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BH serve 400 mil refeições por dia nas escolas; veja como os cardápios são definidos

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Antes que o almoço, o lanche ou o café da manhã chegue à mesa de um estudante da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, existe uma operação que considera idade, tempo de permanência na escola e até condições específicas de saúde. São cerca de 400 mil refeições servidas diariamente nas unidades próprias e parceiras da capital, volume que chega a aproximadamente 80 milhões de refeições durante o ano letivo.

Os números ajudam a dimensionar uma parte da rotina escolar que normalmente ocorre longe das salas de aula. A alimentação atende estudantes da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos e envolve planejamento de cardápios, compra e distribuição dos produtos, preparo nas unidades e acompanhamento técnico.

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Esse processo é supervisionado por nutricionistas que integram a política de segurança alimentar da Prefeitura de Belo Horizonte. No total, 111 profissionais atuam em diferentes programas municipais relacionados à alimentação, incluindo escolas, restaurantes populares, Banco de Alimentos e outras estruturas de assistência.

O que define a comida servida nas escolas de BH?

A elaboração dos cardápios não é igual para todos os estudantes. De acordo com dados divulgados pela Prefeitura de BH, os nutricionistas consideram principalmente a faixa etária e o período que cada aluno permanece dentro da unidade.

Isso faz diferença porque uma criança que passa o dia inteiro na escola precisa receber uma quantidade de refeições diferente daquela que frequenta apenas um turno. Em tempo integral, os estudantes podem fazer até cinco refeições durante o dia, entre café da manhã, lanches, almoço e jantar. Já aqueles que permanecem apenas parte do dia recebem até duas.

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A seleção dos alimentos também considera variedade, equilíbrio nutricional e aceitação das refeições pelos estudantes. A intenção é combinar as necessidades de cada faixa etária com alimentos que façam parte da rotina alimentar das crianças e adolescentes.

A dimensão atual é significativamente maior do que aquela observada há alguns anos. Em uma análise publicada pelo Moon em 2023 sobre a merenda escolar de BH, o debate estava concentrado principalmente no orçamento destinado à alimentação e no impacto da inflação sobre a capacidade de compra dos alimentos.

E quando o aluno tem alergia ou restrição alimentar?

Os cardápios também podem ser individualmente adaptados quando existe uma necessidade alimentar diagnosticada.

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A lista inclui estudantes com doença celíaca, diabetes, hipertensão, anemia, alergias e intolerâncias alimentares. A Prefeitura também cita casos de seletividade alimentar e outros comportamentos alimentares considerados atípicos.

Na prática, isso significa que a refeição oferecida a um estudante pode não ser exatamente a mesma servida aos demais colegas quando existe indicação para uma alimentação específica.

Esse cuidado ganha peso diante do tamanho da rede. A educação pública de Belo Horizonte atende milhares de crianças e adolescentes em diferentes regiões da cidade e voltou recentemente ao grupo das dez redes municipais mais bem avaliadas entre as capitais brasileiras no Ideb.

A alimentação, portanto, funciona como uma estrutura paralela ao trabalho pedagógico. Para que as aulas aconteçam diariamente, há também uma cadeia de abastecimento responsável por colocar centenas de milhares de refeições nas escolas.

Operação chega a cerca de 80 milhões de refeições por ano

Uma publicação oficial da Prefeitura em junho detalhou a dimensão desse abastecimento. Cerca de 600 unidades escolares recebem a alimentação e, somente em 2025, foram distribuídas mais de 6,5 mil toneladas de hortifrutigranjeiros, aproximadamente 1,6 mil toneladas de carnes e mais de 2,5 mil toneladas de itens não perecíveis, como arroz, feijão e macarrão.

Com aproximadamente 400 mil pratos por dia letivo, a rede alcança cerca de 80 milhões de refeições ao ano.

O número também mostra por que a definição do cardápio representa apenas uma parte do trabalho. Depois da escolha dos alimentos, é preciso garantir compra, armazenamento, distribuição e preparo em centenas de locais diferentes sem perder os padrões estabelecidos pela equipe técnica.

Nutricionistas também acompanham restaurantes populares

O trabalho dos 111 nutricionistas municipais vai além das escolas. Nos restaurantes populares, cerca de 10 mil refeições são oferecidas diariamente entre café da manhã, almoço e jantar. O volume passa de 2,4 milhões por ano.

Há profissionais ainda no Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional, localizado na Lagoinha, e no Banco de Alimentos, onde o trabalho envolve desde a triagem das doações até orientações sobre conservação, validade e manipulação.

Mesmo assim, é nas escolas que os números alcançam outra escala. Todos os dias letivos, enquanto milhares de estudantes entram nas salas da capital, uma segunda operação começa nas cozinhas. São centenas de milhares de refeições que precisam chegar ao prato levando em conta não apenas quantidade, mas a idade, a rotina e as necessidades alimentares de quem vai recebê-las.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.