O Palmeiras viaja a Assunção para um autêntico choque de realidades contra o Cerro Porteño nesta quarta-feira (29), pela 3ª rodada da fase de grupos da Copa Libertadores. O time vem embalado por oito jogos de invencibilidade sob o comando de Abel Ferreira. Assim, o Verdão coloca à prova um elenco quase seis vezes mais caro que o do rival. Faz isso para tentar isolar-se na liderança do Grupo F. Além disso, enfrenta um adversário que confia no caldeirão local para compensar a defasagem técnica.
O abismo de mercado e o peso do tricampeonato
A Libertadores costuma equalizar as forças no gramado. No entanto, o raio-X financeiro do confronto evidencia a brutal força econômica que o Palmeiras construiu nas últimas temporadas. O duelo no Paraguai marca o encontro entre uma potência sul-americana estabilizada e um gigante local que ainda busca seu primeiro troféu continental.
Os números da base de dados alemã Transfermarkt, consultados pelo Moon BH, atestam a disparidade da partida:
- Palmeiras: Elenco milionário avaliado em expressivos € 166,55 milhões.
- Cerro Porteño: Plantel precificado em modestos € 27,98 milhões.
- Tradição Continental: O Verdão ostenta três taças da Libertadores (1999, 2020 e 2021), enquanto o Cerro tem nas semifinais (alcançada pela última vez em 2011) o seu teto histórico.
A muralha pragmática de Abel e a turbulência no Paraguai
Dentro das quatro linhas, o momento do Palmeiras transpira solidez. A recente vitória por 1 a 0 sobre o Red Bull Bragantino, pelo Brasileirão, consolidou a atual face da equipe de Abel Ferreira. Ou seja, pode não ser o time mais vistoso do continente no momento. Por outro lado, é uma engrenagem pragmática e defensivamente letal.

Do outro lado, o Cerro Porteño vive um cenário dúbio. Embora sustente uma elogiável marca de 11 partidas de invencibilidade (incluindo uma vitória por 1 a 0 sobre o Junior Barranquilla na Libertadores), o clube respira a fumaça de uma grave crise de segurança.
No último fim de semana, o clássico nacional contra o Olimpia foi cancelado após violentos confrontos entre torcedores e a polícia. O episódio injetou uma pesada turbulência institucional no ambiente do clube exatamente às vésperas de receber o líder do grupo.
O xadrez do Grupo F em Assunção
A configuração do Grupo F reflete esse cenário. O Palmeiras desembarca no Paraguai ocupando a 1ª posição da chave. Já o Cerro aparece em 3º lugar, precisando desesperadamente pontuar em casa para não ver a classificação escapar.
Na prancheta tática, a dinâmica do duelo é clara. O Verdão se apoia em sua estrutura confiável — uma defesa de ferro e um meio-campo combativo — para sobreviver às habituais amarras de um jogo fora de casa na Libertadores. Já o Cerro Porteño precisará abrir mão da técnica refinada para apostar no volume de jogo. Além disso, apostará na pressão em bloco alto e na atmosfera hostil de seu estádio.
No papel e no cofre, o favoritismo absoluto viaja na bagagem palestrina. Mas o Palmeiras sabe melhor do que ninguém que, na Libertadores, Assunção costuma cobrar um preço caro de quem confia apenas no valor do próprio elenco.
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