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Quem foi Márcio Santos, apresentador que levou o campo à TV em Minas

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Para milhares de mineiros, Márcio Santos era uma das vozes que transformavam o domingo de manhã em uma viagem pelo interior do estado. Durante 15 anos na TV Integração, afiliada da Globo em Minas Gerais, ele esteve à frente do MG Rural e ajudou a colocar na televisão histórias de produtores, lavouras, pecuária, tradições e personagens que raramente ocupam o centro do noticiário diário.

O jornalista morreu nesta terça-feira (15), aos 55 anos, em Juiz de Fora. Márcio estava afastado da televisão e fazia tratamento contra um câncer havia aproximadamente três anos. Ele deixa a esposa e duas filhas.

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A morte encerra uma trajetória que começou muito antes do MG Rural. Natural de Caratinga, Márcio passou pelo rádio, pela narração esportiva e por diferentes emissoras antes de construir a fase mais conhecida de sua carreira na Zona da Mata.

Da rádio em Caratinga ao jornalismo de televisão

Márcio Santos começou a trabalhar com comunicação ainda no fim dos anos 1980. Uma das primeiras experiências foi no Grupo Sistec, em sua cidade natal, onde passou pela Rádio Caratinga 94 FM e pela TV Sistec.

Naquele período, atuou inclusive como narrador e comentarista esportivo, uma faceta menos conhecida por quem passou a acompanhá-lo posteriormente falando sobre agricultura e vida no interior. A carreira também incluiu trabalho como âncora do Super Canal e passagens por afiliadas da Record em Governador Valadares.

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Foi uma trajetória construída principalmente fora da capital. Isso acabaria se tornando uma das características mais importantes de sua carreira: Márcio conhecia uma Minas que nem sempre passava pelas redações de Belo Horizonte.

Quando chegou à TV Integração, essa experiência encontrou um formato perfeito no MG Rural.

MG Rural transformou Márcio em rosto conhecido de Minas

MG Rural — Foto: Divulgação/TV Integração

Márcio completou 15 anos na TV Integração em agosto de 2026. Durante esse período, tornou-se a principal referência do público na apresentação do MG Rural, programa produzido em Juiz de Fora e dedicado ao universo rural mineiro.

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A atração não se limitava a informar preço de produtos ou apresentar números do agronegócio. Reportagens acompanhavam produtores, novas técnicas utilizadas no campo, criação de animais, agricultura, culinária e histórias de pessoas espalhadas pelo interior.

Essa mistura ajudava a aproximar dois públicos. Quem vivia no campo se reconhecia na televisão, enquanto moradores das cidades podiam enxergar de onde vinham alimentos, tradições e parte relevante da economia mineira.

A própria Globo chegou a reformular cenário, identidade visual e trilha do MG Rural ao longo dos anos, mantendo a proposta de mostrar as diferentes conexões entre campo, indústria e cidade. Márcio continuava como elemento familiar em meio às transformações do programa.

Cuidado com a maneira de falar com o homem do campo

Colegas que trabalharam com o jornalista destacaram, após sua morte, uma característica específica de sua apresentação: a preocupação com a linguagem.

Fernanda Lília, gerente executiva de Jornalismo da TV Integração, contou que Márcio tinha atenção especial ao escolher a forma como conversava com o telespectador rural.

“O Márcio sempre tinha uma frase de efeito, uma poesia, uma música”, lembrou. Segundo ela, o apresentador possuía “um cuidado enorme para falar com o homem do campo”, escolhendo as palavras que usaria nas manhãs de domingo.

Essa preocupação ajuda a explicar por que sua imagem ficou tão ligada ao programa. Em vez de tratar o interior apenas como pauta econômica, Márcio apresentava produtores e famílias como personagens das próprias histórias.

Em 2019, esse trabalho chegou também às salas de aula. Ele participou de uma atividade com estudantes do ensino fundamental em Juiz de Fora para conversar sobre Minas Gerais, agronegócio e assuntos exibidos pelo programa.

Afastamento da televisão não apagou presença na redação

Há cerca de três anos, Márcio se afastou da rotina da emissora para realizar o tratamento contra o câncer. Mesmo distante da apresentação diária, continuou sendo lembrado constantemente pelos profissionais da TV Integração.

Daniela Abreu, diretora de Jornalismo da emissora, relatou que chegou à empresa depois do afastamento de Márcio, mas encontrou sua presença nas histórias contadas pelos colegas e na influência sobre jornalistas mais jovens.

Uma declaração dada pelo próprio jornalista durante o período de tratamento passou a ser relembrada depois de sua morte: “Não importa quanto tempo eu tenho de vida, importa a forma como eu decidi viver.”

A frase resume parte da imagem deixada por Márcio dentro e fora da televisão. Sua carreira não foi construída a partir de uma bancada nacional ou de grandes coberturas em rede, mas de uma relação longa com uma região e com um público específico.

Durante 15 anos, foi ele quem apareceu na tela para contar uma parte de Minas que começa depois que terminam as grandes avenidas. E foi justamente dessa proximidade com o interior que Márcio Santos construiu seu espaço na história da televisão mineira.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.