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A empresa em Minas Gerais que liga China, energia e carro elétrico no Brasil

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A cidade de Betim vai ganhar uma nova peça na transição brasileira para o carro elétrico. A Nansen, empresa fundada em Minas Gerais e hoje controlada pela chinesa Sanxing Electric, vai montar na cidade uma linha de carregadores rápidos para veículos elétricos. A operação ficará dentro da nova fábrica de transformadores inaugurada no bairro Jardim das Alterosas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A linha deve começar a funcionar em novembro de 2026, com capacidade inicial para 150 carregadores DC por mês. DC é a sigla para corrente contínua, usada em recargas rápidas, especialmente em eletropostos, frotas comerciais, ônibus elétricos e corredores rodoviários. A estrutura já estava prevista dentro da planta, o que dispensa novo investimento em infraestrutura para iniciar a montagem.

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O movimento é pequeno quando comparado à escala de uma montadora, mas importante pelo que revela. Minas não está entrando na eletrificação apenas pelo carro. Está entrando também pela infraestrutura que o carro elétrico exige: transformadores, medidores inteligentes, carregadores, softwares de gestão, energia solar, baterias e rede elétrica mais preparada.

A nova linha nasce em uma fábrica que já recebeu R$ 265 milhões em investimento. A unidade tem 165 mil metros quadrados, capacidade para cerca de 145 mil transformadores por ano e passa a ser a principal base da Nansen no Brasil, ao lado da operação em Manaus. A expectativa é gerar mais de mil empregos diretos e indiretos até 2027.

Betim vira ponto de montagem da nova infraestrutura elétrica

A escolha de Betim não é casual. A cidade já tem tradição industrial, mão de obra qualificada, fornecedores, logística e ligação direta com a cadeia automotiva por causa da Fiat/Stellantis. Agora, começa a aparecer também como endereço para equipamentos que sustentam a mobilidade elétrica.

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O desenho da Nansen mostra essa integração. As placas eletrônicas dos carregadores serão fabricadas em Manaus, polo tradicional de eletroeletrônicos. Em Betim, a empresa fará a montagem final, testes de qualidade, aprovação e envio ao cliente. O objetivo é reduzir o custo da chamada última milha industrial, deixando a etapa final mais próxima dos mercados consumidores e das rotas de instalação.

É uma estratégia pragmática. Carregadores rápidos são equipamentos grandes, pesados e sensíveis. Produzir ou montar a parte final mais perto de clientes, concessionárias de energia, eletropostos, empresas de ônibus, locadoras e operadores de frota pode reduzir tempo, custo logístico e complexidade de entrega.

A Nansen já atua no mercado de eletromobilidade. A empresa oferece carregadores AC e DC e sistemas de gestão como o Go Nansen, voltado ao monitoramento das estações de recarga, controle de consumo, relatórios e operação remota. A própria companhia apresenta os carregadores DC como solução para situações em que a velocidade de recarga é decisiva, como rodovias, frotas comerciais, transporte público e estações de alta demanda.

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Essa parte costuma passar despercebida no debate sobre carro elétrico. O consumidor olha para autonomia, preço do veículo e marca. Mas o sistema só funciona se houver rede. Um carro elétrico parado por falta de carregador é apenas uma promessa cara. Por isso, a corrida da eletrificação não envolve só BYD, GWM, Fiat, Toyota ou Volvo. Envolve também empresas de energia, fabricantes de equipamentos, concessionárias, instaladores, softwares e operadores de eletropostos.

Uma mineira com controle chinês

Nansen
Nansen – Foto: Divulgação Nansen

A Nansen tem uma história longa em Minas. A empresa começou em Belo Horizonte na década de 1930, com hidrômetros, e depois migrou para Contagem, onde se consolidou como fornecedora de medidores de energia elétrica. Hoje, a marca se apresenta como uma das principais fabricantes de medidores da América Latina e atua também em redes inteligentes, energia solar, baterias, transformadores e eletromobilidade.

A virada chinesa veio nos últimos anos. A Sanxing Electric, uma das grandes fabricantes de medidores da China, assumiu 100% da Nansen. A companhia integra o grupo AUX e passou a usar a operação brasileira como plataforma para ampliar presença em energia, tecnologia e América Latina.

Essa combinação explica por que a nova fábrica em Betim interessa além do noticiário local. O projeto une uma marca industrial mineira, capital chinês, demanda brasileira por energia e a expansão do carro elétrico. É o tipo de movimento que mostra como a China não está presente no Brasil apenas vendendo veículos prontos. Ela também avança em componentes, infraestrutura, medição, carregamento e equipamentos elétricos.

O mesmo fenômeno aparece no mercado automotivo. As vendas de veículos eletrificados cresceram de forma acelerada no Brasil em 2026. No primeiro semestre, foram 215.023 veículos leves eletrificados emplacados, o equivalente a 16% do mercado. Junho bateu recorde, com 47.579 unidades e participação superior a 18%, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico.

Esse crescimento cria pressão sobre a infraestrutura. Mais híbridos plug-in e elétricos 100% nas ruas significam maior demanda por carregadores em condomínios, shoppings, supermercados, rodovias, garagens corporativas, empresas de logística, ônibus urbanos e frotas de locadoras. É nesse espaço que a linha da Nansen tenta se posicionar.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.