HomeCapital M - Negócios e EconomiaKinross produz menos ouro em Paracatu, mas resultado cresce 16%

Kinross produz menos ouro em Paracatu, mas resultado cresce 16%

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O balanço do terceiro trimestre de 2026 da mina de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, expõe o peso do cenário internacional sobre os resultados da mineração. A canadense Kinross registrou queda na produção e aumento severo nos custos operacionais da unidade mineira entre julho e setembro. Apesar da piora nos indicadores físicos da mina, o resultado operacional da planta saltou 16,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, ancorado exclusivamente na disparada do preço do ouro no mercado global.

A extração em Paracatu rendeu 146.428 onças equivalentes de ouro no terceiro trimestre, um recuo de 2,6% ante as 150.367 onças apuradas no mesmo trimestre de 2025. O volume comercializado acompanhou a retração técnica e caiu 4,8% (de 149.903 para 142.714 onças vendidas).

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Apesar do encolhimento físico, o resultado financeiro caminhou na direção oposta. A receita com vendas de metais de Paracatu subiu de US$ 516,3 milhões para US$ 607 milhões (avanço de 17,6%). O resultado operacional consolidado saltou de US$ 323,4 milhões para US$ 375,7 milhões.

A matemática é explicada na ponta final da cadeia: o preço médio obtido pela Kinross por cada onça de ouro atingiu US$ 4.249 no trimestre, uma valorização de 23% em relação aos US$ 3.460 praticados um ano antes.

O peso da inflação de custos na mineração

O preço aquecido do metal camuflou uma forte deterioração da estrutura de custos da operação em Minas Gerais. O custo total de produção saltou de US$ 139,9 milhões para US$ 171,6 milhões (alta de 23% em doze meses). Como a mineradora gastou mais para extrair menos ouro, o custo unitário disparou. Produzir uma onça equivalente vendida em Paracatu, que custava US$ 933 no terceiro trimestre de 2025, passou a exigir um desembolso de US$ 1.202 — uma inflação interna de 29%.

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A Kinross justificou o encarecimento da produção pelo aumento nas tarifas de energia elétrica, reajustes na folha de mão de obra e elevação das despesas com reagentes químicos e detonações. Esse cenário encarecido reflete o atual sequenciamento geológico da mina (concentrado na chamada Fase 15 da cava). O teor médio de ouro no minério extraído caiu 9%, passando de 0,44 para 0,40 grama por tonelada.

Para compensar o baixo teor, a Kinross precisou aumentar a remoção de material bruto. A empresa minerou 14,5 milhões de toneladas de minério na unidade, um esforço operacional 12% maior do que no ano anterior, para produzir, no fim da esteira, menos ouro acabado.

A margem bilionária no acumulado do ano

Apesar dos custos pressionados, Paracatu segue como peça central e altamente rentável no portfólio da Kinross. Ao lado da mina de Tasiast, na Mauritânia, a unidade mineira integra o bloco de menor custo da multinacional, respondendo por mais da metade de toda a produção global do grupo no período.

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O acumulado dos primeiros nove meses de 2026 expõe a dimensão financeira dessa rentabilidade. De janeiro a setembro, Paracatu registrou um modesto aumento de 3% nas vendas físicas de ouro. A receita com as exportações do metal, no entanto, saltou impressionantes 46%, batendo a marca de US$ 2,080 bilhões (ante US$ 1,421 bilhão em 2025). O resultado operacional nos nove meses chegou a US$ 1,364 bilhão, uma expansão de 65% sobre o ano anterior.

O capital de investimento tem acompanhado esse salto financeiro. A Kinross injetou US$ 164,1 milhões em adições de capital e expansão na planta mineira de janeiro a setembro, 36% a mais do que em 2025. O desafio da operação brasileira para os próximos balanços é de natureza estrutural: garantir que a inflação contínua do custo por onça não engula a margem de lucro caso a cotação internacional do ouro interrompa sua escalada histórica.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.