HomeCapital M - Negócios e EconomiaVale e Vallourec divulgam balanços hoje e colocam Minas no radar

Vale e Vallourec divulgam balanços hoje e colocam Minas no radar

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Nesta quinta-feira, 30 de julho, o mercado financeiro e a economia mineira voltam as atenções para os balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) de duas gigantes: Vale e Vallourec. A mineradora brasileira apresenta seus números após o fechamento do mercado, enquanto o grupo industrial de origem francesa divulga os dados em seu calendário global de investidores.

Para Minas Gerais, a agenda tem peso em dobro. Os relatórios vão muito além dos dividendos esperados pelos acionistas. Eles funcionam como um termômetro exato sobre a cadeia do minério, do aço, dos tubos de energia, dos fornecedores, das exportações e da manutenção dos empregos industriais no estado.

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Vale: operação forte ofuscada pela crise no conselho

A Vale chega ao balanço calçada por uma prévia operacional robusta. A produção de minério de ferro atingiu 84,3 milhões de toneladas no 2T26 (alta de 1% na base anual), com vendas saltando 3% (79,7 milhões de toneladas).

Projetos encravados no coração de Minas Gerais, como Capanema (Ouro Preto) e VGR1 (Nova Lima), garantiram volumes extras significativos, provando que a extração mineira continua vital para a saúde da companhia, dividindo o protagonismo estrutural com Carajás, no Pará.

O balanço financeiro revelará quanto essa montanha de minério efetivamente rendeu. O mercado vai olhar de lupa o preço realizado, o custo por tonelada, o Ebitda e o fluxo de caixa. Em mineração, a diferença entre um trimestre histórico e um trimestre apenas “volumoso” mora na margem de lucro.

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O calcanhar de Aquiles da Vale, no entanto, está nos escritórios. A empresa apresenta seus lucros em meio a um forte ruído de governança. A recente renúncia do conselheiro Marcelo Gasparino — que antecipou sua saída após o próprio colegiado aprovar sua destituição por suspeita de vazamento de informações confidenciais — manteve a instabilidade no centro do noticiário corporativo, somando-se à crise envolvendo a Previ.

Vallourec: tubos, minério e a demanda global por petróleo

A Vallourec não é tão monitorada pelo investidor brasileiro padrão por ser listada em Paris, mas sua presença territorial e econômica em Minas Gerais é profunda. O grupo mantém usinas siderúrgicas no Barreiro (Belo Horizonte) e em Jeceaba, operações florestais e extração de minério na Mina Pau Branco, em Brumadinho, para alimentar sua própria cadeia produtiva.

Os tubos de aço sem costura fabricados no estado atendem mercados altamente exigentes, como o setor de óleo e gás, energia e o mercado automotivo. Quando a demanda global por tubos cresce, Minas lucra.

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O primeiro trimestre de 2026, porém, trouxe dores de cabeça climáticas. Chuvas recordes no estado derrubaram as vendas da divisão Mine & Forest em 15%. A própria Vallourec já havia alertado o mercado que o 2T26 poderia ser o ponto mais baixo do ano financeiramente (com Ebitda esperado entre US$ 175 milhões e US$ 205 milhões). O grupo projeta uma melhora expressiva apenas para o segundo semestre, de olho no aquecimento dos mercados dos Estados Unidos e do Oriente Médio. O balanço desta quinta-feira mostrará se essa transição e recuperação de volume já começaram.

Dois balanços e o mesmo diagnóstico

Vale e Vallourec escancaram as duas faces industriais de Minas Gerais. De um lado, a força bruta de exportação da commodity primária; do outro, a indústria siderúrgica sofisticada e de altíssimo valor agregado.

Em um momento crucial em que o estado precisa blindar sua matriz produtiva contra o aço importado, o “custo Brasil”, os juros altos e o desafio implacável da transição energética, a matemática contábil das duas gigantes revelará se a espinha dorsal de Minas continua forte ou se já sente os limites da dura competição global.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.