O primeiro movimento de Romeu Zema rumo à Presidência da República em 2026 foi geográfico. Ciente de que precisa vencer o desconhecimento fora de Minas Gerais antes de pedir votos, o ex-governador escolheu o interior de São Paulo para dar a largada oficial de sua pré-campanha.
O foco inicial está no Sul e Sudeste, regiões mais receptivas ao seu perfil. A estratégia é avançar sobre o chamado “agro ampliado” em estados como São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Goiás, sem abandonar agendas pontuais no Nordeste.
Nos últimos dias, a rota se materializou em encontros com empresários no Rio Grande do Sul (Passo Fundo e Caxias do Sul). O recado é um só: ele quer ser lido como um gestor liberal, próximo da produção e distante da velha política.
O plano de choque econômico para 2026
A segunda frente da campanha é puramente programática. Zema prepara para a próxima quinta-feira (16 de abril), em São Paulo, o lançamento de um plano econômico estruturado em cinco pilares duros.
A tentativa é transformar sua candidatura em uma oferta ideológica clara, com linguagem de mercado mais agressiva do que a média da disputa. Os pilares incluem:

- Privatizações amplas: Venda de gigantes intocáveis, incluindo Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
- Redução do Estado: Foco em cortes drásticos para diminuir o “Custo Brasil”.
- Reformas duras: Novas propostas de flexibilização nas regras trabalhistas e previdenciárias.
- Contra a escala 6×1: Zema já se posicionou publicamente contra a aceleração da pauta do fim da escala 6×1, defendendo relações de trabalho mais flexíveis.
- Abertura comercial: Foco em queda de juros e redução da inadimplência.
Diferenciar-se da direita sem sair dela
O movimento mais delicado de Zema ocorre nos bastidores: tentar se diferenciar do PL sem romper com o campo conservador.
Cotado para ser vice de Flávio Bolsonaro, o ex-governador repete que irá “até o fim” como cabeça de chapa. Em entrevista recente ao Estado de Minas, marcou posição ao dizer que representa uma direita sem corrupção e criticou o PL por abrigar “algumas frutas podres”.
A estratégia é disputar o mesmo eleitorado geral da direita, mas se oferecendo como uma opção mais institucional, empresarial e independente do bolsonarismo raiz.