HomePolítica e PoderNikolas cria campo próprio na direita de Minas, o " partido PNF"

Nikolas cria campo próprio na direita de Minas, o ” partido PNF”

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O “PNF” não possui registro no Tribunal Superior Eleitoral, estatuto ou fundo partidário, mas o desfecho das eleições de 2026 consolidou uma provocação analítica no cenário estadual: o deputado Nikolas Ferreira estruturou o seu próprio “Partido Nikolas Ferreira” em Minas Gerais. A sigla atua como uma metáfora para o seu peso político atual.

Reeleito com 3.119.318 votos, o equivalente a 27,4% dos votos válidos para a Câmara em Minas, o parlamentar atingiu quase seis vezes a votação da segunda colocada, Ana Elisa (PT), que obteve 524 mil votos. Simultaneamente, o Partido Liberal (PL) saltou de 11 para 21 cadeiras na bancada mineira. Embora a totalidade dessas vagas não possa ser atribuída exclusivamente a ele, seu volume milionário de sufrágios exerceu um impacto decisivo no sistema proporcional, elevando o deputado da condição de influenciador digital para a de um polo produtor de votos e estruturador de palanques.

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A fronteira de influência além do PL

A demonstração mais contundente da expansão desse capital político não ocorreu na votação direta de Nikolas, mas no desempenho de Marco Antônio Costa, o Superman (Novo), na disputa majoritária. Em agosto, Nikolas anunciou o seu apoio para o Senado dividindo as indicações: Domingos Sávio (PL) para a primeira vaga e Superman para a segunda.

A articulação envolveu a construção de uma dobradinha orgânica entre os dois candidatos, movimento que evidenciou a capacidade de Nikolas de transitar e influenciar bases eleitorais fora de sua própria legenda. Nas urnas, Domingos Sávio terminou em primeiro lugar, eleito com 4,968 milhões de votos. Superman não conquistou a cadeira, mas em sua estreia eleitoral contabilizou 1,895 milhão de votos. A dinâmica revelou a formação de um campo de eleitores e candidatos que reconhecem no parlamentar um núcleo próprio de liderança, independentemente de filiação partidária.

O distanciamento de Carlos Viana

O senador Carlos Viana (PSD) chegou ao pleito com um retrospecto que, em tese, o conectaria naturalmente a esse eleitorado. Em 2022, ele foi o candidato oficial de Jair Bolsonaro ao Governo de Minas pelo próprio PL. Contudo, a instabilidade partidária marcou sua trajetória recente: em cinco anos, o político realizou quatro trocas de sigla, passando pelo Podemos antes de migrar para o PSD em abril de 2026.

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Apesar de declarar apoio a Flávio Bolsonaro para a presidência na reta final, Viana não obteve a adesão de Nikolas. Negociações prévias para uma dobradinha entre Viana e Superman chegaram a avançar, mas foram desarticuladas pela aproximação promovida por Nikolas entre Superman e Domingos Sávio. O distanciamento escalou para o confronto direto durante a campanha, com ataques do candidato do Novo a Viana. O desfecho das urnas colocou Viana em terceiro lugar, com 3.583.487 votos, ficando a 407.377 votos de distância de Marília Campos (PT), que assegurou a segunda cadeira com 3.990.864 votos.

Reconfiguração de forças na política mineira

Após a derrota, Carlos Viana responsabilizou o grupo político de Nikolas por dividir o eleitorado de direita, afirmando que o racha estratégico entregou a segunda vaga ao Partido dos Trabalhadores. Embora a migração automática dos eleitores de Superman para Viana seja uma hipótese contrafactual impossível de ser comprovada nas urnas, a reclamação sinalizou o reconhecimento de que Nikolas atingiu poder de fogo suficiente para alterar a rota de uma disputa ao Senado.

A marca de 3,1 milhões de votos reconfigurou a hierarquia do campo conservador. Nikolas não exerce o controle unilateral da direita em Minas — prova disso foi a derrota de seu candidato ao governo, Flávio Roscoe (PL), que obteve 6,97% dos votos ante a vitória em primeiro turno de Cleitinho Azevedo (Republicanos) com 55,40%. No entanto, o parlamentar consolidou um atributo escasso: a detenção de voto próprio em escala milionária e o poder de chancelar alianças em disputas cruciais.

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O peso do alinhamento e a marca própria

O revés de Carlos Viana estabeleceu um precedente claro sobre as dinâmicas de apoio para os próximos ciclos eleitorais. O episódio demonstrou que o simples posicionamento à direita não é mais garantia de acesso automático à base mobilizada por Nikolas.

Mesmo com o histórico de Viana ligado ao bolsonarismo, o deputado preferiu investir capital político em Superman, indicando que alinhamento direto, confiança e relacionamento pessoal superam as conveniências de uma trajetória conservadora isolada. Sem fundar uma agremiação formal, Nikolas Ferreira encerrou as Eleições de 2026 estruturando uma marca eleitoral autônoma, na qual o eleitor pode seguir a cartilha do PL ou migrar para o Novo dependendo de sua indicação. O “PNF” estabelece que a centralidade das alianças migrou da sigla para a figura do deputado, que passa a exigir assento definitivo nas negociações majoritárias do estado.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.