A rede municipal de Belo Horizonte começou a testar um modelo de ensino bilíngue que pode chegar a diferentes regiões da cidade a partir de 2027. Nesta primeira etapa, 115 estudantes de duas escolas públicas terão 15 horas semanais de atividades em inglês no contraturno, incluindo conteúdos de matemática, ciências e educação física.
O projeto-piloto começou na Escola Municipal Ulysses Guimarães, no bairro São Pedro. Segundo a Prefeitura, na segunda-feira, 31 de agosto, será implantado também no Centro de Educação Integrada Imaculada, em Lourdes.
A principal diferença em relação às aulas tradicionais de língua estrangeira é que o inglês não será trabalhado apenas como uma disciplina.
Durante as atividades, o idioma será utilizado como ferramenta para ensinar outros conteúdos previstos na Base Nacional Comum Curricular.
Alunos terão 15 horas por semana em inglês
Nesta primeira fase, o projeto terá formatos diferentes nas duas unidades.
Na Escola Municipal Ulysses Guimarães, serão contempladas três turmas do 1º ano do ensino fundamental, duas pela manhã e uma à tarde.
Já no CEI Imaculada, a experiência começa ainda mais cedo. Duas turmas da educação infantil, formadas por crianças de 5 anos, participarão da iniciativa.
As atividades acontecerão no contraturno e farão parte do Programa Escola Integrada.
Isso significa que os alunos continuarão cumprindo normalmente a grade escolar em português e, no período complementar, terão 15 horas semanais de atividades em inglês.
A proposta inclui matemática, ciências, educação física e outras áreas.
Inglês deixa de ser apenas uma disciplina
Na prática, o novo modelo tenta aproximar parte da educação pública de uma metodologia encontrada tradicionalmente em escolas bilíngues.
Em vez de aprender somente vocabulário, gramática ou expressões durante uma aula específica, a criança passa a utilizar o idioma como ferramenta para compreender outros conteúdos.
É possível, por exemplo, trabalhar operações matemáticas, partes do corpo humano ou atividades esportivas usando o inglês durante a experiência.
A metodologia será adaptada à idade dos estudantes e às habilidades previstas para cada ano escolar.
Os professores serão profissionais da própria Rede Municipal de Educação, selecionados considerando perfil e proficiência no idioma. Eles também receberão formação continuada e apoio técnico especializado.
Projeto deve chegar às regionais de BH
O número inicial de estudantes ainda é pequeno diante do tamanho da rede, mas a experiência foi estruturada como um teste para uma expansão maior.
A previsão é que, a partir de 2027, uma escola de cada regional de Belo Horizonte passe a oferecer o modelo.
A Prefeitura ainda não divulgou quais unidades serão escolhidas.
Outro ponto importante é que o ensino bilíngue não deve terminar depois do primeiro ano de participação. A proposta prevê uma progressão gradual, acompanhando os estudantes até o 9º ano do ensino fundamental.
Educação de BH testa novos modelos
A iniciativa acontece em um momento no qual a educação pública de BH voltou a aparecer entre as dez redes mais bem avaliadas das capitais brasileiras nos resultados recentes do Ideb.
Agora, o ensino bilíngue adiciona outra frente ao planejamento municipal: aproximar um recurso ainda fortemente associado ao ensino particular da rotina de crianças da escola pública.
Por enquanto, apenas 115 estudantes participarão.
Se o projeto-piloto apresentar resultados positivos, porém, alunos de diferentes regiões de Belo Horizonte poderão começar a ter parte da rotina escolar em inglês já em 2027.


