O professor Guilherme Guerra Ribeiro tomou posse oficialmente como reitor do Centro Universitário de Belo Horizonte, o UniBH, nesta terça-feira (16), em cerimônia no campus Buritis. A chegada ao comando da instituição ocorre em um momento em que o ensino superior privado tenta responder a uma pergunta central: como manter relevância em uma geração que já aprende, trabalha e se informa em ambientes cada vez mais mediados por tecnologia.
A posse integra a programação do Circuito UniBH 2026/1, que inclui o Simpósio ESG & Extensão Acadêmica, realizado entre os dias 15 e 18 de junho. A agenda ajuda a revelar o tom da nova gestão: aproximar formação profissional, responsabilidade social, inovação e relação direta com a comunidade.
Mais do que uma solenidade interna, a mudança na reitoria aponta para uma disputa maior em Belo Horizonte. Em uma cidade com forte presença universitária, o desafio das instituições privadas deixou de ser apenas oferecer curso e diploma. A exigência agora é provar valor na experiência presencial, na formação humana, na empregabilidade e na capacidade de preparar alunos para um mercado reorganizado pela inteligência artificial.
Da comunicação à gestão acadêmica
Guilherme Guerra tem trajetória ligada à comunicação, ao marketing e à gestão educacional. Formado em Publicidade e Propaganda, iniciou a carreira no mercado corporativo, atuando por mais de uma década em empresas de médio e grande porte. Em 2011, fundou o Minas Marca, grupo de veículos voltado à comunicação e ao marketing em Minas Gerais. Três anos depois, ingressou no grupo Ânima Educação como professor da Una, movimento que marcou sua transição mais direta para o ensino superior.
Desde então, passou por funções de direção em diferentes instituições do ecossistema educacional, entre elas Una, Centro Universitário IBMR, Faseh, Faculdade Milton Campos, Ages, UnP, FPB e UniFG-PE. A experiência acumulada em unidades de perfis diferentes deve pesar na condução do UniBH, uma marca tradicional da capital mineira.
O centro universitário iniciou sua história em 1964, ainda como Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belo Horizonte, a Fafi-BH. Décadas depois, consolidou presença no ensino superior da cidade e hoje tem o campus Buritis como principal endereço institucional.
A aposta em formação humana
No discurso que orienta a nova gestão, Guerra defende uma educação voltada não apenas para competências técnicas, mas também para amadurecimento pessoal, senso crítico e responsabilidade diante dos impactos sociais e ambientais das decisões profissionais.
“Sou um educador na essência”, afirma o novo reitor. A frase resume a imagem que ele tenta projetar: a de um gestor acadêmico com perfil próximo, informal e voltado à escuta, mas inserido em uma instituição que precisa operar com escala, metas e governança.
Segundo ele, o aluno não deve aprender apenas as técnicas da profissão. A formação também precisa ajudar o estudante a construir visão de mundo e uma trajetória capaz de deixar legado. Esse ponto conversa com uma pressão crescente sobre as instituições de ensino superior: formar profissionais que saibam executar, mas também interpretar cenários complexos.
Na prática, isso significa que temas como ética, sustentabilidade, diversidade, inovação e impacto social deixam de aparecer apenas como disciplinas isoladas ou eventos pontuais. Passam a compor a própria narrativa de valor da universidade diante de alunos, famílias, empresas e comunidade.
IA entra como ferramenta, não como destino
Outro eixo da nova reitoria será a inovação no ensino. As matrizes acadêmicas do UniBH vêm se aproximando de conceitos ligados à neuroaprendizagem, com foco em metodologias mais aplicadas, personalização da jornada formativa e uso da tecnologia como apoio ao desenvolvimento dos estudantes.
Guerra costuma sintetizar essa visão em uma pergunta simples: “O que você aprendeu? O que você vai fazer com isso?”. A lógica desloca o centro do processo educativo. O foco deixa de ser apenas o conteúdo transmitido pelo professor e passa a ser a capacidade do aluno de aplicar conhecimento em situações concretas.
A inteligência artificial aparece nesse contexto como um tema incontornável. Para o novo reitor, a tecnologia precisa ser ferramenta, e não finalidade. Ele também defende que a IA não substitui, sozinha, o ser humano, mas muda a régua de competição: profissionais capazes de usar inteligência artificial tendem a ganhar vantagem sobre aqueles que ignoram a ferramenta.
Posse ocorre em meio à disputa do ensino superior privado
O contexto nacional torna a posse ainda mais relevante. O Censo da Educação Superior 2024 mostrou que o Brasil alcançou a marca de 10 milhões de estudantes no ensino superior. O mesmo levantamento apontou que a educação a distância chegou a 50,7% das matrículas de graduação no país.
Esse cenário pressiona centros universitários presenciais a oferecer algo que vá além da flexibilidade do EAD. Laboratórios, convivência, projetos de extensão, contato com professores, práticas profissionais e integração com empresas passam a ser argumentos centrais para manter o campus como espaço de formação.
Em Belo Horizonte, essa disputa tem contornos próprios. A capital concentra universidades públicas, instituições privadas tradicionais, centros de inovação, empresas de tecnologia, hospitais, escritórios, agências e negócios ligados à economia criativa. Para o UniBH, fortalecer a relação com esse ecossistema pode ser um dos caminhos para ampliar a relevância local.
A posse também formaliza a nova governança da instituição. Além de Guilherme Guerra, foram empossados Fernando Malheiros dos Santos Júnior como vice-reitor, Gisela Ribeiro Ko Freitag como pró-reitora administrativa e Mateus Franco Freire como pró-reitor acadêmico.


