Um dos grupos responsáveis por um dos aeroportos turísticos mais movimentados da América Latina está avançando sobre o BH Airport. A Zurich Airport assinou acordo para vender sua participação indireta de 12,75% no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, para a Aeropuerto de Cancún, subsidiária do grupo mexicano ASUR. A operação ocorre depois de o terminal mineiro atingir em 2025 o maior movimento de passageiros de sua história: 13,3 milhões de pessoas.
A transação foi anunciada na sexta-feira (21) e ainda depende das aprovações regulatórias e demais condições para fechamento, previsto para os próximos meses. A Bloomberg Línea informou valor equivalente a R$ 109,5 milhões. Para a Zurich Airport, a venda deve produzir ganho líquido extraordinário de aproximadamente 17 milhões de francos suíços no momento da conclusão.
O comprador não é apenas um investidor financeiro mexicano. A Aeropuerto de Cancún é a empresa que controla o terminal da principal região turística do México e pertence integralmente ao Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR). O grupo já administra aeroportos no México, Colômbia e Porto Rico e iniciou uma ofensiva para aumentar fortemente sua presença na América Latina.
E existe um detalhe que torna o negócio de Confins maior do que os 12,75% isoladamente sugerem: a ASUR já havia fechado outro acordo para comprar a plataforma de aeroportos da Motiva, atual principal sócia privada do BH Airport. Se as duas operações forem concluídas, o mesmo grupo mexicano poderá concentrar toda a participação privada de 51% na concessionária, enquanto a Infraero continuará com 49%.
ASUR pode reunir os 51% privados do aeroporto
Para entender a mudança, é preciso olhar a estrutura societária criada na concessão de Confins.
Quando o aeroporto foi concedido em 2013, o bloco privado passou a deter 51% da concessionária, enquanto a Infraero permaneceu com 49%. Dentro do bloco privado, a Motiva — antiga CCR — tornou-se a principal investidora, enquanto a Zurich Airport ficou com uma participação minoritária que corresponde atualmente a 12,75% do capital total do BH Airport.
Em novembro de 2025, a ASUR assinou contrato para comprar da Motiva a totalidade da CPC Aeroportos, holding que reúne suas participações em 20 aeroportos na América Latina, sendo 17 no Brasil. A transação foi avaliada em R$ 5 bilhões em valor das ações e R$ 11,5 bilhões quando considerada também a dívida líquida dos ativos. Confins está incluído nesse portfólio.
Essa primeira aquisição ainda não havia sido concluída no fechamento do segundo trimestre. Em julho, a ASUR informava que trabalhava para concluir o negócio no segundo semestre de 2026, depois das autorizações necessárias. A Anac já aprovou previamente a transferência de controle no Brasil em junho.
Agora, a mesma Aeropuerto de Cancún acertou a compra da fatia da Zurich.
Caso as duas operações avancem como planejado, a mudança será estrutural: em vez de Motiva e Zurich dividirem a parcela privada da concessionária, a ASUR passará a concentrar os 51%, com a Infraero mantendo os outros 49%.
Confins recebe comprador no melhor momento de sua história

O interesse mexicano ocorre depois de uma transformação no volume de passageiros do aeroporto.
O BH Airport movimentou 13,3 milhões de passageiros em 2025, alta de 7,8% sobre 2024 e de 19,2% em comparação com o período anterior à pandemia. Diferentemente da cautela inicialmente considerada para o título desta matéria, o próprio BH Airport confirma que esse foi o maior movimento anual da história do terminal.
Em 2024, o aeroporto já havia registrado recorde, com 12,3 milhões de passageiros. O avanço de aproximadamente 1 milhão de viajantes no ano seguinte elevou novamente o teto histórico.
O crescimento não parou em dezembro. Entre janeiro e julho de 2026, 7.512.520 passageiros passaram por Confins, volume 17,4% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2019. Para agosto, a concessionária projetou mais 1,11 milhão de viajantes.
A escala ainda deixa espaço físico para expansão. O terminal possui capacidade declarada para mais de 32 milhões de passageiros por ano, mais que o dobro do movimento atual. Desde o início da concessão, aproximadamente R$ 1,4 bilhão já foi investido no complexo.
Quem é o grupo por trás do aeroporto de Cancún
A ASUR é uma operadora aeroportuária listada nas bolsas do México e de Nova York. Antes da aquisição dos aeroportos da Motiva, seu portfólio incluía nove aeroportos no México, além de operações na Colômbia e em Porto Rico. O principal ativo mexicano é Cancún, uma das maiores portas de entrada para turistas internacionais no Caribe.
A empresa também vem diversificando seus negócios. Em dezembro de 2025, comprou uma operação comercial presente em grandes aeroportos dos Estados Unidos, incluindo estruturas em Los Angeles, Chicago O’Hare e JFK, em Nova York.


