Nesta terça-feira, 3 de março de 2026, a curva aponta para o gabinete mais importante da Praça da Assembleia. Com a indicação de Tadeu Martins Leite (MDB) como candidato único à vaga de conselheiro do TCE-MG, a deputada Leninha (PT) entra em contagem regressiva para fazer história: ela pode ser a primeira mulher a comandar efetivamente o Legislativo mineiro em décadas, mesmo que de forma interina.
No entanto, para o observador atento, não se trata apenas de uma troca de nomes. É uma mudança de eixo de poder.
Quem é Leninha: A trajetória do “Semiárido” ao Poder
Marilene Alves de Souza, a Leninha, é a síntese da militância orgânica do PT. Natural de Montes Claros, sua base é o Norte de Minas, região que ela transformou em seu bastião eleitoral.
- Formação e Base: Bióloga e mestre em Desenvolvimento Social pela Unimontes, Leninha traz o DNA do Sind-UTE e da CUT.
- Protagonismo Feminino: Primeira mulher na Mesa Diretora desde os anos 90, ela quebrou um hiato histórico na Casa.
- Comando Partidário: Em 2025, assumiu a presidência do PT-MG, o que lhe confere, além da autoridade institucional, uma liderança partidária incontestável para negociar o palanque de Lula no estado.
O “Nó” do Regimento: Interina ou Definitiva?
Aqui reside o detalhe que separa a “foto” do “poder real”. Pelo Regimento Interno da ALMG:
- Assunção Imediata: Se Tadeu Leite renunciar para assumir o TCE, Leninha assume a presidência de forma interina no ato.
- A Regra de 30 de Novembro: Como a vacância ocorreria antes de 30 de novembro do segundo ano do mandato (2026), a Casa precisa convocar novas eleições internas para preencher o cargo de presidente até o fim da legislatura (janeiro de 2027).
O Cenário: Leninha larga com a vantagem da cadeira, mas precisará construir um arco de 39 votos entre os 77 deputados para se consolidar como presidente definitiva. Em um plenário onde o governo de Romeu Zema possui ampla base, essa eleição é difícil para a deputada.