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Peter Grieve existe e diz que ainda quer comprar o Atlético: “Aberto a uma ligação”

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Peter Grieve voltou ao noticiário ligado ao Atlético quase três anos depois de ser tratado como possível comprador da SAF alvinegra. O empresário norte-americano, que chegou a negociar a aquisição do futebol do clube em 2023, reapareceu em entrevista ao Canal do Frossard, afirmou que continua acompanhando o Galo e deixou no ar que ainda tem interesse no projeto.

A frase mais forte foi simples e simbólica. Ao falar sobre o clube, Grieve tratou o Alvinegro como “meu time”, expressão que repercutiu entre torcedores justamente porque seu nome virou, durante muito tempo, quase uma lenda nos bastidores da venda da SAF.

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Em 2023, o empresário foi apontado como um dos favoritos para assumir o controle do futebol atleticano. A negociação avançou, passou por diligência, envolveu conversas com dirigentes e chegou a ser tratada como uma operação que poderia movimentar cerca de R$ 1,8 bilhão. No fim, o acordo não foi fechado, e o clube seguiu outro caminho: uma SAF controlada por investidores ligados à própria história alvinegra.

A reaparição de Grieve não significa que exista uma nova negociação em andamento. O momento da sociedade mudou. Hoje, depois do aporte de R$ 530 milhões aprovado em maio, Rubens e Rafael Menin concentram 83,5% das ações da SAF. A associação ficou com 10%, enquanto outros acionistas dividem 6,5%.

Ou seja, o norte-americano ainda pode se declarar interessado, mas a porta para assumir o controle não é a mesma de 2023.

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“Sempre estou aberto a uma ligação deles. (…) Meu interesse no Atlético, eu tenho de ser honesto, começou há três anos, quando tive o primeiro contato. Mas acreditem em mim: esse é o meu time. Não sigo mais ninguém. Esse é o meu time. E fico decepcionado que não temos ninguém na Seleção Brasileira – o que tenho dificuldade em compreender”, disse o empresário.

Quem é Peter Grieve e por que ele virou personagem da SAF

Peter Grieve é um empresário dos Estados Unidos com trajetória no mercado financeiro e no futebol. Foi fuzileiro naval, trabalhou por décadas no Goldman Sachs e depois participou de negócios ligados a bancos, tecnologia e clubes. No esporte, seu nome apareceu em tentativas de aquisição de equipes como Botafogo, Hull City, da Inglaterra, e projetos menores em países como Zimbábue e Gibraltar.

No caso do Galo, sua figura ganhou força porque representava a possibilidade de um investidor estrangeiro assumir papel central na transformação em clube-empresa. Em janeiro de 2023, o nome começou a circular com mais intensidade. Em abril daquele ano, a negociação foi tratada como avançada, com a possibilidade de ele liderar a compra da maior parte das ações da nova sociedade.

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O plano, naquele momento, era ambicioso. A operação poderia envolver futebol, Arena MRV, Cidade do Galo e a tentativa de solucionar uma dívida bilionária. A expectativa era de que o dinheiro novo permitisse ao clube quitar obrigações, evitar medidas mais duras de reestruturação e manter competitividade.

Mas a transação não avançou até o fim. Segundo explicações dadas posteriormente por dirigentes, o entrave passou por captação de recursos, governança e modelo de controle. O clube acabou optando por uma solução interna, com os chamados investidores atleticanos à frente da SAF.

Bruno Muzzi, então CEO, chegou a dizer em 2023 que Grieve poderia participar como minoritário caso trouxesse recursos, mas que o controle ficaria com a Galo Holding. Rubens Menin também comentou à época que o empresário era sério e aceitou discutir a governança desejada, mas ficou fora porque o modelo escolhido priorizava o comando por atleticanos.

A entrevista recente reabre essa memória porque confirma que Grieve não era apenas um nome jogado no mercado. Ele existia, negociou, acompanhou o processo e, ao que indica, continua ligado emocionalmente ao clube.

Interesse atual esbarra em uma SAF já controlada pelos Menin

Reprodução

O ponto mais importante, agora, é separar interesse de viabilidade. Grieve pode gostar do Galo, acompanhar jogos e até desejar participar do projeto. Isso não quer dizer que haja espaço fácil para uma entrada relevante.

A estrutura atual é diferente daquela discutida em 2023. Na época, a venda ainda estava em formação. Havia disputas sobre modelo, percentuais, dívidas, ativos e governança. Hoje, a SAF já tem controlador claro. Com o novo aporte aprovado pelo Conselho Deliberativo, a Família Menin ampliou presença e passou a dominar a composição acionária.

A injeção de R$ 530 milhões teve objetivo financeiro direto: reduzir a pressão da dívida bancária e reorganizar parte do passivo. Junto com o dinheiro, veio aumento de participação. Rubens e Rafael Menin passaram a deter 83,5% da sociedade, enquanto a associação preservou 10%.

Nesse cenário, uma eventual entrada de Grieve teria caminhos limitados. Ele poderia comprar parte de algum acionista minoritário, participar de uma futura rodada de capital ou negociar diretamente com os controladores. Para ter influência decisiva, porém, precisaria de uma operação muito maior e dependente da vontade dos atuais donos.

Não há indicação pública de que os Menin queiram vender o controle. Ao contrário, o movimento recente foi de concentração, não de abertura. O aporte reforçou a presença da família na SAF e deixou claro quem comanda o futebol alvinegro.

Por isso, a fala do norte-americano tem mais impacto simbólico do que prático no curto prazo. Ela reacende o debate sobre qual modelo poderia ter sido adotado, mas não muda automaticamente a gestão atual.

O que poderia acontecer daqui para frente

No cenário atual, a possibilidade mais realista para Grieve seria uma participação minoritária em algum momento futuro. Isso dependeria de abertura dos controladores, necessidade de novo capital ou venda de participação por outros acionistas.

Uma compra de controle parece distante. Para isso, Rubens e Rafael Menin teriam de aceitar reduzir drasticamente sua fatia, algo que não combina com o movimento recente de aumento para 83,5%. Além disso, qualquer mudança mais profunda teria impacto político dentro da associação e entre conselheiros.

O que a reaparição faz, de fato, é pressionar a conversa pública sobre a SAF. Ao dizer que continua ligado ao Galo, o norte-americano recoloca na mesa o debate sobre investidores externos, dívida, governança e futuro do clube-empresa. Não é pouca coisa em um momento em que o Alvinegro tenta equilibrar aporte bilionário, elenco caro e cobrança por resultados.

A gestão atual segue nas mãos dos Menin. O dinheiro novo deu fôlego, mas também aumentou a responsabilidade. Se a SAF conseguir reduzir juros, estabilizar caixa e manter competitividade, a lembrança de Grieve ficará como uma curiosidade de bastidor. Se os problemas financeiros continuarem pesando, seu nome tende a voltar sempre como comparação incômoda.

Por enquanto, a notícia principal é que o empresário reapareceu, existe, fala como alguém que criou vínculo com o clube e mantém interesse. A parte decisiva, no entanto, não está no discurso. Está na estrutura societária. E, hoje, essa estrutura tem dono definido.

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Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.

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