A Cemig alcançou a marca de R$ 7,61 bilhões captados no mercado financeiro em 2026, impulsionada por duas novas emissões de debêntures concluídas em setembro. O montante levantado já é 13,2% superior a todo o orçamento de investimentos da companhia previsto para este ano, fixado em R$ 6,725 bilhões.
Apesar de o volume financeiro ultrapassar a meta anual de obras em cerca de R$ 885 milhões, os recursos não serão aplicados integralmente na execução de novos projetos. A estratégia financeira da empresa envolve direcionar parte do capital para a administração do fluxo de caixa operacional, o alongamento de prazos de dívidas e o reembolso de infraestruturas que já foram executadas.
Novas emissões somam R$ 3 bilhões em setembro
O saldo acumulado no ano ganhou tração com operações recentes. Após registrar R$ 4,61 bilhões no primeiro semestre, a companhia buscou novos recursos por meio de duas de suas subsidiárias.
- Cemig Geração e Transmissão (GT): Concluiu uma emissão de R$ 1 bilhão em debêntures em 4 de setembro. A remuneração é atrelada ao CDI acrescido de 0,62% ao ano, com prazo de vencimento de 2.557 dias (aproximadamente sete anos).
- Cemig Distribuição (D): Liquidou R$ 2 bilhões na mesma data, divididos em duas séries de R$ 1 bilhão. A primeira paga CDI mais 0,73% ao ano, com prazo de dez anos. A segunda possui correção pelo IPCA e juros de 7,35% ao ano, com vencimento em cerca de 12 anos.
O montante captado apenas nesta rodada de setembro equivale a 44,6% de todos os investimentos previstos pela empresa para o calendário de 2026. Todas as emissões recentes receberam nota máxima de crédito (rating AAA) pela agência Fitch.
Distribuição do orçamento de investimentos

O plano de negócios da concessionária mineira estipula aportes de R$ 43,7 bilhões no período entre 2026 e 2030. No recorte deste primeiro ano, a alocação dos R$ 6,725 bilhões prioriza a infraestrutura de atendimento ao consumidor.
- Distribuição de energia: R$ 5,269 bilhões direcionados para redes, subestações e medidores.
- Transmissão: R$ 632 milhões.
- Geração distribuída: R$ 375 milhões.
- Gás natural: R$ 227 milhões.
- Geração tradicional: R$ 197 milhões.
- Outros projetos corporativos: R$ 25 milhões.
Até o fechamento de junho, a execução desse orçamento somou R$ 3,28 bilhões, um avanço de 19,2% sobre o mesmo período de 2025. O número indica que 48,8% da meta anual foi cumprida no primeiro semestre.
Reembolso de projetos já executados
A disparidade entre o capital levantado e a meta de obras explica-se pela recomposição do caixa. Os documentos oficiais das emissões detalham como o mercado financeiro retroalimenta as contas da empresa após a conclusão das obras.
Na Cemig D, a segunda série de debêntures (R$ 1 bilhão atrelado ao IPCA) possui destinação restrita. O valor cobrirá gastos e dívidas de um projeto de expansão da rede de distribuição executado entre fevereiro e maio de 2025, orçado em R$ 1,289 bilhão. Dessa forma, uma única operação no mercado reembolsa 77,6% de um investimento já finalizado.
Impacto na estrutura de capital e endividamento
Sustentar um programa de R$ 44 bilhões até o fim da década demanda alta capacidade de financiamento, o que reflete nos indicadores de endividamento. Ao término de 2025, a dívida líquida consolidada da Cemig era de R$ 16,8 bilhões. Em junho do ano corrente, o indicador avançou para R$ 19,4 bilhões.
Com isso, a alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda recorrente, chegou a 2,58 vezes. Agências de risco projetam que essa métrica continuará apresentando elevações moderadas, comportamento considerado alinhado à fase de expansão física custeada por terceiros. Captações antecipadas, como os R$ 7,61 bilhões, formam a base para garantir a liquidez necessária durante esse ciclo recorde de obras.


