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A secretária que virou senadora em Minas Gerais por acaso e o alerta para 2026

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A história de Regina Assumpção é um daqueles casos da política mineira que parecem nota de rodapé, mas ajudam a explicar um ponto decisivo das eleições de 2026. Ela não foi eleita diretamente para o Senado. Não construiu uma campanha própria de grande projeção. Não chegou à chapa como liderança eleitoral conhecida. Mesmo assim, representou Minas Gerais no Senado por quase dois anos.

Regina Maria D’Assumpção, nascida em Ouro Preto, era primeira suplente de Arlindo Porto, eleito senador por Minas em 1994. Quando o titular se licenciou para assumir o Ministério da Agricultura no governo Fernando Henrique Cardoso, ela tomou posse e exerceu o mandato entre 1996 e 1998.

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A escolha dela para a suplência ocorreu de forma incomum. Regina atuava na estrutura do PTB mineiro e teria sido incluída na chapa em meio à pressa da montagem eleitoral. O nome acabou ficando na composição final. Quando Arlindo Porto saiu temporariamente do Senado, a suplente assumiu.

A história é curiosa, mas não deve ser tratada apenas como folclore político. Ela mostra como o voto para senador não escolhe apenas uma pessoa. Escolhe uma chapa. E essa chapa inclui dois suplentes que podem, em determinadas circunstâncias, ocupar uma das cadeiras mais importantes da República.

Em 2026, Minas vai escolher dois senadores

Nas eleições deste ano, os eleitores de Minas Gerais terão duas escolhas para o Senado. A votação de 2026 renovará dois terços da Casa, o que significa 54 vagas em disputa no país. Em cada estado, serão eleitos os dois candidatos mais votados. Como cada senador é eleito com dois suplentes, as duas chapas vencedoras em Minas levarão, além dos titulares, quatro nomes que ficam na linha sucessória do mandato.

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Esses suplentes não são votados separadamente na urna. Eles aparecem vinculados à candidatura principal e assumem em caso de morte, renúncia, perda de mandato, licença superior ao prazo previsto ou afastamento do titular para ocupar determinados cargos.

É por isso que o caso Regina Assumpção permanece atual. O eleitor pode votar em um nome conhecido, mas a cadeira pode acabar sendo ocupada por alguém muito menos debatido durante a campanha.

No Senado, isso tem peso maior do que em outros cargos. O mandato é de oito anos, o dobro do mandato de deputado, governador ou presidente. Uma substituição pode durar poucos meses, mas também pode se estender por anos, dependendo do motivo do afastamento do titular.

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Suplente não é detalhe burocrático

A suplência do Senado é diferente da suplência de deputado. Nas eleições proporcionais, como deputado federal e estadual, os suplentes são os candidatos mais votados depois dos eleitos dentro do partido ou federação. No Senado, a regra é outra: os dois suplentes são definidos antes da eleição, na própria chapa.

Isso transforma a escolha do suplente em uma decisão política de bastidor. Partidos podem usar a vaga para acomodar aliados, ampliar apoio regional, atrair setores econômicos, contemplar grupos internos ou equilibrar a composição partidária. A suplência faz parte da regra eleitoral brasileira. O problema democrático aparece quando a composição da chapa recebe pouca atenção pública, apesar de poder influenciar diretamente a representação do estado.

Minas já viu esse roteiro outras vezes. Alexandre Silveira, por exemplo, assumiu o mandato de Antonio Anastasia em 2022, quando o titular renunciou para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União.

Regina Assumpção teve atuação discreta e, posteriormente, seguiu ligada à comunicação pública. Mas o modo como chegou ao Senado expõe uma fragilidade recorrente: muitas vezes o eleitor só descobre quem eram os suplentes depois que eles assumem.

Para o eleitor mineiro, a informação essencial é simples: ao escolher senador, vale observar também quem são o primeiro e o segundo suplentes. Eles não aparecem como detalhe decorativo. São parte da chapa, do projeto político e da representação que pode chegar ao Senado.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.