HomePolítica e PoderAlexandre Kalil 2026: Inelegibilidade, Crise no PDT e o Isolamento em Minas

Alexandre Kalil 2026: Inelegibilidade, Crise no PDT e o Isolamento em Minas

Houve um tempo em que um tuíte de Alexandre Kalil fazia tremer os alicerces da Praça da Liberdade. Hoje, o silêncio que o cerca nos bastidores de 2026 é ensurdecedor. O “Turco”, outrora uma locomotiva eleitoral imparável em Belo Horizonte, vive agora o paradoxo do prestígio sem herdeiros. Kalil não é apenas um nome difícil de apoiar; ele tornou-se um ativo de alto risco em um mercado que, neste ano eleitoral, busca desesperadamente por segurança jurídica e coalizão.

O declínio da “marca Kalil” não foi um acidente, mas uma construção em três atos de autodestruição política e jurídica.

1. O Fantasma de 2022: A Mágoa do “Prefeito Ampliado”

A renúncia em 2022 para disputar o Governo de Minas foi o seu “pecado original”. Ao entregar a capital para Fuad Noman e sofrer uma derrota acachapante para Romeu Zema ainda no primeiro turno (31% contra 61%), Kalil perdeu a aura de invencibilidade. Para os caciques do interior, ele provou ser um fenômeno metropolitano que não soube “falar mineiro” além da Avenida do Contorno. Em 2026, a memória dessa derrota funciona como um teto de vidro para qualquer pretensão majoritária.

2. O Divórcio Tóxico de 2024: O Fim da Linha em BH

Se 2022 foi uma derrota eleitoral, 2024 foi uma derrota moral. O racha público com Fuad Noman — seu ex-vice e criatura política — foi conduzido com uma virulência que assustou até os aliados mais leais. Ao apoiar Mauro Tramonte e ver Fuad consagrar-se nas urnas, Kalil não apenas perdeu o controle da capital; ele perdeu o status de padrinho. Hoje, o PSD mineiro e a máquina da PBH tratam Kalil como um adversário a ser evitado, dificultando qualquer palanque competitivo na Grande BH.

3. A Espada de Dâmocles: A Inelegibilidade como Realidade

O golpe de misericórdia, contudo, veio dos tribunais. Em agosto de 2025, a condenação em primeira instância por improbidade administrativa — no caso das cancelas do bairro Mangabeiras — suspendeu seus direitos políticos por cinco anos. Somado à investigação de extorsão e improbidade (envolvendo R$ 103 milhões em contratos de publicidade), o risco jurídico tornou-se insuportável.

Nenhum partido sério investirá recursos de fundo eleitoral em uma candidatura que pode ser impugnada no altar do registro. Kalil hoje não é apenas um candidato; é uma incerteza jurídica ambulante.

O Dilema do PDT e a Rejeição do PT-MG

A filiação ao PDT, articulada por Carlos Lupi em outubro de 2025, foi uma tentativa de sobrevida nacional. Mas o desembarque em Minas foi gelado. O diretório estadual, liderado por Mário Heringer, vê com ressalvas um líder que não aceita o crivo das bases locais.

Para piorar, o PT de Minas Gerais emitiu um sinal de alerta vermelho neste início de fevereiro de 2026: a aversão a Kalil é quase unânime. Enquanto Lupi tenta vendê-lo como o “nome de Lula”, a militância petista mineira prefere o conforto de Rodrigo Pacheco ou a prata da casa com Margarida Salomão. Kalil virou o candidato que todos conhecem, mas ninguém quer levar para casa.

O Rei sem Corte

Alexandre Kalil é a prova de que, na política, a língua é o chicote do corpo. Ele ainda rende manchetes, ainda tem seguidores fervorosos, mas falta-lhe o essencial para 2026: previsibilidade institucional. Sem recompor as pontes que dinamitou em Belo Horizonte e sem resolver o imbróglio jurídico que o asfixia, ele continuará sendo um “Rei Solitário”. Em um estado que valoriza a conciliação e o café com queijo, Kalil escolheu o vinagre. E o gosto, agora, é de isolamento.

The Politica
The Politica
O The Política é uma coluna que escreve sobre política local de forma especializada, com análises precisas e profundas do cenário político, sempre focado nos temas mais atuais e importantes para o brasileiro.