Contratado para participar da transição após a era Cássio, Matheus Cunha está perto de deixar o Cruzeiro apenas seis meses depois de chegar à Toca da Raposa. A diretoria e a comissão técnica entendem que o melhor caminho é encontrar um novo clube para o goleiro, que perdeu espaço para Otávio e passou a enfrentar também a concorrência de Léo Aragão.
O jogador de 25 anos não foi relacionado para o amistoso contra o Defensor Sporting e voltou a ficar fora das escolhas no teste diante do Grêmio. A ausência não foi provocada por lesão. Matheus tornou-se uma peça negociável dentro da reformulação conduzida pela SAF de Pedro Lourenço.
A mudança chama atenção pela rapidez. O Cruzeiro assinou um pré-contrato com o então goleiro do Flamengo em julho de 2025 e o recebeu sem pagar compensação pela transferência no começo desta temporada. O vínculo foi firmado até dezembro de 2028.
Naquele momento, Matheus era apresentado como uma oportunidade de mercado: jovem para a posição, experiente em um clube de grande pressão e com potencial para assumir a meta quando Cássio encerrasse a carreira. Seis meses depois, a sucessão foi redesenhada.
Lesão antecipou o primeiro problema no Cruzeiro
Matheus Cunha chegou à Toca com um obstáculo inesperado. Logo na primeira semana de pré-temporada, sofreu uma lesão no joelho e perdeu as partidas iniciais do Campeonato Mineiro, período em que teria a possibilidade de ganhar ritmo enquanto os principais jogadores realizavam uma preparação específica.
A ausência abriu espaço para Otávio, formado na base celeste. O jovem aproveitou as primeiras oportunidades e começou a avançar na hierarquia antes mesmo de a disputa pelo posto de reserva imediato ser efetivamente iniciada.
A grande chance de Matheus surgiu em março, quando Cássio sofreu uma lesão multiligamentar no joelho esquerdo. O veterano precisou passar por cirurgia, e a Raposa decidiu não buscar um substituto no mercado porque confiava nas opções internas. Naquele momento, o ex-Flamengo tornou-se oficialmente o titular.
O goleiro disputou nove partidas consecutivas, mas não entregou a segurança esperada. Mesmo apoiado inicialmente pela comissão técnica, acabou substituído por Otávio e não recuperou a posição.
No total, Matheus soma 12 jogos pelo clube em 2026, com 13 gols sofridos e uma assistência. Nove dessas apresentações aconteceram pelo Campeonato Brasileiro, competição na qual foi vazado 11 vezes e terminou quatro partidas sem sofrer gols.
Os números isolados não explicam toda a decisão. O desempenho coletivo da defesa também oscilou durante o período, mas a avaliação interna foi de que Otávio ofereceu respostas mais convincentes quando recebeu a oportunidade.
Retorno de Léo Aragão praticamente confirmou a saída
O sinal mais forte sobre o futuro de Matheus Cunha foi o pedido para que Léo Aragão retornasse do Avaí. O goleiro estava emprestado até o encerramento da Série B, era titular em Florianópolis e aparecia entre os atletas com maior número de defesas no campeonato.
O Cruzeiro interrompeu o empréstimo justamente quando definiu que Matheus deveria procurar outro destino. A movimentação elevou Léo a concorrente direto de Otávio e reduziu ainda mais as possibilidades para o antigo reserva de Agustín Rossi.
A hierarquia atual tem Otávio como titular, Léo Aragão novamente à disposição e Cássio em fase avançada de recuperação. Marcelo Eráclito continua no grupo, enquanto Vitor Lamounier, do sub-20, vem sendo integrado gradualmente ao profissional.
Cássio deve intensificar os treinamentos com o elenco em agosto. O departamento médico trabalha com a possibilidade de liberá-lo na segunda quinzena do mês, desde que os testes físicos e funcionais confirmem a recuperação do joelho.
Com tantas alternativas, manter Matheus representaria ocupar uma vaga e assumir salários por mais dois anos e meio sem perspectiva concreta de utilização. A venda ou o empréstimo com opção de compra passou a ser o desfecho mais lógico.
Cruzeiro pode transformar chegada gratuita em receita
O valor de mercado estimado de Matheus Cunha é de € 3 milhões, segundo a atualização mais recente do Transfermarkt. A cotação não estabelece quanto a Raposa receberá, mas serve como referência pública para um jogador ainda jovem, com contrato longo e experiência por Flamengo e Cruzeiro.
O clube dificilmente exigirá toda essa quantia. A perda de espaço reduz o poder de negociação, porque os interessados sabem que o goleiro não está nos planos de Artur Jorge.
Ainda assim, a operação possui uma vantagem financeira para a SAF. Como não houve pagamento de direitos econômicos ao Flamengo, uma transferência definitiva poderá gerar receita sem a necessidade de recuperar uma taxa de aquisição.


