O mercado da bola reservou uma ironia histórica para as diretorias de Atlético-MG e Fluminense nesta temporada. Dez anos após o Galo chocar o futebol nacional ao tirar o centroavante Fred das Laranjeiras, o clube carioca inverteu os papéis. Após garantir a contratação em definitivo do lateral Guilherme Arana, o Tricolor agora encaminha a chegada do atacante Hulk, o maior símbolo da era vitoriosa recente da equipe mineira.
De Fred a Arana: A inversão de forças no mercado
A contratação de Fred pelo Atlético em 2016 não foi apenas uma operação financeira; foi uma demonstração de força institucional. Na ocasião, o Galo levou para Belo Horizonte o então capitão tricolor, que deixava o Rio de Janeiro com um peso emocional gigantesco após mais de sete anos de casa.
Agora, o roteiro ganha um segundo capítulo com as cores invertidas. O primeiro movimento ofensivo da diretoria carioca foi a compra de Guilherme Arana. O lateral-esquerdo assinou um contrato longo, válido até o fim de 2029.
Isoladamente, a saída de Arana poderia ser tratada como uma movimentação natural. No entanto, somada às tratativas avançadas por Hulk, a estratégia do Fluminense ganha outra leitura: o clube mirou especificamente em peças que carregam enorme valor esportivo e simbólico na Cidade do Galo.

Veja o vídeo de quando Fred vestiu a camisa do Galo pela primeira vez:
O peso histórico de Hulk na Cidade do Galo
A possível ida de Hulk para as Laranjeiras carrega o mesmo impacto emocional da saída de Fred no passado. O camisa 7 chegou a Belo Horizonte em 2021 e transformou o patamar ofensivo do clube, empilhando taças e prêmios individuais.
Segundo levantamento analítico do Moon BH na base de dados do Sofascore, o impacto do atacante transcende o fator liderança e se reflete diretamente em eficiência ofensiva.
Confira os números consolidados que encerram a passagem do ídolo pelo Atlético:
- Jogos disputados: 311 partidas oficiais.
- Gols marcados: 140 bolas na rede.
- Assistências: 56 passes diretos para gol.
- Impacto direto: Participação em quase 200 gols durante seu ciclo no clube.
O impacto tático e a narrativa tricolor

Do ponto de vista esportivo, a comissão técnica do Fluminense entende que o atacante ainda é amplamente útil. Mesmo próximo aos 40 anos e sem o mesmo vigor de transição física, o jogador oferece uma bola parada de elite, imposição na grande área e poder de finalização.
Mas a principal vitória tricolor ocorre na narrativa. Contratar o veterano significa transformar um algoz histórico em arma própria. O clube carioca, que já adota a filosofia de mesclar juventude com atletas experientes, usa seu projeto esportivo para dar uma resposta de mercado contundente ao rival mineiro.
O recomeço do Atlético-MG sem seu maior ídolo
Do lado atleticano, a diretoria trabalha para controlar o desgaste com o torcedor. O clube já confirmou a rescisão contratual em comum acordo e planejou uma festa oficial de despedida na Arena MRV, programada para antes do confronto contra o Botafogo.
Contudo, o luto esportivo precisa ser curto. Sem o seu principal protagonista dos últimos anos, a equipe comandada por Gabriel Milito tem um desafio imediato no calendário continental para provar que a engrenagem ofensiva segue funcionando.
Próximo jogo do Galo: O primeiro teste desta nova era acontece nesta terça-feira, 5 de maio de 2026. O Atlético-MG enfrenta o Juventud, às 19h, no Estádio Centenário, em Montevidéu. A partida, válida pela quarta rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana (com transmissão de ESPN e Disney+), marcará o início oficial da transição tática de um time que precisará aprender a vencer sem o ídolo que mudou sua história recente.
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