O governador de Minas Gerais, Romeu Zema e o presidente da República, Jair Bolsonaro, durante encontro de trabalho.

O governador Romeu Zema (Novo), antenado em pesquisas internas, decidiu abandonar, aos poucos, o barco do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Desde o início do ano ele vem criticando a atuação do Governo Federal, algo inédito até então, já que era um dos últimos governadores a apoiar o presidente. Em entrevistas, já declarou que o presidente não conduziu a pandemia de forma adequada, que faltou comando e que teve certa negligência. Também afirmou que o presidente “contribuiu para confundir a população”.

A estratégia foi bem pensada.

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Primeiro porque Bolsonaro enfrenta uma queda de popularidade e seu nível de aprovação é o mais baixo de todos os tempos.

Ele sabe que se não fizer críticas agora, será colocado no mesmo barco do presidente durante a campanha de 2022.

Em segundo lugar, ele tomou conhecimento de pesquisas que mostram que ele vai melhor com o público do interior do estado, enquanto seu oponente, Alexandre Kalil, se sai melhor na capital e região metropolitana.

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Historicamente o interior de MG vota no PT e BH e RMBH votam no PSDB ou em candidatos mais conservadores. Estar associado a Bolsonaro só o fará perder ainda mais eleitorado.

Atualização: nesta terça, o Estado de Minas publicou mais um trecho da entrevista com o governador. Zema afirmou que vê como inadequada a possibilidade do presidente vir a BH fazer sua motociata:

“Eu não sou nenhum adepto de motociclismo e vejo que num momento de pandemia esse tipo de aglomeração, mesmo que tenha pouco risco, é inadequado. Nós precisamos, como governantes, dar exemplo de que precisamos estar vivendo com um pouco mais de segurança neste momento em que as pessoas estão morrendo, e qualquer ação que provoca aglomeração, na minha visão, não é adequada nesta altura do campeonato”

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