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Cemig e Copasa despencam após eleição; saneamento perde quase 24% em um dia

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As ações da Cemig e da Copasa encerraram o primeiro pregão após o segundo turno com perdas expressivas na Bolsa. Na segunda-feira (26), os papéis preferenciais da elétrica mineira (CMIG4) caíram 11,40%, para R$ 10,34, enquanto as ações da companhia de saneamento (CSMG3) recuaram 23,74%, para R$ 49,25.

O movimento ocorreu em meio à revisão das expectativas para empresas de energia e saneamento depois das eleições. Embora atuem em serviços essenciais, essas companhias dependem de investimentos elevados e receitas distribuídas ao longo de muitos anos, características que tornam suas avaliações sensíveis às projeções de juros.

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Copasa volta para perto do preço da privatização

A queda levou a Copasa a um patamar próximo dos R$ 49,03 por ação definidos na oferta de privatização, realizada em junho. O fechamento de segunda-feira ficou apenas R$ 0,22 acima desse valor, uma diferença de aproximadamente 0,45%.

A comparação mostra a dimensão do recuo, mas não significa que todos os ganhos dos acionistas desde a operação desapareceram. O resultado de cada investimento depende do preço de entrada e dos proventos recebidos durante o período.

Na desestatização, a Equatorial tornou-se a investidora de referência, com 30% do capital. O Governo de Minas manteve aproximadamente 5% e uma ação especial com direitos específicos de veto, a chamada golden share, deixando de controlar a companhia.

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A mudança de controle reduz a exposição à gestão direta do Executivo estadual, mas não elimina os demais riscos do negócio. A Copasa continua dependendo de regulação, execução de obras, contratos de concessão e condições de financiamento para realizar seus investimentos.

Juros maiores pesam na avaliação das empresas

Segundo a análise do Bradesco BBI repercutida pelo InfoMoney, o banco elevou de 6,5% para 8% a premissa de juros reais de longo prazo utilizada em seus modelos após o resultado eleitoral. A revisão aumentou as taxas de desconto aplicadas às empresas de energia e saneamento, embora as recomendações tenham sido mantidas.

Na prática, essa taxa serve para calcular quanto vale hoje o dinheiro que uma empresa deverá gerar no futuro. Quando ela sobe, o valor atribuído a essas receitas tende a diminuir, mesmo sem uma mudança imediata no volume de água fornecida ou de energia vendida.

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A revisão de uma premissa do banco, porém, não equivale a uma alta da Selic. Também não permite atribuir, isoladamente, toda a desvalorização das duas ações ao comportamento dos juros.

Cemig mantém exposição ao governo estadual

A Cemig enfrenta uma variável adicional porque permanece sob controle do Estado de Minas Gerais. Por isso, as expectativas sobre administração, investimentos e distribuição de resultados também entram na avaliação dos investidores.

Antes das eleições, análises de BTG Pactual e Bradesco BBI já apontavam essa diferença em relação à Copasa. Conforme reportagem do InfoMoney publicada em 2 de outubro, o caráter estatal da elétrica ajudava a explicar o desconto atribuído aos papéis, enquanto a privatização havia reduzido parte do risco político da companhia de saneamento.

Ainda assim, foi a Copasa que sofreu a maior queda no primeiro pregão após a votação. O contraste mostra que a mudança de controle não impediu uma desvalorização expressiva, mas não basta para medir quanto do movimento veio dos juros, das expectativas eleitorais ou de outros fatores de mercado.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.