A corrida presidencial de 2026 acaba de ganhar uma fotografia reveladora no estado que tradicionalmente decide as eleições no Brasil. Uma nova pesquisa Genial/Quaest (BR-00430/2026), divulgada nesta quarta-feira (6), mostra o ex-governador Romeu Zema (Novo) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto em Minas Gerais.
Na simulação de segundo turno testada pelo instituto, Zema cravou 38% contra 37% de Lula. O número, no entanto, esconde um detalhe estatístico crucial que impede qualquer comemoração antecipada.
O detalhe do empate técnico e a força do “não voto”
Como a margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois políticos estão configurados em um absoluto empate técnico. A leitura apurada da equipe do Moon BH sobre os dados aponta que a liderança de Zema é um sinal de extrema competitividade regional, mas ainda não representa um domínio eleitoral consolidado.

A pesquisa também desenhou um segundo cenário principal, substituindo o ex-governador mineiro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Nessa simulação, Lula aparece com 39% e Flávio com 36% — outro empate técnico. O dado que mais chama a atenção nesse segundo quadro é o nível de desinteresse: 20% dos eleitores afirmaram que votariam em branco, nulo ou sequer sairiam de casa para votar, além de 5% de indecisos.
O peso da sondagem no tabuleiro nacional
O levantamento divulgado hoje é massivo: ouviu 11.646 eleitores em 562 municípios entre 21 e 28 de abril, focando nos dez maiores colégios eleitorais do país. Como ressaltado por especialistas do setor, as dinâmicas estaduais não devem ser misturadas com os números nacionais.
Em Minas Gerais, o eleitorado costuma apresentar um comportamento político muito próprio, descolando-se das tendências de outros estados do Sudeste. É exatamente essa autonomia mineira que torna o desempenho de Zema tão relevante na montagem de qualquer candidatura da direita liberal viável para o Palácio do Planalto.
O impacto imediato nos bastidores das campanhas
Na prática, o instituto mostra que Zema encostou ou ultrapassou Lula milimetricamente em sua base principal. O próximo efeito dessa pesquisa vai estourar diretamente nas mesas de articulação política.
Para o ex-governador, o empate serve como oxigênio puro para sustentar seu discurso de viabilidade nacional. Para o PT, o número funciona como uma sirene de alerta: mesmo com a força histórica do lulismo em certas regiões de Minas, o estado está longe de ser um território garantido.


