HomeCapital M - Negócios e EconomiaCBMM abre ciclo de R$ 13 bilhões mirando baterias e data centers

CBMM abre ciclo de R$ 13 bilhões mirando baterias e data centers

Publicado em

A CBMM colocou em andamento em Araxá, no Alto Paranaíba mineiro, um ciclo de investimentos de aproximadamente R$ 13 bilhões entre 2026 e 2031. O programa prevê novas linhas industriais, aumento da capacidade produtiva e desenvolvimento de aplicações do nióbio para setores que vão das baterias à infraestrutura de data centers.

O tamanho do plano chama atenção por outro número divulgado pela companhia: R$ 2 bilhões já foram investidos somente em 2026 no complexo industrial mineiro, com implantação de novas linhas e plantas, compra de equipamentos e modernização da estrutura existente. Isso significa que, no primeiro ano do novo ciclo, a CBMM já desembolsou aproximadamente 15% de todo o montante previsto até 2031.

- Publicidade -

Investimento de 2026 quase dobrou em relação a 2025

A comparação com o desempenho financeiro recente ajuda a colocar os R$ 13 bilhões em perspectiva. Em 2025, a CBMM realizou R$ 1,1 bilhão em investimentos de capital (Capex). O montante de R$ 2 bilhões informado para 2026 é, portanto, cerca de 82% superior a todo o Capex realizado no ano anterior.

O programa completo também tem uma escala próxima ao tamanho de um ano inteiro de faturamento da empresa. A receita líquida da CBMM chegou a R$ 14,5 bilhões em 2025, enquanto o lucro líquido somou R$ 6,4 bilhões e o EBITDA alcançou R$ 10,2 bilhões.

Assim, os R$ 13 bilhões previstos para os seis anos equivalem a quase 90% da receita registrada pela companhia em 2025. A comparação serve apenas para dimensionar o plano, já que os recursos serão distribuídos ao longo de vários exercícios.

- Publicidade -

Araxá terá novas linhas e plantas

Segundo a CBMM, os investimentos entre 2026 e 2031 estão concentrados em três grandes frentes: expansão da capacidade produtiva; desenvolvimento de novos materiais e aplicações; e tecnologia, inovação e infraestrutura.

Parte dos recursos já empregados neste ano foi destinada a novas linhas e plantas no complexo de Araxá, além da modernização e compra de equipamentos.

A empresa já dispõe de capacidade instalada para produzir cerca de 150 mil toneladas anuais de produtos de nióbio. Em 2025, ultrapassou pela primeira vez a marca de 100 mil toneladas de ferronióbio equivalente comercializadas, crescimento de 4,7% sobre o ano anterior.

- Publicidade -

Historicamente, a estratégia da CBMM é construir capacidade antes que a demanda global efetivamente alcance esse volume, reduzindo o risco de falta de produto quando novos mercados se desenvolverem.

Baterias e data centers entram na estratégia

iphone e novos cabos tipo c
Novos cabos de iphone – Foto: Banco de imagem

A expansão, entretanto, não se resume ao ferronióbio utilizado na siderurgia. O plano inclui infraestrutura para produzir óxidos de nióbio voltados a aplicações de maior valor agregado, especialmente nas áreas de eletrificação, baterias e data centers.

A companhia já vem tentando reduzir gradualmente a dependência do mercado tradicional do aço. Atualmente, aproximadamente 75% de sua receita está relacionada à siderurgia, enquanto 25% provêm de novos materiais e aplicações, segundo dados divulgados pela própria CBMM.

Entre essas apostas está o uso de óxidos de nióbio em baterias de íons de lítio para aumentar velocidade de recarga, durabilidade e desempenho.

Em Araxá, a empresa já inaugurou uma planta dedicada ao material de ânodo XNO, desenvolvido em parceria com a britânica Echion Technologies. A tecnologia é direcionada principalmente a veículos e equipamentos que necessitam de ciclos frequentes e recarga rápida.

Plano ficou maior desde 2025

Há ainda uma mudança perceptível na escala comunicada pela companhia. Em outubro de 2025, a CBMM trabalhava publicamente com uma previsão de aproximadamente R$ 10 bilhões em investimentos nos cinco anos seguintes, dos quais metade estaria relacionada à expansão industrial, diversificação do portfólio e manutenção.

Agora, o horizonte apresentado pela empresa é de R$ 13 bilhões entre 2026 e 2031. Como os períodos e o escopo temporal não são exatamente os mesmos, os valores não devem ser tratados simplesmente como um aumento de 30%. Ainda assim, a nova projeção confirma a aceleração do ciclo de capital em Araxá.

A CBMM atende hoje mais de 500 clientes em aproximadamente 50 países. Para Minas, o dado mais imediato está dentro dos portões do complexo: depois de investir R$ 1,1 bilhão em 2025, a maior produtora mundial de nióbio elevou o desembolso para R$ 2 bilhões em 2026 e ainda prevê cerca de R$ 11 bilhões no restante do programa até 2031, caso o planejamento seja executado integralmente.

- Publicidade -
Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.