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Privatização da Copasa: o que falta e como está o processo de venda

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A desestatização da Copasa (CSMG3) entrou em uma fase que o mercado financeiro e os órgãos de controle passaram a chamar de “avanço vigiado”. O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) autorizou a continuidade de todos os atos preparatórios para a privatização, mas proibiu a alienação definitiva do controle até que a Corte emita o seu parecer final.

A decisão não paralisa a operação, mas impõe um compasso de espera nos passos finais de uma tese de investimentos que já fez as ações da companhia dispararem na B3.

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A escalada da CSMG3 e a precificação do mercado

O processo político mais espinhoso já foi superado pelo Palácio Tiradentes. Em dezembro de 2025, a Assembleia Legislativa (ALMG) aprovou a Lei 25.664, autorizando formalmente o Estado a abrir mão do controle da companhia de saneamento, após a aprovação da emenda que derrubou a exigência de referendo popular.

O mercado reagiu com força. Tomando como marco a aprovação definitiva do projeto na ALMG (17 de dezembro de 2025), a ação da Copasa saltou de R$ 42,91 para a casa dos R$ 57,94 no fechamento de 22 de abril de 2026 — uma alta expressiva de 35%. No ápice de abril, o papel chegou a bater R$ 61,00. O mercado, claramente, já precificou parte da expectativa de eficiência privada.

O Desenho da Operação: Inspirado na Sabesp

O governo mineiro estruturou a venda desenhando uma oferta pública de ações (secundária). Isso significa que não haverá emissão de novas ações para colocar dinheiro no caixa da Copasa; o valor arrecadado com a venda irá integralmente para os cofres do Estado, que hoje detém 50,03% da companhia.

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Copasa vai financiar obras estaduais
Foto: Copasa / Banco de Imagem – Ilustração do Moon BH

O modelo escolhido é o de corporation (empresa sem controlador único formal), espelhando o sucesso da privatização da Sabesp em São Paulo, mas com rígidas travas de governança aprovadas em fevereiro de 2026:

  • Golden Share: O Estado manterá uma ação especial com poder de veto em temas estratégicos.
  • Limite de Voto (Poison Pill): Nenhum acionista ou grupo poderá deter mais de 45% do poder de voto.
  • Investidor Estratégico: Há a possibilidade de um investidor âncora deter ao menos 30% do capital, com a exigência de lock-up (proibição de venda de ações) por 4 anos.

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O gargalo do TCE e os próximos passos

O gargalo atual não é legislativo, é de controle externo. O TCE-MG permitiu que o governo e a Copasa continuem com auditorias, estudos e até o protocolo de registro da oferta na CVM e na B3. No entanto, o botão final — a abertura do período de distribuição de ações — está bloqueado.

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Quando o sinal verde definitivo for acionado, o Estado iniciará o bookbuilding (processo para definir o preço da ação junto aos investidores) para, enfim, pulverizar os papéis no mercado. Não haverá o tradicional leilão com batida de martelo.

Se a privatização for consumada, a Copasa passará a operar como uma empresa privada, mas estritamente regulada. A Arsae-MG continuará fiscalizando os serviços e a política tarifária (incluindo a tarifa social). Além disso, a lei garantiu a manutenção dos contratos de trabalho dos atuais empregados por 18 meses após a conclusão da operação.

A tese da privatização já não está na estaca zero, mas a execução final agora depende de duas variáveis: a caneta do TCE-MG e a capacidade de encontrar uma janela de mercado favorável para a oferta bilionária.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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