O Palmeiras terminou o primeiro jogo contra a LDU com uma vitória e um incômodo.
Foram 22 finalizações para construir apenas o 1 a 0 que obrigará a equipe a decidir a classificação às semifinais da Libertadores com vantagem mínima na altitude de Quito.
Três dias depois, uma das possíveis respostas para esse problema apareceu no Campeonato Brasileiro.
Vitor Roque marcou na vitória sobre o São Paulo, voltou a balançar a rede depois de uma temporada profundamente afetada por problemas físicos e saiu do clássico falando novamente em confiança.
O gol valeu pelo Brasileiro. Para o Palmeiras, porém, pode significar também uma solução para um problema que ganhou peso na Libertadores.
Palmeiras criou muito e transformou pouco em vantagem

O problema diante da LDU não foi falta de criação.
O Palmeiras conseguiu controlar diferentes períodos da partida e acumulou oportunidades. Como o Moon BH mostrou ao analisar as 22 finalizações contra os equatorianos, seis foram na direção do gol.
Só uma entrou. A única bola na rede veio com Agustín Giay, que também vivia uma história particular: foram 98 partidas até marcar pela primeira vez pelo clube.
A dificuldade na conclusão fez com que uma partida dominada terminasse com vantagem mínima.
Uma análise do ge chegou à mesma conclusão: o Palmeiras criou o suficiente para vencer, mas a baixa eficiência manteve a eliminatória muito mais aberta do que poderia.
Em qualquer confronto de mata-mata, desperdiçar oportunidades mantém o adversário vivo. Quando a partida seguinte acontece na altitude de Quito, o problema fica ainda maior.
Vitor Roque reaparece exatamente na hora certa

A temporada do camisa 9 ajuda a explicar por que o gol no clássico chama atenção.
Vitor Roque passou meses afastado depois de sofrer um problema no tornozelo esquerdo e precisar de cirurgia. A recuperação foi acompanhada de perto pelo Palmeiras, que utilizou referências do tratamento de Piquerez para conduzir o retorno do centroavante.
Voltar a jogar, entretanto, era apenas a primeira etapa.
O atacante ainda precisava recuperar ritmo e confiança. Em agosto, o Moon BH mostrou que Vitor Roque chegou a enfrentar um jejum de aproximadamente 160 dias sem balançar as redes pelo clube.
O cenário começou a mudar após o retorno.
A sequência ainda é pequena demais para decretar que o centroavante voltou definitivamente à melhor forma, mas existe um detalhe temporal importante: a confiança começa a reaparecer justamente quando a temporada entra na fase em que uma oportunidade desperdiçada pode custar uma classificação.
Contra a LDU, o Verdão mostrou que consegue produzir. O desafio agora é precisar de menos oportunidades para marcar.
Marcar em Quito pode mudar toda a eliminatória
A vantagem construída em casa permite ao Palmeiras avançar com um empate. Isso não significa que Abel Ferreira possa organizar toda a estratégia apenas em torno da proteção do 1 a 0.
A LDU estará em casa, acostumada à altitude e obrigada a procurar o gol.
Caso o Palmeiras consiga marcar, a dinâmica muda completamente. O adversário passaria a precisar de pelo menos dois gols apenas para levar o confronto aos pênaltis.
É por isso que a possível retomada de Vitor Roque ganha peso maior do que um simples gol no Brasileiro.
Um centroavante confiante é também uma forma de defesa em uma eliminatória desse tipo.
Abel pode recuperar uma peça decisiva no momento exato

Existe uma diferença enorme entre recuperar um jogador clinicamente e recuperá-lo esportivamente.
Estar disponível permite que Abel Ferreira utilize Vitor Roque. Voltar a confiar no próprio corpo e na própria finalização permite que o atacante execute aquilo que levou o Palmeiras a investir nele.
O clube já decidiu que seguirá disputando todas as frentes. O Moon BH mostrou anteriormente que Abel escolheu assumir esse risco em vez de priorizar apenas uma competição.
Na semana passada, a pergunta era quanto o Palmeiras poderia lamentar em Quito as chances desperdiçadas no Brasil. Agora surgiu uma possibilidade mais otimista.
O Verdão continua levando uma vantagem curta para o Equador, mas pode levar junto um Vitor Roque um pouco mais próximo daquele que imaginou para comandar o ataque.
Em uma eliminatória na qual eficiência pode separar classificação de eliminação, essa resposta apareceu em ótima hora.


