O ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, é oficialmente o candidato do Partido Liberal (PL) ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A escolha foi anunciada nesta quarta-feira (5) pelo senador Flávio Bolsonaro, em um vídeo gravado ao lado do empresário.
O anúncio encerra meses de indefinição dentro do partido e foi feito no apagar das luzes, no último dia reservado pelo calendário da Justiça Eleitoral para as convenções partidárias. Flávio Bolsonaro apresentou Roscoe como um nome preparado para assumir o Palácio Tiradentes e destacou a forte proximidade construída entre os dois durante as articulações nacionais da sigla.
A escolha confirma de vez que o PL esgotou a paciência e desistiu de esperar por uma candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos). Segundo Roscoe, o partido aguardou por aproximadamente 120 dias uma definição do senador e de sua legenda antes de bater o martelo sobre o lançamento de um nome próprio.
PL garante palanque para Flávio Bolsonaro em Minas
Mais do que resolver a chapa estadual, a confirmação de Flávio Roscoe atende a uma necessidade vital e estratégica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro: garantir um palanque forte e exclusivo em Minas Gerais.
Com mais de 16 milhões de eleitores (10,32% do eleitorado nacional), Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país, perdendo apenas para São Paulo. Ter uma candidatura competitiva ao governo permite ao presidenciável do PL organizar agendas físicas, alinhar material eleitoral e amarrar alianças municipais em um território historicamente decisivo para definir quem sobe a rampa do Palácio do Planalto.
A direção nacional do partido já havia sinalizado que só abriria mão de encabeçar a chapa caso Cleitinho se confirmasse na disputa. Com a retração do Republicanos em lançar o senador, o comando nacional preferiu apostar em um nome “puro-sangue” em vez de atuar como mero apoiador de outro nome da direita.
Apesar do impasse anterior, Roscoe manteve o tom apaziguador. Durante o vídeo de anúncio, ele deixou as portas abertas, convidou Cleitinho a integrar seu palanque e manifestou solidariedade ao senador, que atravessa um período de luto familiar.
O desafio de ser conhecido e a herança dos votos
A oficialização garante a Roscoe uma estrutura partidária robusta e a associação imediata com o bolsonarismo, mas o empresário inicia a campanha com um desafio urgente: reverter a baixa lembrança entre os eleitores.
Os números provam que a ausência de Cleitinho (que liderava o cenário principal com 35%) não transfere votos de forma automática para o candidato apadrinhado pelo PL.
O grande desafio de Roscoe nas próximas semanas será se apresentar rapidamente ao eleitorado para ocupar o imenso vácuo deixado por Cleitinho, além de diferenciar sua candidatura da de Mateus Simões — atual vice-governador que busca a reeleição com a máquina estatal e o apoio do grupo político de Romeu Zema. O principal trunfo do novo candidato será tentar unificar o eleitorado conservador bolsonarista em torno de um forte discurso de responsabilidade econômica ligado à indústria e ao setor produtivo.
Quem é Flávio Roscoe
Aos 51 anos, Flávio Roscoe Nogueira é historiador de formação e empresário bem-sucedido do setor têxtil. Ele iniciou sua trajetória na indústria ainda na juventude, escalando até se tornar sócio-diretor do Grupo Colortextil, tradicional fabricante de malhas sediado em Belo Horizonte.
Em 2018, fez história ao ser eleito o presidente mais jovem a comandar a Fiemg. Permaneceu no cargo por quase oito anos, ganhando forte projeção nacional ao encampar lutas pela reforma tributária, expansão do ensino técnico e desburocratização do ambiente de negócios. Licenciou-se da federação apenas em abril de 2026 para mergulhar na política partidária.
Sua pré-campanha foi ancorada no programa “Pacto por Minas”, focado em educação, modernização energética e eficiência tributária. A estratégia espelha a fórmula usada por Romeu Zema em 2018: apresentar um empresário outsider (sem mandato eletivo prévio) como solução de gestão. A diferença crucial é que Roscoe já entra no jogo atrelado diretamente a uma candidatura presidencial polarizada.
PL ainda precisa apresentar o vice
Embora o anúncio em vídeo tenha confirmado Roscoe, o suspense sobre quem ocupará a vaga de vice-governador continua. O PL também terá de detalhar publicamente quais legendas vão compor a coligação final e se o Republicanos fará ou não parte desse arco de alianças.
O relógio está correndo. Os partidos têm apenas até o dia 15 de agosto para registrar formalmente suas chapas na Justiça Eleitoral. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet será liberada no dia seguinte, 16 de agosto.
A maior incógnita do momento segue sendo a postura de Cleitinho. Um apoio público e engajado do senador daria a Roscoe um “elevador” imediato para o eleitorado que o liderava as pesquisas. Sem essa força, o ex-presidente da Fiemg terá poucas semanas para convencer os mineiros de que o sucesso na indústria pode ser replicado no Palácio Tiradentes.


