A jornalista Beatriz Oliveira, uma das contratações mais recentes do jornalismo da Globo Minas, relatou ter sido vítima de racismo cerca de um mês após se mudar para Belo Horizonte. O desabafo foi publicado pela repórter em suas redes sociais nesta segunda-feira (14), referindo-se à experiência como um “soco no estômago” logo no início de sua nova etapa profissional na capital mineira.
Em seu relato, a repórter optou por não detalhar a dinâmica do ocorrido. O texto focou no impacto emocional gerado pela situação e nos desdobramentos psicológicos enfrentados após a agressão.
A jornalista descreveu que, durante o fato, conseguiu esboçar uma reação imediata, mas que o impacto real foi sentido ao retornar para casa. A repórter afirmou que a violência fez com que ela considerasse abandonar a região da cidade que havia escolhido para morar, levantando dúvidas pessoais sobre a sua permanência naquele endereço.
Origem familiar motivou decisão de ficar
Ao relatar o processo de assimilação do episódio, Beatriz abordou a complexidade de ser uma mulher negra de pele clara no Brasil. Segundo a jornalista, o racismo estrutural muitas vezes faz com que a própria vítima questione a validade da sua dor ou tenha dúvidas se a situação vivenciada deve ser de fato classificada e denunciada como uma violência racial.
A decisão de não se mudar de bairro foi tomada a partir do resgate de sua história familiar. Beatriz citou a trajetória de seus pais e avós para justificar a escolha de permanecer. Ela recordou que sua mãe trabalhou durante anos limpando casas e que seu pai esteve ligado ao trabalho rural pesado, precisando abrir mão de sonhos pessoais para priorizar a sobrevivência básica da família.
Mudar de endereço por causa de um ataque racista, segundo a repórter, seria permitir que a discriminação interrompesse uma história de ascensão construída ao longo de gerações. Ela estabeleceu ainda um contraste geográfico em seu desabafo, pontuando que, durante toda a sua vida e carreira no estado da Bahia, o racismo nunca a havia alcançado dessa maneira. O texto foi encerrado com a afirmação categórica de que “não haverá recuo”:
“Recuar não seria apenas mudar de endereço. Seria permitir que a violência de alguém atravessasse uma história que levou gerações para ser construída”, disse a jornalista em seu Instagram.
Mudança de emissora e ascensão na carreira
O episódio ocorre em um momento de transição importante na carreira da profissional. Beatriz é natural do distrito de Piri, localizado no município de Sento Sé, na região norte da Bahia. Formada em Jornalismo em Multimeios pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Juazeiro, ela construiu um currículo rápido dentro do sistema de afiliadas da rede.
Antes de chegar a Belo Horizonte, a repórter acumulou passagens pela TV Grande Rio, sediada em Petrolina, e pela TV São Francisco. O salto para a capital baiana ocorreu na TV Bahia, onde apresentou diferentes telejornais locais. Nos meses que antecederam sua mudança para Minas Gerais, ela era a apresentadora titular de uma edição regional do Bahia Meio Dia, voltada para as regiões Norte e Oeste do estado.
A transferência para Belo Horizonte, concretizada oficialmente em agosto após sua saída da Rede Bahia no fim de julho, representou a entrada direta em uma emissora própria do Grupo Globo.


