Os deputados federais Nikolas Ferreira e André Janones chegaram por caminhos políticos opostos, mas os dois ajudaram a mostrar uma mudança profunda na eleição em Minas Gerais: a rede social deixou de ser acessório de campanha e virou palanque principal.
O novo levantamento da Nexus coloca Nikolas como o deputado federal de melhor desempenho nas redes sociais entre os parlamentares analisados. Janones também aparece no grupo dos cinco primeiros. A leitura política é direta: os dois mineiros que lideraram a votação para deputado federal em Minas em 2022 continuam operando com força no ambiente que ajudou a elegê-los.
Nikolas teve 1.492.047 votos na última eleição para a Câmara. Janones ficou em segundo lugar no estado, com 238.967. A distância entre eles foi enorme, mas os dois casos revelam a mesma virada: em um estado com 853 municípios, o candidato que constrói audiência própria consegue furar a dependência exclusiva de prefeito, vereador, cabo eleitoral e base territorial.
Dois estilos diferentes, a mesma lógica eleitoral
Nikolas e Janones não falam com o mesmo público, nem usam o mesmo tom. O deputado do PL construiu uma identidade digital ligada à direita conservadora, ao bolsonarismo, à religião, ao confronto com o governo Lula e à sensação de perseguição institucional. É uma comunicação de pertencimento: quem acompanha sente que faz parte de uma comunidade política em guerra permanente.
Janones usa outra chave. Sua linguagem é mais de urgência, denúncia e mobilização. O conteúdo costuma chamar o público para reagir, compartilhar, pressionar ou defender uma pauta. A Nexus cita, entre os termos associados às publicações dele, palavras como “urgente”, “compartilhe”, “Lula”, “Bolsonaro” e “Bolsa Família”.
A diferença de estilo importa porque mostra que não existe apenas uma fórmula de sucesso digital. Nikolas cresceu com identidade ideológica muito clara. Janones cresceu com senso de timing e reação rápida a temas de grande temperatura. Um organiza a direita jovem e conservadora. O outro fala com uma base popular de esquerda e centro-esquerda acostumada a consumir política em ritmo de rede.
No ranking geral da Nexus, Nikolas atingiu 80,29 pontos no Índice de Relevância nas Redes, mais que o dobro do segundo colocado, Fábio Teruel (MDB-SP), que marcou 35,92. O estudo avaliou 15 deputados federais entre 1º de fevereiro e 30 de abril de 2026, em Instagram, X, Facebook, YouTube e TikTok.

O ponto mais forte não está apenas no número. Está na constância. Nikolas não aparece como fenômeno isolado de uma plataforma só. Ele liderou em Instagram, X e TikTok dentro do grupo analisado. No trimestre, somou 184 milhões de interações e uma média de 326 mil interações por post, mesmo sem depender apenas de volume alto de publicações.
O recado para 2026
O levantamento da Nexus também ajuda a entender a campanha que vem aí. A disputa eleitoral de 2026 não será decidida apenas na televisão, no fundo eleitoral ou na agenda de comícios. Haverá uma campanha paralela, muito mais rápida, rodando em cortes, vídeos curtos, transmissões ao vivo e publicações de reação.
A direita analisada concentrou 52,6% das interações dos 15 perfis avaliados. No YouTube, teve média de 204 mil interações por publicação, contra 38 mil do centro e 5 mil da esquerda. No X, a disputa ficou mais equilibrada, com leve vantagem da esquerda na média de interações por post.
Esse dado mostra uma diferença de ecossistema. A direita tem dominado melhor vídeos de embate e canais de alta fidelidade. A esquerda tem mais força em debates de reação, especialmente quando o tema envolve direitos civis, trabalho e enfrentamento político. Janones aparece nesse espaço. Nikolas domina o campo mais amplo da mobilização conservadora.
Para Minas, a conclusão é clara: candidatos sem estratégia digital correm o risco de entrar em 2026 falando apenas com estruturas, enquanto adversários falam diariamente com comunidades. A eleição proporcional, especialmente para deputado federal, tende a premiar quem já chega com público aquecido.

