HomeCapital M - Negócios e EconomiaLocaliza e Microsoft revelam o futuro de quem usa IA no trabalho

Localiza e Microsoft revelam o futuro de quem usa IA no trabalho

Publicado em

A transição para uma economia impulsionada pela inteligência artificial reacende um debate constante: as máquinas vão substituir os trabalhadores ou transformar a natureza de suas funções? O Movimento IA, realizado nesta quinta-feira (27) no Localiza Labs, em Belo Horizonte, Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, André Petenussi e Bruno Lasansky, CTO e CEO da Localiza&Co, respectivamente, foram enfáticos ao defender a segunda alternativa.

Acompanhado pelo Moon BH, o encontro evidenciou que, embora a tecnologia assuma processos operacionais em velocidade inédita, a geração de valor continuará atrelada à capacidade humana de interpretar contextos, orientar sistemas e tomar decisões estratégicas.

- Publicidade -

A programação, focada em produtividade e transformação cultural, tratou a IA não apenas como uma ferramenta tecnológica, mas como o vetor de uma mudança estrutural na forma como as organizações gerenciam pessoas. Para Priscyla, a visão do mercado deve se afastar do receio da substituição e focar na colaboração, um conceito sintetizado por ela na expressão “humanos no centro”.

A nova dinâmica corporativa e as “Frontier Firms”

O medo de perder espaço para agentes autônomos foi abordado com pragmatismo. A tese da Microsoft, focada na criação das chamadas Frontier Firms, aponta para um cenário em que sistemas de inteligência artificial executam partes massivas dos processos corporativos, enquanto os profissionais assumem o papel de direção e curadoria. Essa nova dinâmica funciona como um amplificador da capacidade intelectual, liberando o tempo antes consumido por atividades repetitivas para que as equipes foquem em criação e solução de problemas complexos.

Na prática, isso significa que parte do trabalho braçal e administrativo tende a desaparecer, elevando o valor de mercado de profissionais que sabem formular as perguntas certas, validar respostas geradas por algoritmos e aplicar essas informações de maneira tática. Os executivos compararam o atual momento a uma nova revolução industrial, com a distinção de que a atual onda de automação alcança, de forma inédita, as atividades intelectuais.

- Publicidade -

Produtividade e o salto nos resultados da Localiza

Na operação da Localiza, pioneira entre as empresas brasileiras a adotar o Microsoft 365 Copilot ainda em 2023, o futuro do trabalho já é medido em métricas consolidadas. Um estudo interno, ainda de 2024, revelou que a plataforma reduziu, em média, 8,3 horas mensais de trabalho dedicado a tarefas mecânicas, economia que salta para 19 horas mensais entre os chamados heavy users.

Um exemplo contundente dessa eficiência é a consolidação de avaliações de clientes. Um processo analítico que antes exigia o dia inteiro de múltiplos colaboradores passou a ser concluído em poucas horas. Os ganhos se estendem também ao desenvolvimento de software: mais de 450 desenvolvedores da companhia mineira utilizam o GitHub Copilot semanalmente, registrando um aumento médio de 21% na produtividade.

A taxa de aceitação das sugestões de código feitas pela IA subiu de 35% para 42%, com mais de 2,9 milhões de linhas de código trabalhadas com o auxílio da ferramenta até março.

- Publicidade -

Fluência em IA como competência essencial

O investimento em infraestrutura reflete a escala dessa transformação. A Localiza conta hoje com 8 mil licenças de Copilot e já integra a tecnologia na base da sua esteira de talentos. O programa de trainee da empresa, com inscrições abertas nesta semana, exige e fornece treinamento em IA para a construção de casos reais de negócios.

É como se as empresas dissessem ao mercado que a imagem da direita, por mais bonita que seja, não poderá competir com a beleza do trabalho da imagem da esquerda (veja abaixo):

Fusca na sede da Localiza Labs
Fusca na sede da Localiza Labs e um semelhante recriado por IA

O movimento indica uma mudança definitiva no mercado de trabalho: saber utilizar a inteligência artificial deixou de ser um diferencial restrito aos departamentos de TI para se tornar uma competência basilar em qualquer área corporativa. É uma realidade impulsionada também pela própria Microsoft sob a gestão de Priscyla Laham, que assumiu a operação brasileira em janeiro de 2025 com a meta de capilarizar a transformação digital no país.

“As pessoas estão acostumadas a usar tecnologia como uma calculadora, em que o resultado será sempre o mesmo e [com IA] não será assim. Uma mesma pergunta, 20 vezes, te trará uma resposta diferente em cada uma e vamos ter treinar os humanos para ter essa capacidade crítica”, disse André Petenussi, sobre a necessidade de treinar equipes cada vez mais.

Para o profissional que acompanha as movimentações do setor, a principal conclusão do encontro em Belo Horizonte é clara. A velha pergunta sobre perder o emprego para a máquina perdeu validade. A questão central agora é outra: quanto o seu trabalho pode evoluir quando você aprende a dominar a IA? Pelo que indicam os balanços da Microsoft e da Localiza, a vantagem competitiva da próxima década pertencerá a quem souber orquestrar essa parceria.

- Publicidade -
Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.