O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) sugeriu, em sabatina do SBT, que uma das razões para Ronaldo Caiado (PSD) apresentar desempenho eleitoral melhor em Goiás seria o fato de o adversário ter disposto de mais recursos para comunicação durante seu governo.
Um levantamento exclusivo do Moon BH mostra que a declaração tem uma resposta diferente dependendo da forma como os gastos são comparados.
Em valores absolutos, Minas Gerais gastou mais com a rubrica analisada em 2025: foram R$ 163,12 milhões, contra R$ 148,43 milhões no recorte equivalente adotado para Goiás. Quando a conta leva em consideração o tamanho da população e da economia dos dois estados, porém, a situação se inverte de maneira expressiva: Goiás gastou aproximadamente 2,6 vezes mais por habitante e 2,7 vezes mais em proporção ao PIB.
O ano de 2025 permite uma comparação especialmente relevante porque foi o último exercício completo em que Zema e Caiado permaneceram à frente de seus respectivos governos antes de deixarem os cargos para disputar a Presidência.
Minas gastou mais dinheiro, mas tem quase três vezes a população
Em Minas Gerais, a ação orçamentária denominada Assessoria de Publicidade registrou R$ 163.124.774,43 em 2025. O relatório de monitoramento do governo mineiro mostra que todo o montante foi empenhado e liquidado. O valor correspondeu a 99,36% dos R$ 164,17 milhões de crédito autorizado para a ação naquele exercício.
No recorte utilizado pelo Moon BH das Contas do Governador de Goiás, o gasto considerado foi de R$ 148.433.305,98. Assim, olhando exclusivamente para o dinheiro desembolsado, Minas ficou cerca de R$ 14,7 milhões acima de Goiás, diferença próxima de 10%.
Só que Minas é muito maior. Segundo as estimativas do IBGE para 2025, Minas Gerais tinha 21.393.441 habitantes, enquanto Goiás contava com 7.423.629. Ou seja, a população mineira era aproximadamente 2,9 vezes maior.
Dividindo o gasto pela população, o resultado muda:
- Minas Gerais: R$ 7,62 por habitante
- Goiás: R$ 19,99 por habitante
O gasto goiano foi, portanto, 2,62 vezes o gasto mineiro por morador.
Em relação ao PIB, diferença chega a 2,7 vezes
Outra forma de comparar estados de tamanhos muito diferentes é observar quanto o gasto representa em relação à riqueza produzida. O PIB mineiro de 2025 foi estimado pela Fundação João Pinheiro em R$ 1,157 trilhão. Em Goiás, o Instituto Mauro Borges estimou a economia estadual em R$ 389,6 bilhões naquele ano.
Usando esses valores, a publicidade considerada no levantamento representou aproximadamente:
- Minas Gerais: 0,0141% do PIB
- Goiás: 0,0381% do PIB
Proporcionalmente ao tamanho da economia, portanto, o número de Goiás foi 2,70 vezes maior.
É justamente esse tipo de comparação que altera a leitura dos valores nominais. Minas desembolsou mais reais, mas o gasto representou um peso muito menor quando dividido pela população ou confrontado com o tamanho da economia estadual.
Por que há outro número de publicidade para Goiás
Existe uma ressalva metodológica importante. O Relatório Técnico das Contas do Governador elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado de Goiás utiliza um conceito mais amplo de “Publicidade e Propaganda”. Somando serviços de publicidade, campanhas de utilidade pública, marketing e comunicação, o TCE-GO chegou a R$ 214,09 milhões em 2025.
Segundo o tribunal, esse agregado cresceu 39,14% em relação a 2024 e representou 0,47% da Receita Corrente Líquida goiana. O Moon BH não utilizou os R$ 214 milhões no cálculo principal porque seria necessário aplicar em Minas exatamente a mesma agregação contábil para que a comparação permanecesse homogênea. O levantamento também não inclui empresas estatais.
No documento analisado de Goiás, também há gastos de comunicação identificados como sinalização de trânsito e afins. Eles não foram considerados na soma por que aplicamos o entendimento de que não se trata de publicidade institucional.


