A Jaguar Mining chega aos últimos três meses de 2026 com uma tarefa definida em suas operações em Minas Gerais: produzir pelo menos 14.333 onças de ouro para alcançar o piso da meta anual. O volume representa uma alta de 10,4% sobre o terceiro trimestre, quando a companhia entregou 12.981 onças, e depende do avanço da mina Turmalina e do desempenho de Pilar.
Entre janeiro e setembro, a mineradora acumulou 35.667 onças produzidas. Apesar da distância até o objetivo, manteve a projeção de encerrar o ano com 50 mil a 60 mil onças, conforme o comunicado de resultados operacionais divulgado em 15 de outubro. A conta para atingir o limite mínimo considera a diferença entre essa projeção e a produção já registrada.
O desafio aparece mesmo após um crescimento de 30% na comparação com o terceiro trimestre de 2025. As duas medidas mostram situações diferentes: a empresa ampliou a produção em relação ao ano passado, mas ainda precisa acelerar em relação ao ritmo mais recente para cumprir o que projetou para 2026.
Turmalina concentra a expectativa de crescimento
A retomada gradual de Turmalina, integrante do complexo MTL, é uma das bases da projeção mantida pela Jaguar. A unidade produziu 4.432 onças entre julho e setembro, ante 3.994 no segundo trimestre, e passou a responder por aproximadamente 34% do total da companhia.
Dentro da operação, o corpo mineralizado de Faina ganhou importância no abastecimento da planta. Sua participação no minério processado passou de cerca de 10% no segundo trimestre para 67% no terceiro, segundo a empresa. A mudança amplia o peso dessa área na evolução de Turmalina e, consequentemente, no resultado consolidado da mineradora.
A expectativa da Jaguar é que Turmalina alcance níveis plenos de produção até o fim do ano. Essa previsão, porém, ainda precisa se traduzir em volume suficiente ao longo do trimestre: chegar ao ritmo esperado em dezembro não significa, por si só, que toda a produção necessária terá sido acumulada desde outubro.
Pilar processou mais minério, mas produziu menos ouro
Enquanto Turmalina aumentou sua contribuição, Pilar registrou uma combinação que ajuda a explicar a pressão sobre a meta. A unidade processou 108.255 toneladas de minério no terceiro trimestre, cerca de 14% acima do mesmo período de 2025, mas a produção de ouro recuou de 10.002 para 8.549 onças.
A diferença está no teor do material que chegou à planta. A concentração média caiu de 3,68 para 2,76 gramas de ouro por tonelada, uma redução de 25%. Na prática, o aumento da quantidade de minério processado não compensou a menor presença de ouro em cada tonelada.
A companhia atribuiu o desempenho à maior participação de minério de desenvolvimento, a mudanças na sequência de lavra e a diferenças entre o teor estimado na mina e o material recebido pela planta. Como resposta, informou ter reforçado o controle de teor e antecipado novas frentes de mineração, com o objetivo de ampliar as opções de extração e melhorar a previsibilidade da operação.
Chegar ao centro da meta exige um salto maior
As 14.333 onças necessárias no quarto trimestre permitiriam apenas alcançar o limite inferior da projeção anual. Para terminar 2026 com 55 mil onças, ponto médio da faixa anunciada, a Jaguar precisaria produzir 19.333 onças entre outubro e dezembro, ou 48,9% mais que no terceiro trimestre.
No teto de 60 mil onças, a exigência subiria para 24.333 onças no período, um avanço de 87,5%. São cálculos feitos a partir da produção acumulada e dos limites divulgados pela empresa, e não novas previsões da mineradora para o trimestre.
Essa distância torna decisiva a combinação entre a expansão de Turmalina e a recuperação do desempenho de Pilar. O crescimento de uma unidade ajuda o resultado consolidado, mas a evolução das duas operações determinará em que ponto da faixa anual a companhia poderá chegar.
Os resultados financeiros completos do terceiro trimestre estão previstos para divulgação até 13 de novembro. O balanço permitirá avaliar como a produção se refletiu em receita, custos e geração de caixa, complementando os números operacionais apresentados em outubro.


