A educação pública de Belo Horizonte voltou a figurar entre as dez mais bem avaliadas das capitais brasileiras após quase uma década. Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb 2025, colocaram a rede municipal na oitava posição nos anos iniciais e no sétimo lugar nos anos finais do ensino fundamental.
O avanço foi divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep. A rede municipal de BH alcançou nota 6,2 nos anos iniciais, que compreendem do 1º ao 5º ano, e 5,2 nos anos finais, do 6º ao 9º ano.
O top 10 citado pela Prefeitura considera exclusivamente a comparação entre as 26 capitais estaduais e Brasília. Portanto, a colocação não representa um ranking de todos os municípios brasileiros, mas posiciona Belo Horizonte entre as capitais com os melhores indicadores no ensino fundamental.
Nota de BH cresceu nas duas etapas avaliadas
A maior evolução proporcional aconteceu nos anos finais. A nota da rede municipal passou de 4,7 no Ideb 2023 para 5,2 em 2025, crescimento de meio ponto em apenas uma edição.
Com o resultado, Belo Horizonte saltou da 13ª para a sétima posição entre as capitais. A nota também ficou acima da média nacional das redes públicas, que foi de 5 pontos nos anos finais do ensino fundamental.
Nos anos iniciais, a nota avançou de 5,8 para 6,2. A capital mineira deixou a décima posição e passou a ocupar o oitavo lugar no ranking das capitais.
O indicador de 6,2 é o melhor registrado pela rede municipal de Belo Horizonte desde 2017. Naquele ano, as escolas municipais haviam alcançado 6,3. Depois disso, a pontuação caiu para 6 em 2019 e 5,8 nas duas avaliações seguintes, realizadas em 2021 e 2023.
A nota atual de BH também superou a média de 6,1 registrada pelas escolas públicas brasileiras nos anos iniciais. Quando são consideradas conjuntamente as redes pública e privada do país, a média nacional ficou em 6,3.
O que é avaliado pelo Ideb?
O Ideb é o principal indicador utilizado pelo governo federal para acompanhar a qualidade da educação básica brasileira. A nota varia de zero a dez e combina dois componentes: o desempenho dos estudantes e o fluxo escolar.
A aprendizagem é medida por meio do Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb, que aplica provas de língua portuguesa e matemática. Já o fluxo leva em consideração informações como aprovação, reprovação e permanência dos alunos nas escolas, coletadas pelo Censo Escolar.
Essa combinação evita que uma escola tenha uma nota elevada apenas por aprovar muitos estudantes sem aprendizagem adequada. Também impede que uma rede obtenha um bom resultado exclusivamente nas provas enquanto mantém índices elevados de reprovação ou abandono.
O Ideb é divulgado a cada dois anos. Os dados apresentados em 2026 correspondem ao desempenho educacional registrado em 2025.
Simulados ajudaram na preparação dos estudantes

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, um dos fatores que contribuíram para o resultado foi a realização de simulados nas escolas municipais.
As unidades participaram da aplicação, correção e análise das atividades. A estratégia buscou familiarizar os estudantes, principalmente os alunos do 5º ano, com provas de múltipla escolha, preenchimento de gabaritos e avaliações conduzidas por aplicadores externos.
“A melhoria registrada no Ideb é resultado de um trabalho coletivo e muito consistente desenvolvido pela Rede Municipal de Educação”, afirmou a secretária municipal de Educação, Natália Araújo.
Para as próximas avaliações, a prefeitura pretende ampliar o período de acompanhamento. As ações já começaram a ser desenvolvidas com estudantes do 4º e do 8º ano, que participarão do próximo ciclo do Saeb quando estiverem no 5º e no 9º ano.
Dessa maneira, os grupos terão dois anos consecutivos de preparação, monitoramento da aprendizagem e intervenções pedagógicas antes da avaliação nacional.
Prefeitura mira entrada de BH no top 5
O prefeito Álvaro Damião comemorou o retorno de Belo Horizonte às dez melhores posições e estabeleceu como próxima meta a entrada no grupo das cinco capitais com os maiores resultados.
“Depois de muito tempo, Belo Horizonte volta a subir no Ideb e entramos no top 10”, declarou o prefeito ao agradecer professores, diretores, alunos e demais profissionais da rede municipal.
O resultado representa uma recuperação importante, principalmente nos anos finais, etapa em que a nota havia recuado de 5,2 em 2021 para 4,7 em 2023.
Agora, o desafio será manter a trajetória de crescimento. Além da posição no ranking, a evolução das próximas edições dependerá da capacidade de transformar a preparação para as avaliações em aprendizagem contínua, redução das desigualdades entre escolas e melhoria permanente do fluxo escolar.


