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Anglo American produz 24% mais em Minas, mas preço médio do minério cai 12%

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O sistema Minas-Rio, principal ativo da Anglo American no Brasil, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com uma forte recuperação de escala: a produção de minério de ferro saltou 24%. No entanto, o balanço operacional divulgado pela mineradora revela um descompasso comercial. Enquanto as esteiras transportaram mais carga em Minas Gerais, a rentabilidade do negócio foi corroída pela queda de 12% no preço médio global do produto no acumulado dos nove primeiros meses do ano.

Entre julho e setembro, o complexo industrial extraiu e beneficiou 6,298 milhões de toneladas de pellet feed, ante as 5,095 milhões contabilizadas no mesmo período de 2025. O incremento direto é de 1,2 milhão de toneladas.

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A planta centraliza sua mina e beneficiamento nos municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas (Região Central). Após o processamento, a polpa de minério percorre um mineroduto de 529 quilômetros até desaguar no terminal de embarque do Porto do Açu, no Rio de Janeiro.

O efeito base da parada de 2025

A expressiva taxa de 24% exige uma leitura técnica cuidadosa. O salto não indica que a mina operou quase um quarto acima de sua capacidade máxima de extração. A Anglo American justifica a distorção percentual pelo “efeito base”: no terceiro trimestre do ano passado, o Minas-Rio sofreu uma parada programada de grande porte para inspeção técnica e manutenção do mineroduto. A inatividade derrubou a produção de 2025, criando um parâmetro de comparação artificialmente baixo.

A fotografia fica realista ao se comparar o resultado atual com o trimestre imediatamente anterior (abril a junho de 2026). No segundo trimestre, a produção foi de 6,548 milhões de toneladas. Ao registrar 6,298 milhões agora, o Minas-Rio apresentou, na prática, uma retração sequencial de 4%.

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Nas exportações, a dinâmica foi idêntica. Os embarques atingiram 6,048 milhões de toneladas, alta anual de 21%. Contudo, perante as 7,298 milhões de toneladas exportadas no segundo trimestre deste ano, o volume de navios carregados no Porto do Açu encolheu 17%. No consolidado de janeiro a setembro, a produção firma um crescimento real e orgânico de 5% (19,2 milhões de toneladas).

A queda do preço FOB e o custo do frete

O descompasso financeiro se traduz no ticket médio. Nos nove primeiros meses de 2026, a Anglo American obteve o preço médio de US$ 77 por tonelada FOB (carga úmida). No mesmo intervalo do ano anterior, a mineradora recebia US$ 88 por tonelada. O recuo de 12% expõe o desafio do setor: o volume físico subiu, mas a receita não acompanhará o crescimento na mesma proporção.

Mesmo desvalorizado, o produto extraído em Minas Gerais mantém a chancela de “minério premium”. O valor de US$ 77 operou 1% acima da cotação internacional Fastmarkets para minérios com 65% de ferro (US$ 76 FOB Brasil). A justificativa técnica é o teor de ferro do pellet feed de Conceição do Mato Dentro, que beira os 67%.

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Siderúrgicas pagam mais caro por essa concentração superior porque ela reduz a necessidade de carvão nos altos-fornos, diminuindo o consumo energético e as emissões de carbono.

O preço médio foi espremido por dois fatores de logística e geopolítica apontados no balanço: o redirecionamento de cargas que estavam alocadas para as zonas de guerra no Oriente Médio e a escalada do frete marítimo internacional. A rota Brasil-China operou na casa dos US$ 38 por tonelada no fim de setembro. Como o indicador é medido na modalidade FOB (livre a bordo no porto de origem), o frete caríssimo forçou a Anglo American a conceder descontos no porto brasileiro para manter a competitividade na chegada à Ásia.

Para o fechamento de 2026, a multinacional mantém a meta inalterada. A diretriz é que o Minas-Rio produza entre 24 e 26 milhões de toneladas no ano, a um custo unitário congelado na faixa de US$ 36. Com 19,2 milhões já computadas, a planta mineira precisa entregar ao menos 4,8 milhões de toneladas no último trimestre para honrar a estimativa piso do mercado.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.