O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) negou nesta terça-feira (7/7) ter participado da produção do vídeo em que Michelle Bolsonaro expôs desentendimentos com Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência. O parlamentar mineiro afirmou nas redes sociais que renuncia ao mandato se alguém provar que participou, coordenou ou se envolveu na produção do material.
A reação coloca Nikolas no centro de uma crise que deixou de ser apenas familiar e passou a ser eleitoral. O vídeo de Michelle, publicado em 24 de junho, abriu uma disputa pública dentro do bolsonarismo em torno da campanha de Flávio, do espaço da ex-primeira-dama no PL e da influência de aliados digitais no campo conservador.
O que Nikolas Ferreira nega sobre o vídeo de Michelle
A nova rodada da crise começou após a jornalista Andréia Sadi, da GloboNews, afirmar que pessoas que trabalham ou já trabalharam com Nikolas, ou conhecem sua forma de produzir vídeos, teriam ajudado Michelle Bolsonaro a roteirizar e gravar o conteúdo. A informação foi publicada pelo Poder360, que reproduziu a fala da jornalista e a resposta da equipe do deputado.
O deputado reagiu dizendo que não teve “qualquer participação” no vídeo. Em nota, sua equipe afirmou que nem o deputado nem integrantes vinculados ao gabinete participaram da concepção, roteirização, produção, gravação, edição ou qualquer etapa relacionada ao material divulgado por Michelle.
O deputado também rebateu outra leitura que circulava nos bastidores: a de que estaria articulando a eleição de uma bancada própria para depois deixar o PL. Nikolas afirmou que, se essa fosse sua intenção, já estaria em outro partido. Ele disse estar trabalhando para eleger uma bancada de deputados “legitimamente de direita”.
A declaração mais forte, porém, foi a promessa de renúncia. Ao colocar o mandato na discussão, Nikolas tenta transformar uma acusação de bastidor em desafio público: se houver prova, ele sai; se não houver, a versão de envolvimento passa a ser tratada por ele como “narrativa” de adversários ou de fogo amigo.
A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro

O vídeo que abriu a crise foi divulgado por Michelle Bolsonaro em 24 de junho. Na gravação, ela afirmou ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio Bolsonaro durante uma ligação telefônica, depois de críticas dela a negociações do PL no Ceará envolvendo Ciro Gomes.
Desde então, o conflito ganhou novas camadas. Michelle deixou o comando do PL Mulher em 30 de junho, segundo Reuters e Poder360, num movimento interpretado como perda de um ativo importante para Flávio entre eleitoras conservadoras e evangélicas.
Por que o caso importa para a direita mineira
Nikolas Ferreira não é um deputado comum dentro do PL. Além da votação recorde em Minas e no país em 2022, ele se consolidou como uma das principais vozes digitais do bolsonarismo. A força dele não está apenas no mandato, mas na capacidade de pauta nas redes sociais e na influência sobre um eleitorado jovem, evangélico e conservador.
Por isso, qualquer atrito entre Nikolas e a família Bolsonaro tem efeito político maior. Se o deputado fica associado a Michelle contra Flávio, passa a ser lido por parte do entorno do senador como ameaça ou indisciplina. Se se distancia demais da ex-primeira-dama, pode perder conexão com uma ala importante do bolsonarismo religioso.
Esse equilíbrio pesa em Minas Gerais. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país e costuma ser decisivo em disputas presidenciais. Em 2026, o PL precisa manter unida uma base que inclui bolsonaristas tradicionais, lideranças evangélicas, parlamentares de mandato e novos influenciadores políticos. Nikolas transita justamente entre esses grupos.
A crise também pode interferir no palanque mineiro. O PL em Minas terá de administrar a disputa nacional, a relação com aliados estaduais e a força própria de Nikolas. Mesmo sem ser candidato ao governo, ele pode influenciar chapas proporcionais, campanhas municipais remanescentes, eventos conservadores e a mobilização digital no estado.
O que diz a nota oficial do deputado:
“Em relação às informações divulgadas pela jornalista Andréia Sadi, na Globo News, segundo as quais pessoas que trabalham ou trabalharam com o deputado federal Nikolas Ferreira teriam participado da elaboração do vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, esclarecemos que a informação é absolutamente falsa. “Nem o deputado Nikolas Ferreira, nem qualquer integrante de sua equipe participou da concepção, roteirização, produção, gravação, edição ou qualquer outra etapa relacionada ao referido vídeo”.

