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Gestora britânica volta a superar 5% da MRV após reduzir participação em outubro

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A gestora de investimentos britânica M&G recompôs sua fatia societária na MRV e voltou a cruzar a linha de 5% de participação no capital da construtora mineira. O vaivém chamou a atenção do mercado devido ao curto intervalo de tempo: a retomada da posição ocorreu apenas duas semanas após o grupo europeu ter comunicado formalmente a alienação (redução) de seus ativos na companhia.

Em documento publicado pela MRV na quinta-feira (29), a M&G atestou que os fundos e carteiras sob sua administração alcançaram o montante de 32.292.085 ações (MRVE3), o equivalente a 5,74% do capital total. O cruzamento legal da marca de 5% foi registrado no dia 28 de outubro.

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Quinze dias antes (13 de outubro), a gestora havia publicado um aviso de alienação informando o recuo de sua participação para 27.591.122 papéis (4,90%). O hiato entre as duas “fotografias” estatutárias aponta para uma reentrada agressiva, com a aquisição líquida de 4.700.963 ações na janela de outubro.

Os comunicados exigidos por lei não detalham o desembolso financeiro, o preço unitário praticado nas compras nem a tese de investimento que motivou a mudança rápida de rota.

A burocracia do limite de 5%

Os sucessivos envios de comunicados não respondem a uma tentativa de controle administrativo, mas a uma obrigação legal da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Resolução CVM nº 44 estabelece que qualquer transação deve ser publicamente informada sempre que o investidor ou grupo ultrapassa, para cima ou para baixo, os marcos regulatórios de participação (5%, 10%, 15% e sucessivamente).

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Quando a M&G reduziu sua exposição para 4,90%, foi obrigada a notificar o piso. Ao retornar para 5,74%, ativou novamente a trava burocrática de transparência do mercado. A gestora londrina, que administra £375,9 bilhões em ativos pelo mundo, segue operando na MRV estritamente como fundo de investimento.

A recomposição acionária não envolveu acordos de governança, nomeação de conselheiros, nem indica qualquer tentativa de alteração no bloco de controle da companhia sediada no bairro Estoril, em Belo Horizonte.

Mercado secundário não gera aporte

É importante ressaltar que a ofensiva compradora da M&G não injetou recursos no balanço financeiro da construtora. Como as ações (MRVE3) foram adquiridas no mercado secundário (o ambiente comum de negociação da B3), o dinheiro circulou apenas entre a gestora compradora e os acionistas que venderam os papéis. Não houve emissão de novas ações (oferta primária) que gerasse capitalização para o caixa da MRV.

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A mínima de 4,90% ocorreu antes do segundo turno da eleição, enquanto o marco de 5,74% foi atingido após o resultado nacional, sob forte estresse da curva de juros no Brasil — componente para os custos de financiamento de empresas de construção civil de baixa e média renda.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.