou contrato até dezembro de 2029.
Rojas chegou com experiência internacional e participação nas conquistas da Copa Sul-Americana e da Recopa Sul-Americana pelo clube argentino. Em 141 partidas pelo Racing, acumulou cinco gols e 23 assistências.
Somados, Gabriel Pec e Gabriel Rojas custaram aproximadamente R$ 91,6 milhões. O valor é inferior ao total movimentado pelas vendas de Kaiki e Christian, o que permitiu ao Cruzeiro manter uma balança positiva mesmo depois de contratar dois jogadores com condições de assumir posições no time principal.
Saldo positivo passa de R$ 40 milhões
O levantamento das quatro principais operações realizadas durante a pausa da Copa do Mundo aponta um saldo positivo de R$ 42,2 milhões para o Cruzeiro.
Outros cálculos trabalham com números arredondados. A Raposa investiu cerca de R$ 90 milhões nas contratações de Gabriel Pec e Gabriel Rojas e superou R$ 130 milhões com as transferências de Christian e Kaiki. A diferença também coloca o saldo do clube acima de R$ 40 milhões.
A variação entre os levantamentos ocorre porque as negociações foram fechadas em moedas diferentes, em dias diferentes e com cláusulas específicas. Por isso, a cotação considerada em cada cálculo pode alterar o resultado em alguns milhões de reais.
O resultado positivo também não significa que todo o dinheiro estará disponível imediatamente. Tanto as compras quanto as vendas foram estruturadas com pagamentos parcelados. Parte dos valores das saídas ainda pode depender de metas, enquanto as aquisições poderão gerar novos custos por bônus.
Oito jogadores deixaram o Cruzeiro
Além de Kaiki e Christian, outros atletas deixaram a Toca da Raposa durante a intertemporada.
Kauã Prates se apresentou ao Borussia Dortmund, da Alemanha, depois de completar 18 anos. A transferência, estimada em R$ 40,6 milhões fixos, havia sido acertada ainda em fevereiro e, por isso, não foi incluída no cálculo de R$ 42,2 milhões referente às quatro principais operações da pausa.
Bruno Alves foi emprestado ao Norwich City, da Inglaterra, enquanto Matheus Cunha acertou um empréstimo ao Internacional até junho de 2027. Walace passou a defender o Vitória até dezembro de 2026, e Japa foi cedido ao Mirassol pelo mesmo período.
O zagueiro Janderson deixou o clube em definitivo e acertou com o Moreirense, de Portugal. As condições divulgadas indicam que a liberação ocorreu sem pagamento de uma compensação financeira.
O Cruzeiro também encaminhou novas soluções para atletas que estavam fora dos planos. Lautaro Díaz, que havia defendido o Santos, foi repassado por empréstimo ao Racing. Vitinho teve a saída definitiva encaminhada para o Santa Clara, de Portugal. Esses dois movimentos ainda não apareciam entre as oito transferências concluídas no balanço inicial.
Léo Aragão retorna para disputar posição
A terceira novidade no elenco, ao lado de Pec e Rojas, não foi uma contratação. O Cruzeiro solicitou o retorno do goleiro Léo Aragão, que estava emprestado ao Avaí.
A decisão foi tomada diante da saída de Matheus Cunha para o Internacional. Léo Aragão volta para integrar o grupo e disputar espaço no setor, aumentando as opções da comissão técnica para o segundo semestre.
Assim, o clube terminou a pausa com dois jogadores comprados e um atleta reintegrado após empréstimo.
Cruzeiro ainda procura reforços
Apesar das movimentações já concluídas, o Cruzeiro não considera o elenco fechado. A janela brasileira foi aberta oficialmente em 20 de julho e seguirá até 11 de setembro, permitindo novas contratações e saídas.
A prioridade é a chegada de um primeiro volante para disputar posição com Lucas Romero. Zé Lucas, do Sport, aparece entre os jogadores avaliados pela diretoria.
O clube também observa o mercado em busca de mais uma opção para os lados do ataque. A negociação por Wesley, do Al-Nassr, chegou a avançar, mas não foi concluída.
A postura adotada durante a pausa segue a avaliação feita por Artur Jorge sobre os investimentos do clube. Ao comentar a busca por reforços, o treinador afirmou que o Cruzeiro “não está de torneira aberta”, sinalizando que as contratações precisariam respeitar limites esportivos e financeiros.
Com dois reforços de peso, oito saídas e um saldo positivo superior a R$ 40 milhões nas principais operações, o Cruzeiro chega à retomada do calendário com um elenco modificado. A janela, porém, continua aberta e o balanço ainda poderá mudar até setembro.


