O terceiro trimestre de 2026 expôs um redesenho no mapa de extração da Vale em Minas Gerais, com ativos em ritmo acelerado de expansão cobrindo o déficit gerado por paradas programadas nas minas mais tradicionais do estado. O volume de minério de ferro extraído pelo Complexo Mariana saltou 40% em relação ao mesmo período do ano anterior. O pico produtivo permitiu à companhia compensar integralmente os recuos drásticos registrados em Itabira (19%) e no Complexo Minas Centrais (21%).
Os dados operacionais do terceiro trimestre de 2026 (3T26) traduzem o contrapeso em números. O Complexo Mariana extraiu 10,525 milhões de toneladas de minério de ferro entre julho e setembro, um incremento de 3,03 milhões de toneladas sobre as 7,494 milhões reportadas no terceiro trimestre de 2025.
Na ponta oposta, Itabira perdeu 1,36 milhão de toneladas (produziu 5,883 milhões) e o grupo Minas Centrais — ancorado pela gigantesca mina de Brucutu — perdeu outros 1,65 milhão de toneladas (produzindo 6,329 milhões). Somadas, as duas operações deficitárias deixaram de entregar 3,01 milhões de toneladas.
Na prática, o salto de Mariana absorveu sozinho todo o buraco deixado por Itabira e Brucutu (uma diferença líquida residual de apenas 17 mil toneladas). O desempenho cruzado permitiu que o chamado Sistema Sudeste da Vale atravessasse o período de manutenções com volume praticamente estabilizado: 22,737 milhões de toneladas extraídas, contra as 22,721 milhões de um ano atrás.
A alta produtividade do Complexo Mariana (que além da mina local consolida a produção de Alegria, Fazendão e o complexo projeto Capanema) acumula 27,4 milhões de toneladas de janeiro a setembro de 2026, volume 35% superior ao do mesmo ciclo de 2025.
O balanço ressalta que as quedas percentuais nos polos de Itabira e Minas Centrais configuram um freio pontual. O recuo trimestral justifica-se pelo calendário de manutenções programadas preventivas. No acumulado do ano, as retrações são muito mais amenas. Itabira encolheu 4% de janeiro a setembro (17,3 milhões de toneladas acumuladas) e Minas Centrais registrou até uma ligeira alta de 1% no ano (21,5 milhões).
Avanço em Vargem Grande e tombo do Paraopeba
A dinâmica de gangorra entre crescimento estrutural e paradas operacionais repetiu-se na estrutura que a Vale classifica como Sistema Sul. O Complexo Vargem Grande (que engloba VGR e Pico) avançou 18% no trimestre, registrando 11,06 milhões de toneladas em razão da tração da nova planta VGR1. Além de extrair mais minério bruto, Vargem Grande expandiu a produção de pelotas industriais em 25%.
O Complexo Paraopeba operou no extremo negativo. Englobando estruturas de Mutuca e Fábrica, a produção caiu assustadores 53%, recuando de 4,37 milhões para apenas 2,05 milhões de toneladas. O colapso foi causado pela paralisação prolongada das minas de Fábrica e Viga, inoperantes desde janeiro para cumprimento de exigências ambientais e adaptações de segurança, com retorno das escavadeiras aprovado apenas em setembro. A retração de Paraopeba puxou o Sistema Sul como um todo para baixo, consolidando queda anual de 5%.
O quadro produtivo da Vale encerrou o trimestre pressionado na escala global. A companhia produziu 88,3 milhões de toneladas totais de minério de ferro, queda de 6% em relação a 2025, impactada sobretudo por perdas nas minas do Pará (Serra Norte caiu 31%).
Para proteger o fluxo de caixa da queda no volume físico, a mineradora escoou o estoque acumulado nos pátios, garantindo vendas estáveis (86,2 milhões de toneladas enviadas ao mercado). No entanto, a cotação corroeu a receita: o preço médio comercializado sofreu recuo de 10%, fechando em US$ 85,10 a tonelada.


