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Quem é Romeu Zema: O raio-X econômico e político do ex-governador de Minas Gerais

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Romeu Zema (Novo) oficializou sua entrada na corrida presidencial ao renunciar ao governo de Minas Gerais em 22 de março de 2026, transferindo a cadeira para o vice Mateus Simões. O agora presidenciável deixa o Palácio Tiradentes apostando as fichas em sua principal vitrine: uma agenda de atração de investimentos que ultrapassou a marca de R$ 500 bilhões. No entanto, sua jornada rumo ao Planalto esbarra no forte desgaste acumulado com o funcionalismo público estadual. Além disso, a candidatura de Romeu Zema pode ganhar força nacional com a agenda de investimentos.

O DNA do varejo e o choque de R$ 500 bilhões

Zema construiu sua identidade pública muito antes das urnas. Natural de Araxá, ele forjou seu perfil gerencial no comando do Grupo Zema, um império varejista com mais de 5,3 mil colaboradores e 480 pontos de venda. Foi essa roupagem de “CEO fora do sistema” que o elegeu em 2018 e o reelegeu em 2022 no primeiro turno.

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À frente do Estado, o político aplicou a mesma lógica das planilhas empresariais. O programa “Minas Livre Para Crescer” simbolizou a desburocratização que baseia o seu discurso econômico. Por outro lado, muitos eleitores continuam debatendo se Romeu Zema conseguirá manter esse modelo de gestão no âmbito federal.

Os defensores da gestão listam entregas robustas que pavimentam sua narrativa nacional:

  • Atração de Capital: Mais de R$ 500 bilhões em investimentos privados atraídos até o fim de 2025.
  • Empregabilidade: Criação de mais de 1 milhão de postos de trabalho formais desde 2019.
  • Vale do Lítio: O projeto no Jequitinhonha injetou R$ 6,3 bilhões na região, gerando quase 4 mil empregos diretos.

Segurança e eficiência na gestão de crises

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais
Gil Leonardi/Imprensa MG

Longe da pauta econômica, a gestão também colheu dividendos na segurança pública. O modelo técnico adotado pelas forças policiais mineiras reduziu a criminalidade violenta e estancou crises carcerárias. O Anuário de Segurança Pública atesta que o sistema prisional não registra rebeliões desde 2019.

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Na saúde, programas como o “Opera Mais Minas” e o aporte recente de R$ 300 milhões para hospitais da Zona da Mata tentaram mitigar as gargalos crônicos de atendimento no interior do estado. Não obstante, a participação de Romeu Zema nessas iniciativas sempre foi frisada pelo governo.

O Lado B: A guerra com servidores e a pauta ideológica

A principal fraqueza da vitrine eleitoral de Zema surge quando o debate abandona a economia e entra no tecido social. A relação do ex-governador com os servidores públicos foi marcada por tensões asfixiantes. Apenas em março de 2026, às vésperas de sua saída, o governo autorizou um modesto reajuste de 5,4% para 673 mil servidores, gerando insatisfação geral.

O desgaste institucional também atingiu outras frentes:

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  • Privatizações travadas: A insistência em vender ativos sensíveis, como Cemig e Copasa, mobilizou forte resistência política e social.
  • Educação: A expansão acelerada das escolas cívico-militares gerou atritos severos com os sindicatos de professores.
  • Polêmicas Nacionais: Declarações defendendo a remoção compulsória de moradores de rua e anistia a Jair Bolsonaro isolaram Zema à direita, dificultando o diálogo com o eleitorado de centro.

O termômetro para a Presidência em 2026

O saldo de sua gestão reflete uma divisão. Conforme apurado e publicado nos levantamentos oficiais do DataTempo de março de 2026, Zema encerrou seu ciclo estadual com a popularidade dividida ao meio: 47,1% de aprovação contra 45,8% de desaprovação. Por fim, Romeu Zema encara a polarização e terá ainda obstáculos para consolidar sua candidatura em 2026.

Para a corrida presidencial, o desafio está posto. O mercado já comprou a tese do Zema gestor e austeramente fiscal; agora, o candidato precisará provar que a linguagem fria dos negócios é suficiente para governar a complexidade social de um país continental. Portanto, analistas políticos acompanham cada movimento de Romeu Zema nesta nova etapa de sua trajetória.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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