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Como o silêncio de Cleitinho e Pacheco trava o xadrez em Minas Gerais

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A política de Minas Gerais entrou em um perigoso compasso de espera ditado por dois nomes: Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Rodrigo Pacheco (PSB). Nos bastidores, a cobrança de aliados, dirigentes partidários e pré-candidatos já se tornou explícita. O diagnóstico é um só: a falta de decisão dos dois senadores está atrasando o fechamento de todas as outras alianças para a disputa pelo Governo do Estado em 2026. Este cenário deixa o estado de Minas Gerais ainda mais imprevisível para os próximos meses.

Enquanto os dois principais polos não baterem o martelo se estarão ou não nas urnas, o sistema político mineiro é incapaz de fechar acordos sobre vices, vagas ao Senado, federações e palanques regionais cruzados. O Estado já tem favoritos, mas ainda não tem um tabuleiro fechado. Assim, a incerteza permanece sobre o futuro político das eleições em Minas Gerais.

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O peso do favoritismo e o cálculo de Cleitinho

A razão para o travamento reside no peso real da dupla na balança eleitoral. Cleitinho desponta hoje como o nome mais forte da corrida. A pesquisa Genial/Quaest (divulgada em 28 de abril) mostrou o senador liderando todos os cenários testados, tanto de primeiro quanto de segundo turno. Além disso, no estado de Minas Gerais, essas movimentações impactam diretamente o cenário eleitoral.

Apesar do favoritismo e de ser o nome preferencial do Republicanos, o senador hesita. A decisão deve ficar apenas para a partir de junho. Enquanto ele não decide se arrisca a disputa ao Executivo ou se mantém o conforto de seu mandato no Senado, o bloco de centro e direita fica no escuro. Sem saber se enfrentarão o favorito absoluto ou se a corrida será aberta, partidos médios travam o cálculo de risco para lançar nomes próprios ou negociar espaço com legendas como o PL. Não é fácil para partidos que atuam em Minas Gerais definirem estratégias nesse cenário.

A pressão sobre Pacheco e o polo governista

Com Rodrigo Pacheco, a paralisia possui outra natureza, mas é igualmente letal para o calendário das alianças. Tratado como a peça central para uma articulação ampla com o presidente Lula em Minas, o presidente do Senado sofre pressão pública diária. Lideranças de peso, como a ex-prefeita Marília Campos, já cobram publicamente uma definição. Vale lembrar que o comportamento dos blocos governistas nas últimas eleições em Minas Gerais depende diretamente dessa decisão.

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Como Pacheco segue em compasso de espera, as legendas que poderiam embarcar em sua chapa evitam movimentos definitivos. A esquerda e o centro aguardam para saber se haverá um nome com densidade suficiente para unificar o campo governista no estado ou se o espaço ficará pulverizado, principalmente em Minas Gerais.

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O Efeito Dominó: De Mateus Simões às chapas proporcionais

A paralisia no topo da pirâmide afeta diretamente os atores que já estão declaradamente no jogo do poder de Minas Gerais.

  • A sucessão de Zema: Mateus Simões, o herdeiro político do governador Romeu Zema, precisa saber urgentemente se enfrentará Cleitinho, Pacheco ou ambos. Sem essa resposta, ele não consegue calibrar seu discurso, montar sua chapa ou atrair a fatia do eleitorado que hoje flerta com o senador do Republicanos de Minas Gerais.
  • O compasso de espera de Kalil: Nomes de peso como Alexandre Kalil aguardam a movimentação dos senadores. A viabilidade e a utilidade de candidaturas alternativas mudam completamente conforme a presença ou ausência dos dois polos, especialmente nos cenários de Minas Gerais.
  • As alianças de base: Em Minas, a cabeça de chapa dita o resto da estrutura. A indefinição atrasa a montagem de palanques robustos para o Senado e trava a organização das “nominatas” (listas de candidatos) para deputado, essenciais para atrair prefeitos e lideranças do interior do estado de Minas Gerais.

Há um forte componente psicológico nessa lentidão. A mesma pesquisa Quaest que apontou a liderança de Cleitinho também indicou rejeições elevadas entre nomes já conhecidos pelo eleitor, incluindo o próprio Pacheco, principalmente na região de Minas Gerais.

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Para os senadores, prolongar a observação do cenário e ganhar tempo para medir resistências é um movimento altamente racional. Para o restante do ecossistema político mineiro, no entanto, essa espera se transformou em um custo altíssimo, deixando a pré-campanha em Minas presa em uma angustiante câmera lenta. Assim, vale reforçar que o ritmo das eleições em Minas Gerais pode mudar a qualquer momento.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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