HomeCapital M - Negócios e EconomiaSupermercados BH terão de 'devolver' lojas ao antigo dono em algumas cidades

Supermercados BH terão de ‘devolver’ lojas ao antigo dono em algumas cidades

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A negociação para a aquisição de pontos comerciais das redes Epa e Mineirão Atacarejo pelo Supermercados BH sofreu uma redução de 10% em seu escopo original. O ajuste ocorreu após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) emitir alertas técnicos sobre o risco de alta concentração de mercado em algumas cidades de Minas Gerais.

As empresas Supermercados BH e DMA Distribuidora, proprietária das marcas negociadas, apresentaram ao órgão regulador um aditivo contratual. O novo documento formalizou a retirada de 12 estabelecimentos do pacote que estava sob análise. Como resultado, o volume total da transação diminuiu de 120 para 108 operações.

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Das 12 lojas removidas do acordo, oito ostentam a bandeira Epa Plus e quatro pertencem ao formato Mineirão. Estes pontos comerciais não serão repassados à rede Supermercados BH e seguirão operando normalmente sob o controle da DMA, mantendo suas operações nas localidades originais. Até a presente data, as empresas mantiveram sigilo e não divulgaram o endereço e a identificação exata das lojas que ficaram de fora da aquisição.

Riscos à concorrência em Minas Gerais

A alteração do contrato de compra não foi motivada por razões comerciais internas, mas sim por pressão regulatória. Ao final de agosto de 2026, a Superintendência-Geral do Cade havia enquadrado o processo de aquisição como uma operação de natureza “complexa”, determinando um aprofundamento das investigações sobre o mercado regional.

O mapeamento identificou que, das 120 unidades originais do pacote, 113 geravam sobreposição horizontal. Isso demonstrava que as redes BH e DMA já disputavam diretamente a preferência dos mesmos consumidores naquelas regiões. Com a unificação das marcas, a concorrência naqueles bairros desapareceria.

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O obstáculo técnico definitivo ocorreu ao analisar cerca de 12 endereços específicos. Segundo os documentos emitidos pelo Cade, a união das empresas nesses locais geraria fatias de mercado oscilando entre 50% e 90%. O órgão concluiu não haver evidências de que os concorrentes restantes tivessem peso suficiente para limitar o poder de mercado da nova força resultante.

Para neutralizar a resistência do órgão antitruste, as empresas decidiram cortar justamente essas lojas problemáticas do negócio, buscando assegurar a aprovação sem restrições do bloco remanescente de 108 unidades.

Supermercados BH atualiza valor de compra

A remoção de 10% dos pontos de venda obrigou as partes a repactuar as bases financeiras do negócio. Os documentos processuais enviados a Brasília indicam a correção no preço total da transação. Contudo, a cifra final consolidada permanece preservada nos autos sigilosos e não consta nas versões de acesso público divulgadas pela autarquia governamental.

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Loja do Supermercados BH
Loja do Supermercados BH – Foto: Divulgação

A manobra evidencia que a resolução escolhida foi o redesenho prévio da compra, excluindo de imediato as praças sensíveis, em vez de esperar a imposição de compromissos pós-fechamento do negócio. A rede Supermercados BH já vivenciou um caso semelhante. Em 2020, durante a absorção do Grupo Sales, o Cade impôs a venda compulsória de um supermercado no município de Carandaí, visando garantir a sobrevida da concorrência local.

A apuração sobre essas 108 lojas pertence ao segundo grande pacote negociado entre as redes mineiras, focado especificamente no território de Minas Gerais, com presença original espalhada por 23 cidades.

Um primeiro acordo entre a DMA Distribuidora e a rede BH já superou todos os crivos regulatórios. No mês de maio deste ano, o Cade havia chancelado, sem impor exigências, a compra de um primeiro bloco contendo 45 operações, distribuídas entre 40 lojas (supermercados e atacarejos), três postos de venda de combustíveis e dois centros de distribuição logística.

Esta primeira leva já está sendo integrada fisicamente. Cidades como Governador Valadares, por exemplo, já registram lojas Epa passando por processos de conversão e de troca das fachadas e sistemas para a marca BH.

Análise continua em andamento e pode impactar outras lojas

O aditivo que enxugou o contrato não funciona como uma liberação imediata. A exclusão das lojas de altíssima concentração atenua as preocupações da área técnica do Cade, mas o bloco das 108 unidades mantidas no acordo ainda precisará receber a chancela definitiva do plenário antes de a transação ser concluída.

A envergadura da rede justifica a minúcia das investigações estatais. O Supermercados BH reportou faturamento de R$ 25,7 bilhões no exercício de 2025, sustentando a posição de quarta maior varejista de alimentos do país. Antes da redução do acordo firmada em setembro de 2026, projeções independentes calculavam que a absorção completa das unidades da DMA poderia elevar a receita da companhia para a faixa dos R$ 35 bilhões.

Para a população das regiões atingidas, resta o compasso de espera. Enquanto os órgãos reguladores e as empresas não detalharem publicamente o processo, não será possível precisar quais estabelecimentos Epa ou Mineirão permanecerão inalterados sob a bandeira da DMA ou quais mudarão de identidade corporativa após a finalização do processo de compra.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.