O Atlético-MG entra no gramado do Estádio Inca Garcilaso de la Vega, em Cusco, nesta quarta-feira (29), às 21h30, vivendo uma verdadeira panela de pressão. Atropelado por 4 a 0 pelo Flamengo e lidando com a iminente saída do atacante Hulk para o Fluminense, o Galo enfrenta o Cienciano pela Sul-Americana com uma missão brutal: sobreviver à temida altitude peruana utilizando uma escalação quase inteiramente reserva.
A aposta extrema: Titulares em BH e a chance dos reservas
A decisão do técnico Eduardo Domínguez escancara as prioridades do clube para a semana. Focando no clássico de sábado contra o Cruzeiro, a comissão técnica deixou o time principal em Belo Horizonte. Nomes como Lyanco, Vitor Hugo, Ruan, Renan Lodi, Natanael, Alan Franco, Maycon, Victor Hugo, Cuello e Cassierra sequer viajaram.
O atacante Hulk também permaneceu na capital mineira, mas para focar na sua provável transferência ao tricolor carioca. Além disso, o departamento médico vetou Patrick, Índio (ambos com lesão no joelho) e Cissé (lesão muscular).
Apenas o goleiro Everson, entre os considerados titulares absolutos, embarcou para o Peru. O XI inicial provável que enfrentará a altitude aponta para uma equipe mais jovem e veloz:
- Defesa: Everson; Preciado, Junior Alonso, Iván Román e Pascini.
- Meio-campo: Tomás Pérez; Alexsander e Scarpa (ou Iseppe).
- Ataque: Alan Minda, Dudu e Cauã Soares.
Pragmatismo tático: A estratégia para respirar em Cusco
O desenho tático armado por Domínguez — que permaneceu mais tempo em BH para treinar os titulares antes de viajar — é de pura sobrevivência. Em vez da pressão alta habitual, o Atlético adotará um bloco médio ou baixo, encurtando espaços para não colapsar fisicamente na altitude.

O plano é administrar o oxigênio e atacar em transições rápidas pelos lados com Minda e Dudu, explorando as chegadas de Gustavo Scarpa por dentro. O próprio técnico já havia dado o recado em rodadas anteriores: “Se não corrermos, não vai ser suficiente”. Em Cusco, intensidade sem a bola e concentração absoluta na defesa são obrigações de sobrevivência.
A nova regra da Conmebol e a calculadora do Grupo B
A situação do Galo na tabela não permite luxos. O Cienciano lidera o Grupo B com quatro pontos, seguido pelo Puerto Cabello (3) e pelo próprio Atlético (3), enquanto o Juventud amarga a lanterna com um ponto.
A urgência atleticana é explicada por dois fatores regulamentares:
- O Desempate: Para 2026, a Conmebol instituiu o confronto direto como primeiro critério de desempate. Como perdeu na estreia para o Puerto Cabello (também com reservas), o Galo larga em desvantagem contra os venezuelanos.
- O Formato: Apenas o líder da chave avança direto às oitavas de final. O segundo colocado será forçado a disputar um desgastante playoff contra um dos eliminados da Libertadores.
A partida terá transmissão exclusiva da plataforma Paramount+. Para o Atlético, empatar minimiza os danos, mas apenas uma vitória devolve ao clube o protagonismo no grupo. É um teste de fogo não apenas para os reservas que querem mostrar serviço, mas para um projeto esportivo que tenta evitar um colapso completo antes mesmo do clássico de sábado.
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