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Como pesquisas ao Governo de Minas vão ditar as campanhas de Kalil, Pacheco e Simões

Quando 86% do eleitorado mineiro diz não ter candidato a governador — dado do Real Time Big Data de dezembro de 2025 —, a pesquisa eleitoral muda de função. Ela deixa de ser termômetro para virar bússola. Em alguns casos, GPS. Para Alexandre Kalil, Rodrigo Pacheco e Mateus Simões, os próximos meses serão de decisões de alto risco tomadas não por instinto, mas por tabela cruzada.

O pano de fundo que condiciona tudo é este: o governo estadual tem 62% de aprovação, segundo o mesmo instituto, mas o vice Mateus Simões aparece com apenas 9% no cenário estimulado. Existe, portanto, um “ativo político” acumulado que ainda não foi transferido que deve ser ativado quando as pessoas estiverem prestando atenção no assunto.

A pesquisa, aqui, serve para mapear em quais grupos — evangélicos, interior, jovens, servidores — essa transmissão é viável sem que o nome Simões carregue junto a rejeição que Zema também acumulou.

A campanha de Simões enfrenta o dilema clássico do vice: tem caneta e máquina, mas não tem memória eleitoral. O rastreamento contínuo (tracking) vai medir não só intenção de voto, mas onde o funil vaza — quem conhece o nome e não votaria, e por quê.

Pacheco: a pesquisa decide se ele entra

Rodrigo Pacheco vive um impasse que só dado resolve: ser o candidato que Lula quer em Minas pode ser, ao mesmo tempo, ativo e âncora no estado. Em Minas, onde o centro-direita historicamente domina e a polarização nacional contamina votos, o “palanque federal” precisa ser testado — e não apostado.

O Datafolha, com sua reputação nacional e amostras robustas, tende a ser usado exatamente para esse tipo de decisão de alto risco: entrar ou não entrar, e com qual identidade. “Candidato do Lula” ou “moderado mineiro”? São molduras que pesquisa A/B mede com precisão cirúrgica antes de qualquer inserção de mídia.

Kalil: o “ame ou odeie” que precisa de dados para crescer no interior

A força de Kalil na RMBH é conhecida — o problema é que governadores se elegem também no interior. A pesquisa vai calibrar mensagem por região e, principalmente, medir quanto a formalização da aliança com o PT some ou subtrai fora de Belo Horizonte.

Eleição para governador se ganha com prefeitos, ele não os tem.

O combo que muda o jogo

Real Time Big Data e Datafolha não são concorrentes nesse cenário — são camadas. O primeiro entrega velocidade: mede em dias se uma declaração, aliança ou crise moveu percepção. O segundo entrega credibilidade: quando aparece, pauta redação, trava conversa de bastidor e influencia o próprio adversário.

Com o tabuleiro ainda tão aberto, quem souber ler os dados antes — e agir antes — larga na frente. Em 2026, em Minas, a campanha começa na planilha.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.