O Palmeiras fez quase tudo o que precisava para transformar o primeiro jogo contra a LDU em uma noite tranquila. Empurrou o adversário para trás, acumulou finalizações e passou boa parte da partida instalado no campo ofensivo.
Faltou justamente transformar esse domínio no que mais importava.
O 1 a 0 construído no jogo de ida das quartas de final da Libertadores deixa o time de Abel Ferreira em vantagem, mas também obriga o Palmeiras a decidir a vaga em Quito com uma margem muito menor do que a atuação permitia imaginar.
O problema não é ter vencido por pouco. É perceber que o time criou o suficiente para não precisar viajar ao Equador com a eliminatória tão aberta.
Palmeiras finalizou 22 vezes para marcar apenas uma
Segundo levantamento do UOL, o Palmeiras terminou a partida com 22 finalizações, seis delas na direção do gol.
A LDU passou longos períodos apenas tentando sobreviver à pressão.
Mesmo assim, a única bola que terminou na rede veio com Agustín Giay, justamente em uma partida histórica para o lateral argentino. O gol foi o primeiro dele pelo clube depois de quase uma centena de jogos.
Para Giay, uma espera terminou. Para o ataque do Palmeiras, outra preocupação permaneceu.
O time marcou muito menos do que produziu e chega à reta final da temporada convivendo novamente com uma dificuldade que já apareceu em outros momentos: domínio territorial nem sempre significa vantagem confortável no placar.
O problema fica maior quando o próximo jogo é em Quito
Em qualquer confronto de mata-mata, desperdiçar oportunidades significa manter o adversário vivo. Contra a LDU, existe uma camada adicional.
O jogo de volta será disputado em Quito, onde a altitude altera ritmo, desgaste e comportamento das partidas. O Palmeiras conhece muito bem essa dificuldade. Em 2025, sofreu uma derrota por 3 a 0 para a própria LDU no Equador antes de produzir a histórica reação por 4 a 0 no confronto de volta.
Desta vez, a ordem é inversa. O Verdão viaja em vantagem, mas apenas um gol equatoriano é suficiente para igualar o confronto.
Uma diferença de dois ou três gols construída no Brasil permitiria administrar o ritmo. O 1 a 0 praticamente elimina essa possibilidade. O Palmeiras precisará jogar novamente a eliminatória.
Ausência de Gómez aumenta preço dos gols desperdiçados
A situação se torna ainda mais delicada porque Gustavo Gómez recebeu o terceiro cartão amarelo e está suspenso.
O Moon BH mostrou ontem como a ausência do capitão obrigará Abel Ferreira a reorganizar justamente o setor que começou a partida com três zagueiros.
Esse desfalque não é a história principal agora, mas ajuda a dimensionar o custo da ineficiência ofensiva.
Se o Palmeiras tivesse convertido mais das oportunidades criadas, poderia viajar com espaço para absorver um eventual erro defensivo ou até um período de forte pressão da LDU.
Com vantagem mínima, qualquer gol sofrido muda completamente a eliminatória.
Os gols perdidos no Brasil, portanto, não desapareceram. Eles reaparecerão como pressão na altitude.
Vitor Roque oferece o sinal positivo

Vitor Roque participou diretamente da construção do gol e recebeu aplausos ao deixar o campo. A atuação mostrou novamente uma versão mais móvel e participativa do atacante depois de uma temporada marcada também por problemas físicos.
O Palmeiras conseguiu chegar. Essa talvez seja a diferença mais importante entre uma crise de criação e uma crise de aproveitamento. O time não saiu do confronto procurando descobrir como atacar a LDU. Criou espaços e acumulou situações perigosas. Precisa convertê-las.
A margem para continuar desperdiçando diminui justamente porque o calendário não permite corrigir uma eliminação depois.
O Palmeiras já escolheu disputar todas as frentes sem priorizar uma competição. Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão continuam exigindo força máxima praticamente ao mesmo tempo.
Nesse cenário, eficiência não é apenas uma questão estética. É uma forma de economizar energia, controlar jogos e diminuir riscos.
Na ida, 22 finalizações renderam uma vitória. Na volta, o Palmeiras pode descobrir que algumas das chances desperdiçadas no Brasil teriam valido muito mais do que pareciam no momento.


