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Gerdau chega ao balanço pressionada por frete; projeto de R$ 3,6 bi em MG vira chave

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A Gerdau apresentará os resultados de seu terceiro trimestre de 2026 na próxima quinta-feira, 26 de outubro, e o mercado financeiro aguarda a prestação de contas com uma lupa voltada especificamente para o Brasil. No trimestre passado, a diretoria da companhia firmou um compromisso informal com seus investidores: prometeu uma leve expansão na apertada margem de lucro da operação nacional, mesmo reconhecendo que a trinca de custos formada por carvão metalúrgico, logística e frete continuaria pesada. Chegou o momento de confrontar a promessa com os números.

As projeções preliminares indicam que a siderúrgica entregará um balanço consolidado robusto, mas sustentado por “duas realidades” operacionais. O Itaú BBA projeta um Ebitda consolidado de R$ 3,65 bilhões (alta de cerca de 6% sobre o trimestre anterior). No entanto, o motor desse crescimento continua sendo os Estados Unidos. Enquanto a margem de rentabilidade na América do Norte deve saltar para 27,8%, a operação no Brasil deve permanecer estagnada na casa dos 10,5%.

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Para entender por que a siderurgia nacional da Gerdau não consegue decolar na mesma velocidade da sua filial americana, é preciso olhar para a tempestade perfeita que se formou nos custos de transporte e na balança comercial nos últimos meses.

A armadilha do frete e o peso para o 4º trimestre

No segundo trimestre, a companhia já havia reportado uma alta de 5% no custo dos produtos vendidos no Brasil, citando a “logística e frete”. Para o 3T26, a pressão do carvão e da logística continuou, mas um evento no apagar das luzes de setembro ligou o alerta máximo para o futuro da companhia.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aplicou um novo reajuste no piso mínimo do frete rodoviário, motivado pela alta do diesel S10 (que saltou de R$ 6,97 em julho para R$ 7,33 em setembro). Como os novos coeficientes da tabela de frete só entraram em vigor no dia 30 de setembro, eles praticamente não afetarão o balanço a ser divulgado nesta semana. Contudo, essa alta contratada recairá com força total sobre o balanço do quarto trimestre, tornando o tema a pergunta obrigatória para a teleconferência com os executivos no dia 27.

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A invasão chinesa e a barreira de preços

Aço e siderurgia
Aço e siderurgia – por miraclemoments – Envato

A teoria econômica dita que, se o custo de produção sobe, a indústria deve repassar o aumento para o preço final do produto. A Gerdau, no entanto, encontra-se bloqueada de fazer esse repasse comercial devido a uma ameaça externa que voltou a assombrar o setor siderúrgico em setembro.

No início do ano, a indústria comemorou a queda da penetração do aço importado no Brasil para 18%. Mas o alívio foi temporário. Dados recentes do Instituto Aço Brasil mostram que, enquanto as vendas internas recuaram 0,7% em setembro, as importações dispararam impressionantes 51,7%, inundando o mercado nacional com cerca de 600 mil toneladas em um único mês.

A China, enfrentando uma crise imobiliária severa, está exportando seu excedente a preços de dumping. Apenas em setembro, os chineses exportaram 10,49 milhões de toneladas (o maior volume mensal de 2026), e projeções do BTG Pactual indicam que o gigante asiático superará a marca de 100 milhões de toneladas exportadas no ano. Com aço estrangeiro barato sobrando nas prateleiras brasileiras, a Gerdau perde a margem de manobra para subir seus próprios preços e defender a lucratividade.

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A “bala de prata” está em Ouro Preto

Diante de uma margem espremida em 10,5%, frete mais caro e importações em alta, a resposta da Gerdau para estancar a sangria logística brasileira encontra-se nas montanhas de Minas Gerais. O grande diferencial a ser dissecado neste balanço é o projeto de mineração de Miguel Burnier, no distrito de Ouro Preto.

A Gerdau investiu cerca de R$ 3,6 bilhões para modernizar e expandir a plataforma, elevando a capacidade de extração de 1,5 milhão para 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano. Quando operar em capacidade máxima, a estrutura promete injetar cerca de R$ 1,1 bilhão de Ebitda anual nos cofres da companhia, além de viabilizar a venda do minério excedente no mercado aberto.

Mais do que apenas vender minério, Miguel Burnier é a solução logística definitiva para a siderurgia da empresa. A mina é geograficamente estratégica e atende diretamente a usina de Ouro Branco (a principal planta siderúrgica da Gerdau no estado). O minério viaja até os altos-fornos majoritariamente por meio de um mineroduto, ignorando completamente as oscilações da tabela da ANTT, o preço do diesel e o caos nas rodovias.

O projeto, contudo, enfrentou atrasos no chamado ramp-up (ganho de escala inicial), o que frustrou a captura de quase R$ 400 milhões de Ebitda esperados ainda no primeiro semestre de 2026. A diretoria prometeu que o início da operação plena começaria no 3T26. Por isso, os olhos do mercado em 26 de outubro estarão voltados para Ouro Preto: se Miguel Burnier realmente ligou as máquinas neste trimestre, a Gerdau finalmente tem nas mãos o antídoto logístico para curar a margem adoecida de sua operação brasileira.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.