Eduardo Costa vai trocar o microfone da Itatiaia pelo palanque eleitoral em Minas Gerais. O jornalista, uma das vozes mais conhecidas do rádio mineiro, deve se afastar da emissora a partir de 30 de junho por causa da regra eleitoral que impede pré-candidatos de apresentarem ou comentarem programas de rádio e televisão.
Costa confirmou a intenção de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo União Brasil. Em entrevista ao Moon BH, ele afirmou que decidiu tentar a vida política depois de décadas de jornalismo e disse não pensar em fazer carreira longa na política: “Eu tô disposto, é agora ou nunca. Eu tenho orgulho do que fiz, é agora ou nunca”, disse.
O afastamento não é uma escolha editorial. É uma exigência da legislação eleitoral, que busca impedir que comunicadores em pré-campanha mantenham exposição diária superior à de seus adversários. No caso de Eduardo Costa, o impacto da saída é maior porque a Itatiaia tem alcance estadual e forte presença em Belo Horizonte, no interior do estado e em plataformas digitais.
A trajetória de Costa e o capital construído no rádio
Eduardo Costa construiu carreira como comentarista, repórter e apresentador ao longo de décadas. Sua relação com o público se consolidou pela presença constante no rádio, com posicionamento sobre política, cidade, comportamento e problemas cotidianos enfrentados pelos mineiros.
Esse tipo de capital de reconhecimento costuma ser valioso em uma eleição proporcional como a de deputado estadual. Para esse tipo de disputa, o reconhecimento de nome é frequentemente decisivo entre os eleitores. Candidatos com histórico consolidado em rádio e televisão entram na campanha com uma vantagem inicial relevante: parte significativa do eleitorado já conhece o nome e a voz do candidato antes mesmo de a campanha começar oficialmente.
Costa chega à disputa com credibilidade construída junto aos ouvintes, mas também assume um risco estrutural: a mudança de posição, de observador para protagonista político.
Como jornalista, Eduardo Costa cobrava políticos e analisava decisões de governo. Como candidato, passa a ocupar o lugar de quem é cobrado, analisado e questionado pela imprensa e pelos próprios concorrentes. Essa inversão de papel costuma ser um dos maiores desafios para comunicadores que migram para a política, já que a familiaridade do público com a voz não garante, por si só, apoio às propostas e ao histórico que serão apresentados durante a campanha.
A leitura partidária da candidatura
A pré-candidatura de Eduardo Costa também tem uma leitura estratégica dentro do União Brasil. O partido tenta formar uma nominata competitiva para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e um nome já conhecido do grande público pelo rádio pode ajudar a puxar votos para outros candidatos da legenda na mesma chapa proporcional.
Para Costa, o desafio será conciliar imagem pública consolidada com estrutura partidária e base territorial de apoio, elementos que costumam pesar tanto quanto o reconhecimento de nome em eleições para o Legislativo estadual. A experiência de outros comunicadores que migraram para a política mostra que reconhecimento amplo nem sempre se converte automaticamente em votação suficiente para eleição, especialmente quando o candidato não consegue construir uma rede de apoio territorial consistente.
A partir de hoje, Eduardo Costa terá de fazer campanha eleitoral sem a vitrine diária que construiu ao longo de sua carreira na Itatiaia. É esse o teste mais concreto que se apresenta: descobrir se a força acumulada nos anos de rádio resiste fora do estúdio e se sustenta como capital político suficiente para conquistar um mandato na Assembleia Legislativa.





