Guilherme Abrantes foi eleito, nesta segunda-feira, 20 de julho, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a Fiemg. Candidato em chapa única, ele comandará a principal entidade da indústria mineira no mandato de 2027 a 2030, a partir de 1º de janeiro de 2027.
A posse marcará a sucessão de Flávio Roscoe e abrirá uma nova etapa em uma instituição que tem peso direto sobre indústria, educação profissional, inovação e articulação econômica no estado. Depois do governador, este é considerado o cargo mais importante de Minas Gerais.
A eleição confirma um nome que já vinha sendo preparado dentro da própria federação. Abrantes era diretor financeiro da Fiemg, preside o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais, o Silemg, e construiu trajetória empresarial no setor de alimentos, à frente do Laticínios Dona Formosa. A primeira agenda pública do presidente eleito será uma coletiva nesta terça-feira, 21 de julho, na sede da Fiemg, em Belo Horizonte, quando ele deve apresentar prioridades para a futura gestão.
A chegada de Abrantes ao comando da Fiemg tem um simbolismo importante. Minas é frequentemente lembrada por mineração, aço, energia e construção, mas a escolha de um empresário dos laticínios reforça outra face da economia mineira: a indústria que nasce no campo, agrega valor, cria marca, processa alimentos e conecta pequenos produtores, fábricas, logística, varejo e exportação.
A origem no chão de fábrica de Guilherme Abrantes
Guilherme Silva Costa Abrantes não caiu de paraquedas na liderança sindical. Ele ergueu o Laticínios Dona Formosa em 1999, na cidade de Águas Formosas. O administrador sabe exatamente o custo de manter uma linha de produção ligada ininterruptamente para evitar a perda de alimentos perecíveis.
Sua vivência mistura o controle de planilhas financeiras com as dificuldades logísticas reais do interior mineiro. Ele negocia diariamente com pequenos produtores, briga por centímetros nas prateleiras dos supermercados e enfrenta a pesada carga tributária imposta sobre o setor alimentício.
O mercado chancelou esse esforço prático. No ano passado, a própria diretoria da Fiemg entregou a ele o título de Industrial do Ano. A homenagem premiou sua atuação técnica no Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Silemg) e a modernização contínua de suas fábricas.
O peso da sucessão e o cofre cheio
A transição de poder ocorre sob um clima de continuidade milimetricamente amarrada. Flávio Roscoe, antigo presidente, preparou o terreno e cravou o nome de Abrantes como seu sucessor natural. O antigo líder precisou deixar o cargo em abril para ingressar na política partidária.
A nova gestão não encontrará cofres vazios. Segundo o jornal O Tempo, a entidade possui R$ 3,5 bilhões disponíveis para alavancar novos projetos. Esse caixa robusto garante um poder de fogo incomparável para ditar os rumos do desenvolvimento regional nos próximos anos.
A federação administra uma máquina complexa de serviços:
- Rede gigantesca de unidades do Sesi voltadas para educação básica, esporte e saúde do trabalhador.
- Escolas do Senai que formam programadores, mecânicos e especialistas em automação de ponta.
- Centros de inovação tecnológica focados em inteligência artificial e atração de investimentos.
- Suporte jurídico, logístico e de comércio exterior para dezenas de sindicatos patronais.
Os desafios do novo presidente da Fiemg
A indústria mineira perde produtividade pela falta de técnicos e engenheiros experientes. Mineradoras, fábricas de carros híbridos e complexos de data centers disputam os mesmos profissionais qualificados.
Abrantes prometeu blindar os aportes financeiros nas escolas de formação profissional. Colocar jovens capacitados para operar equipamentos de última geração reduz o desemprego estrutural. Sem capital humano atualizado, as empresas perdem dinheiro e perdem contratos internacionais.
O novo presidente precisará alinhar interesses completamente divergentes. Ele dialogará com multinacionais de extração de lítio e pequenas queijarias familiares na mesma mesa. A missão exige unificar as demandas do empresariado junto ao Congresso Nacional, prefeitos e o governo do estado.
A nova vocação de Minas Gerais
O estado atravessa um choque violento de transição econômica. Juros altos, tarifas americanas e o aço barato da China esmagam as margens de lucro dos polos industriais tradicionais. Em contrapartida, as empresas regionais surfam na expansão da energia solar e na biotecnologia.
A escolha de um nome ligado à produção rural envia um recado direto ao mercado financeiro. A cadeia do leite comprova a urgência de agregar valor às matérias-primas locais. Minas produz riqueza bruta no campo, mas precisa vender tecnologia embarcada e marcas fortes nas grandes capitais do país.
A cerimônia de posse oficial ocorrerá apenas em 1º de janeiro de 2027. Até lá, Guilherme Abrantes desenha as alianças estratégicas necessárias para proteger a produção tradicional e garantir o lucro das fábricas espalhadas por todas as regiões do estado.


