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Minas nega licença para mina da Jaguar que previa extrair ouro em 2027

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Minas Gerais negou à Jaguar Mining as licenças que a mineradora esperava obter até dezembro para começar a construir a mina subterrânea de Onças de Pitangui. O projeto previa a primeira produção de ouro no segundo semestre de 2027. Com a decisão, a empresa terá de revisar o estudo ambiental e submeter um novo pedido antes de iniciar as obras.

O indeferimento foi publicado em 30 de outubro pela Unidade Regional de Regularização Ambiental do Alto São Francisco, vinculada à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). Na segunda-feira (2), a Jaguar informou que pretende reapresentar o estudo, mas não deu prazo para o novo protocolo nem atualizou a previsão para a primeira extração de ouro.

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Por que Minas negou a licença de Onças de Pitangui

A justificativa registrada no Diário Oficial de Minas Gerais foi o “não atendimento integral das informações complementares solicitadas”. O processo nº 7569/2025, em nome da Água Nova Pesquisas Minerais Ltda., reunia dois pedidos. Com a licença prévia, a empresa buscava o aval para a localização e a concepção do projeto. Com a licença de instalação, pretendia obter autorização para executar as obras.

O pedido abrangia estruturas em Onça de Pitangui e Pará de Minas. Além da lavra subterrânea, incluía áreas para empilhar rejeito ou estéril, uma estrada para transportar o material e uma estrutura de abastecimento de combustível. Com a negativa das licenças, o requerimento de intervenção ambiental associado ao projeto também perdeu o objeto.

Segundo a Jaguar, um parecer técnico emitido em 29 de outubro recomendou o indeferimento por considerar insuficientes alguns dos dados apresentados. Na interpretação da companhia, os técnicos entenderam que a documentação entregue até aquele momento não demonstrava a viabilidade ambiental da mina. Em comunicado aos investidores, o presidente da mineradora, Luis Albano Tondo, afirmou que a equipe vai corrigir as falhas apontadas no Estudo de Impacto Ambiental e reapresentar o documento.

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Onde a decisão afeta o cronograma de 2027

O calendário divulgado pela Jaguar vinculava o início das obras à aprovação ambiental. A mineradora esperava obter as licenças até o fim de 2026 e, logo em seguida, começar a construir o portal da mina, a entrada que dará acesso às galerias subterrâneas. Era a partir dessa sequência que a companhia projetava extrair as primeiras onças de ouro no segundo semestre do ano seguinte.

A decisão de outubro atinge o primeiro prazo desse calendário. Para estimar o efeito sobre a produção, ainda faltam duas datas que a Jaguar não apresentou no comunicado de novembro. Uma é a entrega do estudo revisado. A outra depende da conclusão de uma nova análise pelo Estado.

Por que a nova mina pesa nos planos da Jaguar

Comprado da IAMGOLD em setembro de 2023, o projeto fica a cerca de 110 quilômetros a noroeste de Belo Horizonte e a 30 quilômetros da unidade de processamento de Turmalina. A distância permite à Jaguar planejar a extração em Onças de Pitangui e o transporte do minério por estrada até a estrutura que já utiliza para processar ouro.

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A Jaguar apresentou Onças de Pitangui aos investidores como sua futura quarta mina subterrânea. A estimativa de 42 mil onças de ouro por ano se refere à operação em plena capacidade, etapa posterior à primeira extração prevista para 2027. Nesse patamar, segundo a companhia, a mina poderia responder por até um terço de sua produção total.

Para dimensionar essa aposta, a Jaguar produziu 35.667 onças de ouro em suas operações nos primeiros nove meses de 2026. O volume que a empresa projeta extrair em um ano de plena operação em Onças de Pitangui supera, portanto, o que todas as suas minas entregaram de janeiro a setembro deste ano.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.