A luz vermelha de “no ar” apagou repentinamente para três das vozes mais familiares de Minas Gerais. O ouvinte que sintonizou a rádio esperando a narração explosiva do seu time, o debate político da manhã ou a conversa descontraída da madrugada encontrou uma programação alterada.
Uma regra rigorosa da legislação eleitoral obrigou a Rádio Itatiaia a retirar Mário Henrique Caixa, Eduardo Costa e Tinelão de seus estúdios de forma simultânea. A paralisação evita multas pesadas contra a empresa e impede que os pré-candidatos utilizem a audiência diária como vantagem desleal nas urnas em 2026.
A regra que esvaziou os estúdios da Itatiaia
Os apresentadores pausaram suas atividades regulares para viabilizar o registro de suas campanhas políticas perante a Justiça. A lei proíbe que pré-candidatos apresentem ou comentem programas de rádio e televisão a partir de 30 de junho do ano da eleição. A medida equilibra a disputa democrática contra adversários que não possuem o mesmo espaço nos grandes veículos de comunicação.
Desrespeitar essa norma gera consequências severas. A emissora recebe punições financeiras altíssimas, enquanto o comunicador corre o risco de ter a própria candidatura cassada pelos tribunais.
Por que Mário Henrique Caixa não vai narrar jogos do Atlético
O torcedor atleticano sente o impacto mais ruidoso dessa mudança obrigatória. Mário Henrique Caixa desligou seu microfone logo após a transmissão esportiva do dia 28 de junho.

O locutor construiu sua carreira na emissora desde 1993, transformando seus bordões na marca registrada da torcida alvinegra. Ele narrou decisões de campeonatos, Jogos Olímpicos e Copas do Mundo ao longo das últimas três décadas.
A ausência coincide com o retorno das competições do calendário do futebol nacional. A rádio reorganizou rapidamente sua escala de locutores esportivos para cobrir a lacuna deixada pelo titular da cobertura do Atlético.
Caixa busca renovar seu mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Filiado ao Partido Verde (PV), ele atua como deputado estadual e utiliza sua forte base de fãs no esporte para sustentar seu projeto político.
Debates matinais perdem análises de Eduardo Costa
O núcleo de jornalismo diário da emissora sofreu outra baixa pesada. Eduardo Costa deixou a bancada do programa Conversa de Redação, transmitido todas as manhãs para debater economia, segurança e problemas sociais.
O jornalista carrega uma experiência extensa na cobertura dos bastidores do poder em Minas Gerais. Ele escrevia colunas diárias no portal e mantinha comunicação direta com os ouvintes insatisfeitos com os serviços públicos de Belo Horizonte.
Agora filiado ao União Brasil, Costa tenta conquistar uma cadeira de deputado estadual. O analista quase disputou o cargo de vice-governador na chapa de Romeu Zema nas eleições passadas, mas acordos partidários barraram a composição na última hora. A saída retira do ar um analista acostumado a traduzir o noticiário pesado para o cidadão comum.
Das rodovias perigosas para as urnas
A programação noturna registrou o terceiro desfalque da temporada. O influenciador e ex-caminhoneiro Tinelão afastou-se dos programas de entretenimento e interação direta com os ouvintes das madrugadas.
Ele trocou o volante do caminhão pelos estúdios, onde conquistou popularidade relatando os perigos reais das rodovias brasileiras. Esse engajamento orgânico garantiu ao comunicador mais de um milhão de seguidores em seus perfis nas redes sociais.
O União Brasil escalou Tinelão como pré-candidato a deputado federal. Ele baseia seu discurso na defesa dos direitos dos motoristas profissionais e na cobrança por melhorias urgentes na infraestrutura asfáltica.


