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Grupo chinês negocia CSN Cimentos por R$ 12,7 bi e pode assumir quatro fábricas em Minas

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A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) formalizou um acordo de exclusividade com a companhia chinesa Huaxin Building Materials Group para a venda integral de sua divisão de cimentos. A transação, avaliada em um valor de firma (enterprise value) de R$ 12,7 bilhões, tem impacto direto na estrutura industrial de Minas Gerais, estado que abriga quatro fábricas operacionais da CSN Cimentos e uma rede integrada de extração mineral.

O prazo de exclusividade assinado entre as partes tem duração de dez dias. O período é destinado à finalização das minutas e à assinatura dos documentos definitivos de alienação das ações. A direção da CSN informou ao mercado que a conclusão formal dos papéis deve ocorrer em questão de dias. A oferta da Huaxin superou as demais propostas apresentadas no processo competitivo aberto pela siderúrgica em março.

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A concretização do negócio transfere para o controle de capital chinês o parque fabril mineiro localizado nos municípios de Arcos (Centro-Oeste), Barroso (Campo das Vertentes), Pedro Leopoldo (Região Metropolitana de Belo Horizonte) e Montes Claros (Norte de Minas). Os ativos não operam de forma isolada.

A CSN mantém na planta de Pedro Leopoldo o programa Revalor, uma estrutura dedicada ao preparo de combustíveis alternativos e matérias-primas que abastece continuamente os fornos das outras três unidades no estado.

Além da infraestrutura de moagem e expedição, a transação engloba a base de suprimento mineral da companhia. O repasse inclui as minas de calcário instaladas em Bocaina (Arcos), Capoeira Grande e Mata do Ribeirão (Barroso), Fazenda Campinho (Pedro Leopoldo) e Boa Vista (Montes Claros). O conjunto garante a autossuficiência da produção cimenteira na região.

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A estrutura financeira da transação

O montante de R$ 12,7 bilhões não representa o valor exclusivo das unidades mineiras, mas a avaliação total da CSN Cimentos em território nacional, somando os ativos físicos e o endividamento atrelado à operação. Esse indicador não corresponde ao volume de dinheiro que entrará no caixa da CSN. De acordo com estimativas do banco Citi divulgadas após o fato relevante, a divisão de cimentos carrega uma dívida líquida aproximada de R$ 3 bilhões. Descontado esse passivo, o valor patrimonial líquido da transação ficaria na casa dos R$ 9,7 bilhões. O pagamento efetivo dependerá das cláusulas finais de ajuste de capital de giro.

A liquidação da CSN Cimentos atende a uma urgência contábil da holding controladora. A CSN encerrou o segundo trimestre com uma dívida líquida consolidada próxima a R$ 42 bilhões. A venda da segunda maior produtora de cimento do Brasil (detentora de cerca de 20% de participação de mercado) constitui a principal alavanca do plano de redução de alavancagem financeira desenhado pela companhia para o curto prazo.

O ambiente concorrencial e o Cade

A escolha da Huaxin reduz potenciais atritos na esfera regulatória. Durante o processo competitivo, um consórcio formado pela Votorantim Cimentos e pela italiana Cementir apresentou propostas pelo ativo. Como a Votorantim já ocupa a liderança isolada do setor no Brasil, a absorção da vice-líder CSN Cimentos enfrentaria escrutínio rigoroso e prováveis restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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A Huaxin, por sua vez, é uma empresa centenária no setor de materiais de construção na Ásia, mas não possui capacidade instalada de produção de cimento no Brasil. A aquisição marca a entrada em larga escala do grupo no mercado nacional, eliminando o problema de sobreposição imediata de mercado perante as autoridades de defesa da concorrência.

O acordo de exclusividade não altera a rotina das fábricas. A CSN não anunciou modificações nos quadros de funcionários, nas marcas comerciais ou na capacidade produtiva das unidades instaladas em Minas Gerais. A transferência efetiva do controle operacional e administrativo das fábricas de Arcos, Barroso, Pedro Leopoldo e Montes Claros ocorrerá somente após a assinatura dos contratos definitivos e a aprovação regulatória dos órgãos competentes.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.