HomePolítica e PoderCruzeiro e Atlético: dois ex-presidentes dos clubes serão candidatos em 2026

Cruzeiro e Atlético: dois ex-presidentes dos clubes serão candidatos em 2026

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Minas Gerais chega às eleições de 2026 com uma conexão antiga, mas ainda muito forte, entre futebol e política. Dois nomes com passagem pelo comando dos maiores clubes do estado aparecem no tabuleiro eleitoral. Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético, é pré-candidato do PDT ao governo de Minas. Sérgio Santos Rodrigues, ex-presidente do Cruzeiro, é pré-candidato a deputado federal pelo Podemos.

A presença dos dois transforma a memória de Atlético e Cruzeiro em ativo político. Mas essa herança esportiva tem dois lados. A vantagem inicial é clara. Kalil e Sérgio não começam a disputa como desconhecidos. Carregam histórias de gestão, vitórias, crises, rejeições e identificação popular construídas antes de entrarem no debate eleitoral.

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Isso não significa que torcedor vota automaticamente em ex-dirigente. Também não quer dizer que a rivalidade de campo será transferida para a urna. O que muda é o ponto de partida.

Minas terá cerca de 16,4 milhões de eleitores em 2026, distribuídos em 853 municípios, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais. Belo Horizonte, sozinha, concentra quase 2 milhões de eleitores.

Dois caminhos diferentes vindos do futebol

Alexandre Kalil é o caso mais conhecido. Antes de virar prefeito de Belo Horizonte, foi presidente do Atlético entre 2008 e 2014, período que marcou a reorganização esportiva do clube e a conquista da Libertadores de 2013. Depois, venceu a eleição municipal de 2016, foi reeleito em 2020 e disputou o governo de Minas em 2022.

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Reprodução – Twitter

Em 2026, Kalil tenta voltar ao Palácio Tiradentes com um discurso que mistura experiência administrativa e lembrança esportiva.

Sérgio Santos Rodrigues percorre outro caminho. Ex-presidente do Cruzeiro entre 2020 e 2023, comandou o clube em um dos períodos mais difíceis de sua história, durante a permanência na Série B, a reorganização financeira e a transição para a SAF. Na política, assumiu temporariamente mandato de deputado federal como suplente de Nely Aquino e deixou a Câmara em março, quando a titular reassumiu.

Como cada um usa a marca do clube

Os dois casos mostram usos diferentes do futebol. Kalil trata a presidência do Atlético como capítulo de uma biografia maior, que inclui a Prefeitura de BH e a disputa estadual. Sérgio usa o Cruzeiro como marca de origem política, ligada à gestão de crise, ao direito esportivo e ao ambiente institucional do futebol.

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Ao se despedir do Congresso, Sérgio reafirmou a pré-candidatura a deputado federal. Em 2022, obteve 18.760 votos e ficou como suplente do Podemos. Agora tenta transformar a passagem curta por Brasília e o histórico no Cruzeiro em uma candidatura mais competitiva.

As três frentes em que o futebol ajuda

O futebol ajuda em três frentes. A primeira é lembrança. Em uma eleição com muitos candidatos, ser reconhecido antes do horário eleitoral já é vantagem. Ex-presidentes de clubes aparecem em entrevistas, programas esportivos e redes de torcedores que passam longe da política tradicional.

A segunda é linguagem. O futebol oferece frases simples para temas complexos: gestão, crise, dívida, liderança, reconstrução, vitória e derrota. Um candidato que comandou um clube grande consegue falar de orçamento e decisão difícil com exemplos que o eleitor entende.

A terceira é rede. Clubes mobilizam conselheiros, empresários, jornalistas, influenciadores, organizadas, ex-atletas, patrocinadores e torcedores. Mesmo sem campanha oficial de clube, esse ecossistema circula nomes e opiniões com velocidade.

O teto que o futebol também impõe

Deputado Federal Sérgio Rodrigues
Foto: Câmara dos Deputados

O mesmo futebol que abre porta pode limitar. Atlético e Cruzeiro têm torcidas enormes, mas nenhuma delas é bloco eleitoral uniforme. Há atleticanos que rejeitam Kalil, cruzeirenses que criticam Sérgio e eleitores que torcem para um clube, mas votam por religião, ideologia, cidade, renda, segurança ou avaliação de governo.

O risco é transformar identidade esportiva em bolha. Para deputado federal, a ligação com o clube pode garantir largada, mas não substitui base territorial, estrutura partidária e voto espalhado pelo interior.

Para governador, o problema é maior. Minas não é só Belo Horizonte, Arena MRV, Mineirão, Toca da Raposa ou Cidade do Galo. O estado passa por Norte de Minas, Triângulo, Zona da Mata, Vale do Aço, Sul de Minas, Jequitinhonha e centenas de cidades onde o eleitor quer saber de estrada, saúde, segurança, água, escola e emprego.

O que a eleição vai decidir

Esse ambiente obriga adversários a responderem em outro terreno. Quem enfrenta Kalil disputa também com a memória do dirigente que comandou o Atlético em uma era vitoriosa. Quem enfrenta Sérgio disputa com alguém associado ao período em que o Cruzeiro tentou sair do colapso institucional.

Ao mesmo tempo, os rivais podem usar o futebol contra eles. Gestão de clube é paixão, mas também é cobrança. Dívidas, rebaixamentos, negociações e decisões impopulares voltam ao debate com facilidade. O eleitor-torcedor lembra títulos, mas também lembra frustrações.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.